sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Perspectivas reais...

Quem já teve a oportunidade de ler algum dos textos que eu vou escrevendo, porventura já terá reparado que algumas vezes costumo afirmar que na mais simples coisa se pode encontrar a presença da Arte Real.

Naturalmente que só vislumbramos algo se o conhecermos, bem como reciprocamente, que só poderemos encontrar aquilo que efectivamente  procuramos.

Aliás, existe até mesmo um silogismo religioso e iniciático que diz que “quem procura, encontra”.
E eu acrescento que pode mesmo encontrar!

Pode é nem sempre ser tão lesto como se poderia desejar, mas com trabalho, empenho, paciência e muita perseverança, tal poderá ser concebível.

Mas por vezes é possível encontrarmos algo mesmo que não estejamos à procura de alguma coisa e essa descoberta, algumas vezes fascinante, é algo que nos pode motivar e impelir para ir mais além, demonstrando de certa maneira, que o caminho que escolhemos tomar é o que melhor se nos aplica.

Por isso, não são raras as vezes que encontro a presença da minha(/nossa)arte, em coisas tão simples como em frases ditas por alguém que nem sempre está identificado com os princípios de vida que observo, ou em canções ou músicas que nem sempre são aquelas intemporais ou mais comerciais que é usual conhecermos ou outras que poderíamos relacionar com algo mais místico ou metafísico até, ou inclusive até mesmo em simples construções onde a presença da Maçonaria poderia ser assumidamente dada como inexistente.

Quando encontro algo que relaciono directa ou indirectamente com a Arte Real é porque detenho um conhecimento que me permite reconhecer essa presença, ou pelo menos, a supor.

Mas tudo isto, apenas pode ser feito através da minha perspectiva, da minha visão, dos meus princípios morais e da minha experiência de vida. É a perspectiva que tenho sobre tal, que me permite esse facto.
Pois as mesmas coisas, os mesmos objectos, as mesmas músicas, poderão na perspectiva de outrem, pouco ou nada ter a ver com a opinião que tenho sobre essas mesmas coisas. Tudo na vida depende da nossa perspectiva e da nossa opinião e é a nossa perspectiva que tudo define.

Aquilo que eu vejo e sinto, podem outros também o ver e sentir, tal como outros poderão nunca o fazer…

Mas aquilo que eu vejo, sinto, saboreio ou toco, apenas poderá acrescentar mais valias à minha vida se eu tiver a noção disso mesmo, caso contrário apenas serão meras sensações que sentirei e que pouco ou nada me trarão de novo ou de positivo para o que eu espero da vida.

Todavia, enquanto eu olho para algo através da vista de alguém reconhecido como maçom, um estudante de Teosofia, um Rosa-Cruz, um membro de outra via iniciática qualquer ou que tenha alguma perspectiva espiritual diferente da minha, encontrará outras coisas que não me serão possíveis encontrar.

Primeiro, porque não as procuro, mas principalmente porque não as conheço. E sem as conhecer, nunca me será possível as reconhecer…  

Todavia, alguém não iniciado nestas “andanças”, também não o conseguirá fazer  porque não as conhece, e também porque sem as conhecer,  também não as poderá identificar.

O que poderá fazer no entanto, é tentar perceber o que é aquilo que observa, e quanto muito, se auxiliado correctamente, é apreender, através da boca de quem lhe vai debitando noções ou percepções daquilo que estará à sua frente.
O que é sempre diferente de reconhecermos algo e aquilo que nos dizem que será ou que poderá ser na realidade…

- Existem sensações que são necessárias vivê-las, experimentá-las, para se saber verdadeiramente o que são… As nossas experiências, as nossas vivências são determinantes na nossa vida, pois elas são responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que pensamos e por aquilo que fazemos…-

Quantas vezes não estivemos nós em excursões ou em visitas a museus, castelos, igrejas, espaços culturais, etc, onde fomos guiados por alguém?

E em ocasiões em que tal era a primeira ou a segunda vez que visitávamos esses locais?

E que à medida em que íamos ouvindo o nosso guia, íamos adquirindo novas percepções sobre o que estávamos a ver?

Ou em visitas posteriores aos mesmos lugares, em que observávamos já com olhos diferentes aquilo que estávamos a contemplar, fruto dos conhecimentos que fomos ganhando entretanto?!

A nossa opinião bem como a nossa perspectiva sobre algo é mutável, evolui.

Já alguém dizia que só “os ignorantes não mudam de opinião” e quem não muda, não consegue progredir. E sem progredir, o Homem estagna, definha…

Por isso é tão importante a perspectiva que temos das coisas e quanto menos ambígua for essa perspectiva mais depressa poderemos definir aquilo que encontramos ou aquilo que observamos como sendo (o) verdadeiro e/ou o mais correto.

E a nossa experiência de vida, o nosso empirismo, terá um papel fulcral no auxílio de validar aquilo que se nos é apresentado pela vida.

Através da nossa experiência é nos possível adquirir uma visão das coisas, que sem ela, não nos seria possível obter.

Não basta se olhar alguma coisa simplesmente olhando, há que se olhar com olhos de quem quer ver
E isso é o mais importante, porque só agindo assim poderemos alcançar o conhecimento, actuando de forma deliberada e tendo a noção do que (o) estamos a fazer .

-A nossa perspectiva será sempre a “nossa”. Outros terão as “deles”.-

Devido a diferentes experiências de vida, diferenças culturais, sociais, económicas e educacionais, existem várias formas de se olhar e analisar a mesma coisa.

Tanto que na maioria das vezes, temos como opinião que, se as perspectivas dos outros forem semelhantes à nossa, facilitam-nos o nosso inter-relacionamento humano, e que se forem contrárias ou divergentes às perspectivas que temos, possibilitam-nos outras novas aprendizagens e também a comunhão e partilha de diferentes pontos de vista, originando o debate dessas diferentes  ideias. Sendo isto, algo que considero também como bastante necessário para o progresso humano.

E é para o progresso do ser humano que os maçons trabalham! Seja através da sua acção no mundo profano, seja através do seu trabalho nas suas lojas maçónicas…

Por tudo isto, dependendo apenas da perspectiva que se poderá ter acerca de algo, foi-me possibilitado fazer esta reflexão que convosco partilhei.

Foi apenas a minha perspectiva que enunciei e nada mais!

Se correta, se errada, apenas outrem a poderá sufragar e dar-lhe o valor que considerar que ela valha.
Quanto a mim e para aquilo que pretendo da vida, por enquanto, vai servindo perfeitamente…


PS: Texto escrito por mim e publicado previamente aqui.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

São João e a Conduta Maçónica...

Quando se fala em São João pensa-se por mera associação lógica que deverá se tratar de um único João. Mas não posso falar apenas de um pois não se trata de um João só, nem mesmo apenas de dois. 
São João Baptista e o São João Evangelista são os “habituais” Patronos da Maçonaria; mas no decurso da minha investigação para a execução deste Trabalho, “descobri” um outro João, um terceiro São João. Um que é conhecido tanto por “São João de Jerusalém” como por “João, o Esmoler”.

Por isso vou tentar abordar um pouco as características maçónicas de cada um e tentar chegar a uma conclusão “que se não o for, bem o poderia ser”.

Comecemos a análise portanto:

São João, O Baptista, primo de Jesus, foi o profeta que anunciou a sua vinda, e  foi lhe consagrado pela Igreja de Roma o dia 24 de Junho.
Chamavam-lhe de “ o Baptista” porque ele baptizava os gentios nas margens do rio Jordão e os tentava converter à religião Judaica, a religião do Deus único de Moisés e de Abraão. Ele com o seu baptismo, iniciava os gentios, sendo por isso um “iniciador” de pessoas. Ele próprio baptizou, iniciou Jesus.

João Baptista é considerado também como um “anunciador”, pois também ele previu a chegada de um Messias, o Cristo que iria salvar a Humanidade.

Ele no percurso da sua vida ensinava as pessoas a serem humildes, a renunciarem a si próprias (submetendo as suas vontades aos seus deveres e a evitarem o Egocentrismo) e a pensarem e a preocuparem-se mais com os seus semelhantes (princípios éticos que Jesus Cristo também assumiu ao longo da sua vida).

A sua conduta passava pela justiça dos seus actos, a humildade e a ascese com que levava a sua vida; ele próprio chegou a pregar no deserto. O próprio silêncio que envolve a “caminhada no deserto” está associado ao silêncio a que está sujeito também o Aprendiz Maçom em Loja.

João Baptista era intolerante com a fraqueza e denunciava sistematicamente os vícios e a iniquidade a que assistia ao seu redor. Atitude esta que também o Maçom deve tomar, combatendo os seus vícios e paixões, sendo humilde e inimigo da fraqueza.

E foi em consequência dos seus ideais que João Baptista foi aprisionado por Herodes Antipas em Jerusalém, que num torpor de amor pela sua enteada Salomé o mandou decapitar.
Essa decapitação, em Maçonaria está (na minha opinião) simbolizada também num determinado juramento e sinal executado pelos Maçons. No qual o Maçom prefere ter a sua garganta cortada do que referir os segredos que lhe foram confiados. Sigilo este simbolizando o silenciar dos "segredos" que qualquer Maçom está obrigado a cumprir sobre tudo o que oiça e veja em Loja.

João Baptista ao querer permanecer fiel aos seus princípios pagou cara a sua postura. Essa verticalidade, essa rectidão e integridade de princípios são hoje em dia um dos deveres dos Maçons que se querem Homens rectos e de boa conduta; estando essa qualidade simbolizada na jóia do Segundo Vigilante, o “prumo”.

Um facto curioso é que o próprio vestuário de João Baptista, a sua túnica, está também representada no avental do Aprendiz, na pele de cordeiro (branco) de que é feito o material do mandil do Maçom.

Os Maçons, devido à sua Iniciação, também se consideram filhos da Luz, tal como os Essénios, membros da comunidade de Qumran à qual João Baptista também pertencera na sua juventude. O juramento que era feito pelos Essénios, e por sua vez também por João Baptista, era de amar a Deus, de justiça misericordiosa para com todos os homens e pureza de carácter, o que implicava humildade, praticar o bem e a verdade, relegando a falsidade e a malícia; tendo eles uma enorme reserva sobre os seus rituais e doutrinas secretas em relação a estranhos. Características assumidamente maçónicas. 
-A própria Maçonaria as tenta inculcar nos seus membros.-
         
Quanto a São João, O Evangelista, ele foi um dos discípulos e Apóstolos de Jesus Cristo, sendo considerado por alguns teólogos como o discípulo preferido.

É considerado como " o Evangelista" porque escreveu um dos quatro evangelhos canónicos aceites pela Igreja de Roma, que talvez de todos os evangelhos conhecidos seja o Evangelho com maior pendor simbólico e esotérico. Estando contido nele o Livro das Revelações, o “Apocalipse”.

João Evangelista quis deixar uma mensagem de Paz e Amor ao Homem, a palavra que Jesus Cristo professava, sendo por isso considerado como o “Apóstolo do Amor”.

Também em Maçonaria se deseja esse amor, o “amor fraternal” entre os Homens, que se querem Irmãos entre si.

A conduta e forma de estar de João Evangelista, a sua pureza e inocência (era o mais jovem dos apóstolos), a sua amizade e lealdade a Jesus até à sua morte, também nos mostra como nós, Maçons, devemos seguir tais ensinamentos nos nossos relacionamentos e conduta de vida bem como nos mantermos fieis aos bons princípios morais que devem guiar as nossas vidas e atitudes.

Após a morte de Jesus na cruz, João Evangelista ficou encarregado de cuidar de Maria, mãe de Jesus. Sendo que à época, Maria seria já viúva. 
Por analogia com a Maçonaria, João Evangelista tomou às suas responsabilidades a viúva, tal como os Maçons devem fazer com as viúvas de seus irmãos.

E também ele, tal como João Baptista, sofreu na sua pele a firmeza e integridade em seguir os seus princípios, os ensinamentos de Jesus Cristo. Tendo sido martirizado pelo Imperador romano Domiciano, que mais tarde o desterrou para a ilha de Patmos, onde lá permaneceu até à sua morte. Com essa postura de mártir, João Evangelista deu mais um exemplo a ser seguido pelos Maçons, o de serem firmes na sua conduta e persistentes no seu desejo de aperfeiçoamento até ao fim da sua vida.

Enquanto João Baptista, foi o “preparador e o anunciador”, logo o iniciador; João Evangelista, simboliza o iniciado que recebeu a luz e que a partilha e a emana sobre os demais. Sendo esse também um dever do Maçom em relação aos seus Irmãos, partilhando a sua sabedoria e experiência de Vida, os ensinando e aconselhando.

Por sua vez, São João de Jerusalém, ou O Esmoler; ele nasceu na ilha de Chipre por volta de 550 e devido à sua formação cristã e atitude solidária e caridosa deslocou-se para Jerusalém a fim de construir um hospital que socorresse os peregrinos que acorriam à Terra Santa nessa altura.

João Esmoler era contemporâneo das cruzadas que eram lideradas pelos cavaleiros Templários e neles se inspirou para exercer a sua solidariedade e hospitalidade para com o seu próximo.

Ele em vida, seguindo os preceitos templários como paradigmas da sua conduta, fundou uma Ordem de Cavalaria, a Ordem dos Cavaleiros Hospitaleiros, que mais tarde se alterou para Ordem dos Cavaleiros de Jerusalém, porque apesar da sua missão principal fosse receber e prestar cuidados médicos aos doentes, eles auxiliavam também os cavaleiros Templários nas suas incursões pela Terra Santa.

Mais tarde João Esmoler, regressaria ao Chipre, porque existia o risco de invasão da ilha pelas tropas turcas. Aí, ele viria a fundar a Ordem dos Cavaleiros de Malta, que para além da função hospitaleira e médica, tinha também funções de protecção e manutenção da paz. Apesar de serem uma Ordem Militar, não conseguiram conter as hostes turcas que invadiram a ilha.

Após o seu falecimento, o Papa em reconhecimento das suas acções e virtudes, o canonizou com a designação de São João Esmoler, apesar de ficar mais conhecido como São João de Jerusalém, por lá ter vivido grande parte da sua vida. 
Como o Papa o santificou, os cavaleiros Templários que tinham um enorme respeito e reverência por ele, o tomaram como seu patrono. 
De tal forma que a Maçonaria, herdeira também das tradições templárias, assumiu os seus ensinamentos e os tenta seguir, aproveitando a Maçonaria o facto de João ser considerado o “esmoler” e essa qualidade estar premente na conduta maçónica, na qual o Maçom deve ser caritativo e hospitaleiro, bem como solidário com o seu próximo. Glorificando-o a Maçonaria, através da designação de uma das funções atribuídas aos Oficiais de Loja, o de Irmão Hospitaleiro ou Mestre Esmoler (minha opinião).

Também Janus, o deus pagão das duas faces, está intimamente ligado a São João e à Maçonaria. 

Janús é o deus que dá origem ao nome do mês “Janeiro”, o primeiro mês do calendário cristão. Janeiro deriva da palavra latina “janua”, ou “porta”. E porta, por sua vez, é também o significado da letra grega “delta” que tem forma triangular e que em Maçonaria representa o Divino e em Loja está sobre a cadeira de Salomão, a cadeira do Venerável Mestre.
A dupla face de Janus simboliza também os dois "Joãos", o Baptista e o Evangelista. E como tal, na dupla face de Janus, a face voltada para o passado simboliza o Baptista, pois ele anuncia a vinda do Messias, e a face virada para o futuro simboliza o Evangelista, pois ele foi anunciador da palavra de Cristo.

Contudo, Janeiro é o mês que dá início a um novo ano, um renascer (futuro); para trás ficou o ano que findou (passado). Também a este deus estão subordinadas as Iniciações.
No ritual da Iniciação, também o candidato e recém neófito, tem um renascer, ele na Câmara das Reflexões, deixou o seu passado através da sua morte simbólica, e no fim da sua iniciação quando ele finalmente vê a Luz, ele está também nesse momento a ver o seu futuro, um futuro “iluminado”.

O próprio nome de Janus, na sua forma latina (Johannes), significa João.
E a similitude dos dois nomes é tal que um foi absorvido pelo outro, na cristianização (conversão forçada) dos povos pagãos.

Para além de que João, na sua forma hebraica (Jeho-hannam), significar “graças ou favor a Deus”. Ou seja, homem iniciado e iluminado. Assim uma Loja de São João, é local de reunião de um agrupamento de Iniciados, homens iluminados e favorecidos espiritualmente. Tal como se querem os Maçons. Sendo justo atribuir-lhes o epíteto de “irmãos de São João”.

As próprias Lojas Simbólicas, as Lojas que administram os três primeiros graus da Maçonaria, consagram os três São Joãos.
Elas se designam por “Lojas de São João”, em honra de João Baptista; sendo as mesmas abertas e dedicadas (ao G.A.D.U. e) a São João de Jerusalém, tal como o questionário feito ao Maçom à entrada de uma Loja, onde lhe é questionado ritualmente de “Onde vem?”.
Bem como, numa sessão de uma Respeitável Loja que siga o Rito Escocês Antigo e Aceite (o rito da nossa Respeitável Loja), se o Livro da Sagrada Lei for a Bíblia, ela se encontrará aberta na primeira página do “Evangelho de João”, honrando assim João Evangelista. Nela se encontram escritos os versículos:

No início era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele e, sem ele, nada existiria.
Nele estava a vida, e a vida era a Luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”.

A Bíblia ou outro qualquer livro sagrado (em Maçonaria Regular, são obrigatórios) estão sempre presentes, lembrando aos Maçons que eles devem ser crentes numa entidade/divindade superior a eles (e não ateus estúpidos tal como Anderson os considerava, nas suas Constituições…); sendo este um dos Landmarks da Regularidade Maçónica. Mas também demonstram estes versos em particular, a vitória da luz sobre as trevas, tal como sucedeu ao neófito na sua Iniciação ao grau de Aprendiz Maçom.

João Baptista e João Evangelista também estão representados em Loja, através das duas rectas paralelas que delimitam o círculo com um ponto no seu interior, com a Bíblia aberta sobre elas. Essas rectas para além de significarem os limites de acção do Maçom, persistindo ele em se manter fiel aos seus preceitos, não devendo ter receio em falhar; significam também que a consciência religiosa do Maçom é inviolável, devendo ele glorificar o G.A.D.U.

A invocação a São João Baptista e São João Evangelista em Maçonaria, tem origem na Maçonaria Operativa, uma vez que ambos os santos são patronos das guildas de pedreiros e profissões ligadas directamente à arte da construção (Ars Structoria) que existiam entre os séculos X e século XIV.

Mais tarde, da união de quatro lojas/guildas existentes na cidade de Londres, veio-se a formar a primeira Grande Loja de Inglaterra. Que teve como data de fundação o dia de São João Baptista de 1717, e a Grande Loja Unida de Inglaterra (que já integrava então a fusão da primeira Grande Loja de Maçons e a Grande Loja dos Modernos, sendo o culminar do cisma entre Antigos e Modernos) estabelecendo-se no dia de São João Evangelista em 1813; tendo São João Baptista um papel iniciador simbólico e São João Evangelista um papel finalizador, na fundação da Maçonaria Especulativa Regular no Mundo.

Concluindo, João Baptista e João Evangelista, apesar de diferentes entre si, estão intimamente ligados, tal como o terceiro, João Esmoler, os complementa; formando assim uma trindade joanina que se espelha num único São João global.
E visto que a Maçonaria salienta as qualidades e virtudes de cada um deles, imprimidas na atitude que se espera de um Maçom, o ser hospitaleiro, fraterno e protector de seus irmãos e suas famílias, íntegro nos seus princípios de boa moral, firme na sua luta contra as suas fraquezas, ser bom conselheiro, levando a luz/conhecimento aos outros…
Pode-se fazer a afirmação de que a Maçonaria tem um forte cariz e pendor joanita na conduta que deseja para os seus membros, sendo plenamente justificada a escolha dessa trindade de "São Joãos" para seus patronos.


Bibliografia:
·         Anderson, James, “As Constituições dos Franco Maçons", Ed. Campo da Comunicação.
·         Audoum, Jorge, “El Aprendiz e sus Mistérios”.
·         “Bíblia Católica Online” @ http://www.bibliacatolica.com.br
·         Carneiro, Jeová Neves, Prancha “O Evangelho de São João e o Salmo 133”, Revista “Arte Real Nº41”.
·         Castellani, José, Prancha “Porque São João, nosso padroeiro?”, Revista “Arte Real Nº4”.
·         Costa, Walter Veneziani, Prancha “São João e a Tradição Maçónica”.
·         Dellazzana, Flávio, Prancha “O verdadeiro Patrono da Maçonaria” @ http://www.maconaria.net/portal
·         Freitas, Eduardo, “Manual do Aprendiz Maçom”,
·         Martin-Albo, Miguel, “A Maçonaria Universal”, Bertrand Editora.
·         Meireles, Paulo, Prancha “De uma Loja de São João” @ http://www.rlmad.net
·         Naudon, Paul, “A Franco Maçonaria”, Edições Europa-América.
·         Rehder, Guilherme, Prancha “São João, Padroeiro da Maçonaria”, Revista “Arte Real Nº28”
·         “Ritual do Aprendiz Maçom”, GLLP/GLRP.

·         Sbaragia, Giselda, Prancha “Os Essénios”, Revista “Arte Real Nº28”.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

"Questionamentos"...

Quem somos? Ou o que somos? E porquê!?
De onde vimos?
O que fazemos por lá?
O que vimos então aqui fazer?
O que trazemos nós, então?!

Estas questões para alguém reconhecido como maçom, e que se considere como sendo um Aprendiz para o resto da sua vida, são a chamada "linha de partida" para o Caminho que pretenderá fazer.
São estas dúvidas que servirão de sustentáculo àquilo que procura. Pois serão essas dúvidas que o motivarão a atingir a meta daquilo a que se propõe a cumprir.

Ritualmente ou religiosamente, todas elas terão resposta; respostas essas que qualquer Aprendiz Maçom conhece desde a sua Iniciação. Mas, na realidade, estas questões que cito nada mais são que as premissas para a nossa Caminhada na Vida e no mundo em que vivemos.

Apenas nos questionando e questionando o mundo à nossa volta é que poderemos ir mais longe!

Qual a nossa Identidade?
Qual a nossa Origem?
Quais os nossos Deveres?
O que poderemos fazer para evoluir, melhorar?
O que poderemos fazer para sermos úteis aos outros?

Talvez, as "primeiras" questões que abordei sejam apenas, vistas sob um outro "prisma", as mesmas que agora efectuei.

E mesmo dessas "primeiras" questões e/ou até mesmo das "segundas", poderemos encontrar outras que por sua vez nos permitam fazer as reflexões que importam ser feitas.

A este questionamento que aqui faço, por meio destas, aparentemente, simples perguntas, não me atrevo eu a responder. Pois as suas respostas tal como o meio para as obter são parte integrante do Caminho.

Eu já encontrei as minhas respostas. 
Os outros que tentem obter as deles...

Sei quem sou e porque o sou!
Sei de onde vim e o que por lá faço!
Conheço os meus deveres e obrigações!
E ofereço aquilo que posso oferecer sem nada esperar em troca! 

Para mim, estas, já não são dúvidas... Apenas certezas!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

"Dilemas maçónicos..."

Ao longo da vida de um maçom, ele irá ser confrontado com vários tipos de dilemas e situações em que terá de reflectir sobre as decisões a tomar e a responsabilizar-se pelo que decidir e optar.

Neste texto em concreto, irei abordar apenas alguns dos potenciais "dilemas" que serão possíveis de aparecerem ao longo do percurso de uma "vida maçónica".

Naturalmente que não irei responder a nenhuma das questões ou dilemas que irei apresentar porque a ideia é levar à reflexão sobre as mesmas e as ditas respostas apenas poderão ser dadas e concretizadas por quem por estes dilemas passar. E portanto, tal poderá diferenciar de pessoa para pessoa como de situação para situação.
E como tal acção "reflexão/execução" é do foro privado de cada um, considero apenas que tal deve ser feito da melhor forma que considerem que lhes serve e com a qual se sintam melhor, por forma a não se prejudicarem nem a prejudicar terceiros.

Deste modo passarei a citar potenciais dilemas que existem ou poderão vir a surgir durante a caminhada maçónica a que se proporá um maçom a fazer:

* Encontrando-se um maçom há tempo considerado suficiente para progredir (subir de Grau) e tal ainda não ter sucedido, por questões que lhe sejam alheias...

* Pertencer ao quadro de obreiros de uma Respeitável Loja e já não se identificar com a generalidade dos seus membros...

* Estar numa Obediência, mas sentir que deve prosseguir o seu caminho noutra que não a original...

* Auxiliar na fundação de uma nova Respeitável Loja e consequentemente não ter a certeza em qual ficar a pertencer em "exclusividade"...

* Se sentir desapoiado ou desintegrado da Respeitável Loja que o acolheu, mas pretender continuar a seguir uma vida na Maçonaria...

* Ter atingido o grau de Mestre e não saber decidir se deve optar pela continuação dos seus "estudos maçónicos" nos designados "Altos Graus" ou "Graus Filosóficos"...

* Ter entrado numa Ordem Maçónica e ter afinal chegado à conclusão que não se identifica com a sua substância, mas que se sente integrado e gosta de conviver com os seus "Irmãos"...

Estas questões que acima apresentei são, por certo, dilemas que um maçom poderá vir-se a debater, seja na sua totalidade ou em parte. E saber o que fazer é que será o busílis da questão.

Não será fácil decidir sobre tal, mas também não poderá tal ser feito de uma forma intempestiva dadas as consequências que por norma advêm de tais decisões.
Estas decisões ou escolhas deverão ser feitas após uma reflexão extensiva e ponderada, por forma a que nada nem ninguém saia beliscado com a decisão final a ser tomada.

-Não existe acção sem reacção, já o afirmava Newton...-

 E gerir este tipo de situações, enquadrá-las como deverão ser feitas, sem melindres ou condicionantes, será difícil o fazer, apesar de não ser impossível tal. Respeito e Amor Fraterno serão essenciais para levar a bom porto qualquer decisão que venha a ser tomada e executada!

O melhor conselho que posso dar a quem passa ou puder vir a passar por alguma das situações que abordei é que um processo reflectivo aprofundado e debatido com quem nos tiver mais próximo e também que nos possa elucidar sobre o tema é sempre bem-vindo, pois trará alguma "luz" à situação. 
Mas, importa ter em atenção que a decisão a ser tomada deve impreterivelmente ser confortável para quem a toma. Uma vez que é fundamental  que quem decide deve estar de bem consigo e com o seu "espelho", e não obstante, se sentir integrado e apoiado na decisão que vier a tomar, seja ela qual for. 
Isto é deveras importante, pois é normal sempre surgirem opiniões adversas que colidam com o interesse de quem tem de decidir o que fazer e/ou o caminho a tomar. Pois a vida é feita de acções/atitudes, tanto que as palavras são usualmente levadas pelo vento.

É preciso sentir, reflectir e por fim, decidir. 

Se bem, se mal, apenas o tempo o poderá demonstrar, mas queira o Grande Arquitecto do Universo iluminar com a sua sapiência quem passa por estas situações, pois de facto não são fáceis por quem por elas passa ou tem de passar. O apoio dos seus Irmãos será crucial nesse processo reflectivo e consequente acção.

Mais que tudo, o importante é se estar confortável (como já afirmei) com a decisão e que nos sintamos bem no local onde estivermos ou no sítio onde viermos a estar a pertencer. Nada será mais relevante que isso.

Por isso meus queridos e estimados Irmãos, se passarem por alguma destas situações que abordei, pensem, repensem, clarifiquem e somente depois façam!
O resto virá por si…


PS: Texto escrito por mim e originalmente publicado aqui.