sexta-feira, 20 de outubro de 2017

"Dilemas maçónicos..."

Ao longo da vida de um maçom, ele irá ser confrontado com vários tipos de dilemas e situações em que terá de reflectir sobre as decisões a tomar e a responsabilizar-se pelo que decidir e optar.

Neste texto em concreto, irei abordar apenas alguns dos potenciais "dilemas" que serão possíveis de aparecerem ao longo do percurso de uma "vida maçónica".

Naturalmente que não irei responder a nenhuma das questões ou dilemas que irei apresentar porque a ideia é levar à reflexão sobre as mesmas e as ditas respostas apenas poderão ser dadas e concretizadas por quem por estes dilemas passar. E portanto, tal poderá diferenciar de pessoa para pessoa como de situação para situação.
E como tal acção "reflexão/execução" é do foro privado de cada um, considero apenas que tal deve ser feito da melhor forma que considerem que lhes serve e com a qual se sintam melhor, por forma a não se prejudicarem nem a prejudicar terceiros.

Deste modo passarei a citar potenciais dilemas que existem ou poderão vir a surgir durante a caminhada maçónica a que se proporá um maçom a fazer:

* Encontrando-se um maçom há tempo considerado suficiente para progredir (subir de Grau) e tal ainda não ter sucedido, por questões que lhe sejam alheias...

* Pertencer ao quadro de obreiros de uma Respeitável Loja e já não se identificar com a generalidade dos seus membros...

* Estar numa Obediência, mas sentir que deve prosseguir o seu caminho noutra que não a original...

* Auxiliar na fundação de uma nova Respeitável Loja e consequentemente não ter a certeza em qual ficar a pertencer em "exclusividade"...

* Se sentir desapoiado ou desintegrado da Respeitável Loja que o acolheu, mas pretender continuar a seguir uma vida na Maçonaria...

* Ter atingido o grau de Mestre e não saber decidir se deve optar pela continuação dos seus "estudos maçónicos" nos designados "Altos Graus" ou "Graus Filosóficos"...

* Ter entrado numa Ordem Maçónica e ter afinal chegado à conclusão que não se identifica com a sua substância, mas que se sente integrado e gosta de conviver com os seus "Irmãos"...

Estas questões que acima apresentei são, por certo, dilemas que um maçom poderá vir-se a debater, seja na sua totalidade ou em parte. E saber o que fazer é que será o busílis da questão.

Não será fácil decidir sobre tal, mas também não poderá tal ser feito de uma forma intempestiva dadas as consequências que por norma advêm de tais decisões.
Estas decisões ou escolhas deverão ser feitas após uma reflexão extensiva e ponderada, por forma a que nada nem ninguém saia beliscado com a decisão final a ser tomada.

-Não existe acção sem reacção, já o afirmava Newton...-

 E gerir este tipo de situações, enquadrá-las como deverão ser feitas, sem melindres ou condicionantes, será difícil o fazer, apesar de não ser impossível tal. Respeito e Amor Fraterno serão essenciais para levar a bom porto qualquer decisão que venha a ser tomada e executada!

O melhor conselho que posso dar a quem passa ou puder vir a passar por alguma das situações que abordei é que um processo reflectivo aprofundado e debatido com quem nos tiver mais próximo e também que nos possa elucidar sobre o tema é sempre bem-vindo, pois trará alguma "luz" à situação. 
Mas, importa ter em atenção que a decisão a ser tomada deve impreterivelmente ser confortável para quem a toma. Uma vez que é fundamental  que quem decide deve estar de bem consigo e com o seu "espelho", e não obstante, se sentir integrado e apoiado na decisão que vier a tomar, seja ela qual for. 
Isto é deveras importante, pois é normal sempre surgirem opiniões adversas que colidam com o interesse de quem tem de decidir o que fazer e/ou o caminho a tomar. Pois a vida é feita de acções/atitudes, tanto que as palavras são usualmente levadas pelo vento.

É preciso sentir, reflectir e por fim, decidir. 

Se bem, se mal, apenas o tempo o poderá demonstrar, mas queira o Grande Arquitecto do Universo iluminar com a sua sapiência quem passa por estas situações, pois de facto não são fáceis por quem por elas passa ou tem de passar. O apoio dos seus Irmãos será crucial nesse processo reflectivo e consequente acção.

Mais que tudo, o importante é se estar confortável (como já afirmei) com a decisão e que nos sintamos bem no local onde estivermos ou no sítio onde viermos a estar a pertencer. Nada será mais relevante que isso.

Por isso meus queridos e estimados Irmãos, se passarem por alguma destas situações que abordei, pensem, repensem, clarifiquem e somente depois façam!
O resto virá por si…


PS: Texto escrito por mim e originalmente publicado aqui.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Proporção Divina...

Se for possível juntar uma raiz dos Sentidos que seja quadrada e lhe juntar aquilo que na Vida é uno; 
Dividindo esta soma pelas dualidades que se nos vão apresentando pela frente; 
certamente conseguiríamos obter a proporção divina das coisas...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Política e Maçonaria Regular...

O próprio título desta publicação poderá parecer por si só uma possível contradição.

Uma analogia direta entre política e Maçonaria Regular nunca poderá ser feita em concreto porque em Maçonaria Regular não se discute política. E muito simplesmente porque tal não é permitido pelas suas próprias regras, os seus Landmarks, que no seu sexto artigo impede que este tipo de discussão possa ter lugar numa loja maçónica. 

Mas no que ao tema deste post concerne, a proibição existente em relação à abordagem de temas políticos numa sessão maçónica é apenas em relação à discussão e debate de ideias relativas à política partidária. Porque abordando a política como conceito em si, conceito este como sendo algo que é assumidamente necessário para quem vive na sociedade, a postura da Maçonaria Regular é diferente.

O conceito político, quando abordado no seu sentido lato, é permitido seja em debates meramente filosóficos ou que tratem de temas sociológicos ou antropológicos. Nestes casos,  as ideologias são facilmente postas de parte. Pelo que efetivamente nunca se discute se o pensamento político de “direita” ou de “esquerda”, ou se uma monarquia ou  república serão os melhores sistemas políticos a serem vivenciados pela sociedade.

Salientando também que,  devido ao cumprimento do referido Landmark, não se discute se uma religião é melhor ou pior que outra. Política e Religião em Maçonaria Regular encontram-se no mesmo patamar.

- Alíás atrevo-me a dizer que para a Maçonaria Regular, ambos estes conceitos estão colocados naquelas prateleiras muito altas que é usual se ter em casa, em que sabemos que as coisas lá estão, mas que não as conseguimos alcançar…-

Estas concepções de vida, políticas ou religiosas, a serem discutidas,  apenas o serão em em sentidos latos e meramente filosóficos. Até porque geralmente estes temas, a par da clubite desportiva, são os temas que mais dividem o Homem e fraturam a sociedade, e a Maçonaria quer-se como sendo um centro agregador de pessoas e nunca como sendo o seu foco de divisão.
Assim, relativamente à política partidária, cada maçom seguirá as políticas ou sentir-se-á representado pelo partido político que considerar que será o que melhor o representa ou que aplica e/ou defende as ideias que para si são consideradas como sendo as que maior valência deverão ser seguidas pela sociedade civil. E apenas isso.

Não obstante, é do conhecimento público em geral, que vários maçons são membros ativos de vários partidos políticos, muitos deles mesmo pertencentes a alas muito distantes politicamente e com um ideário político muito diferente e bastante divergente até. 
E isso é lhes possível  porque são livres para o fazer. 

Em nada a Maçonaria os impede de tal. Nem como instituição, nem os próprios maçons entre si, como membros desta Augusta Ordem. Cada um fará o que lhe aprouver quanto ao caminho que preferir percorrer, seja partidário ou não, e respeitará do mesmo modo, o caminho que o seu irmão decidir prosseguir…

Estes últimos parágrafos serão talvez alguns dos quais que mais confusão farão aos profanos e que podem suscitar certas teorias conspiratórias, uma vez que, pode-se sempre supor que, como poderá alguém que não se revê politicamente noutra pessoa, e que por vezes em debates mais acalorados, sejam eles no hemiciclo, sejam eles em qualquer tipo de campanha, em que algumas vezes podem inclusive roçar a falta de respeito, para depois dentro de portas ou na sua intimidade, serem amigos e considerarem-se como Irmãos?!

A própria questão encerra a sua própria resposta.

Não temos nós irmãos, familiares e amigos que têm opiniões contrárias às nossas?

Não levam eles, em alguns casos, vidas muito diferentes da que levamos?

Não têm eles concepções de vida muito distantes daquelas que consideramos como sendo as mais válidas?

Quantas vezes em debates de ideias mais acesos, não nos chateámos e depois tudo ficou resolvido como nada se passasse?

Sim, todos nós na nossa vida, passamos ou alguma vez passámos por esta situação. 

E fraternidade é isso mesmo, é ter bastante respeito pelo próximo, consagrar o direito à diferença de opinião, ser tolerante em relação a diferentes pontos de vista, e ter uma postura coerente no âmbito do debate.

Por isso é que a Maçonaria sobreviverá per si, independentemente do posicionamento político dos seus membros. 
Tudo devido ao sentimento fraternal que estes têm entre si e que os fará colocar de parte qualquer antagonismo que possa ser  motivado, neste caso,  por questões político-partidárias.

E depois no que toca à questão partidária, esta não se coloca à Maçonaria mas sim ao Povo, que como integrante fundamental da sociedade tem o dever de participar nela e contribuir para o seu progresso.

 Assim, cabe ao maçom, sendo ele mais um elemento que faz parte do povo, participar como cidadão e como parte interessada nesta questão.

O compromisso que o maçom assume com a Ordem é um compromisso de ordem moral e ética, e que não envolve sequer, qualquer forma de política neste comprometimento.
Pelo que nada melhor que o seu exemplo e conduta para servir de paradigma aos outros. 

Logo, pelos seus valores, o maçom nunca poderá agir impulsivamente nem de forma irrefletida, porque para além de não ser a forma de correta para alguém agir, e depois porque está em permanência debaixo do jugo da sociedade; assim o maçom que seja ativo politicamente na sociedade em que está inserido, deve observar sempre o cumprimento dos valores maçónicos. 
Porque estes valores em nada colidem com a liberdade de ninguém e muito menos com os direitos de todos.


 E se hoje em dia vivemos como vivemos, uma boa parte resultou de um trabalho imenso e intenso por vezes, que alguns  maçons de outrora tiveram e que propiciaram para que hoje em dia possamos usufruir  das condições que temos e que nos permitem ambicionar por mais e melhor...

Post Scriptum: Texto da minha autoria, editado e previamente publicado  aqui.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Maçonaria, uma Instituição universal e cosmopolita...

Nos séculos XV e XVI devido à necessidade de se construírem várias construções de cariz  religioso ao longo de toda a Europa, e para mais facilmente circular entre reinos e poderem trabalhar, os operários da construção civil da época filiavam-se em agremiações de tipo sindical para que desse modo lhes fosse possível arranjar trabalho e exigirem alguns direitos e melhores salários. O que deu origem aos termos “pedreiros-livres” e “franco-maçons”, uma vez que eles estavam livres dos pagamentos de certos tributos e de portagens nos reinos onde trabalhavam.

E como o trabalho que os construtores tinham de executar era normalmente demorado, apesar de ser um trabalho nómada, (porque quando finalizavam uma obra seguiam para outras terras, para outros trabalhos), reuniam-se no seio dessas associações ou grémios que eram denominadas por  “guildas de construtores” para poderem conseguir manter a sua coesão e união enquanto grupo de operários especializados e também para que lhes fosse possível transmitir e ensinar os segredos da sua arte a coberto dos olhares indiscretos de quem não pertencia a este ofício. Criando desse modo um tipo de fraternidade entre eles.

Mais tarde, nos finais do século XVI, quando as grandes construções religiosas (catedrais e abadias) se encontravam finalizadas e como não existiam nenhumas grandes obras a serem iniciadas a longo prazo,  e como o número de membros destas guildas começavam a decair, estes grémios de construtores começaram a aceitar como seus membros, elementos de outras profissões dos locais onde se estabeleciam dada a curiosidade que estes tinham em relação ao que se passava e discutia no interior destas associações.

O que consequentemente em virtude dos temas que nessas lojas agora se debatiam, que já não eram somente dedicados à construção de edifícios e porventura também da entrada destes novos membros, designados por “maçons aceites”, veio este movimento a dar origem a uma transformação deste tipo de maçonaria, assumidamente operativa, numa maçonaria de cariz especulativo. Um género de maçonaria que já não trataria das construções físicas, mas que em seu lugar, tratariam de um tipo de construção espiritual. Aproveitando os maçons especulativos, o vasto simbolismo que os construtores detinham e que passaram a tomar como seus. Assumindo que em vez de construírem espaços para glorificar o divino, seriam eles o seu próprio templo a cultuar.

E já no decorrer do século XVII, quando os partidários dos Stuart (casa real) vindos de Inglaterra e fugindo ao seu regime vigente, trouxeram consigo para o continente os seus ideais maçónicos, aproveitaram a liberdade que lhes era concedida  na França e abriram lojas (especulativas) onde se pudessem reunir e onde pudessem discutir as formas de resistência necessárias para os levar de novo ao poder em Inglaterra.
Sendo que no interior dessas lojas para além de conseguirem manter a sua união enquanto grupo de resistentes e debater que posições deveriam ser tomadas  neste tipo de luta, também conseguiam assim manter aceso o espírito fraternal que tinham entre eles.

Mais tarde, pela entrada nestas lojas de outras personalidades que nada tinham a haver com o espírito de resistência para o qual este tipo de lojas tinha sido criado bem como da criação de outras novas lojas maçónicas em terras francesas formadas por franceses e/ou estrangeiros, a expansão em França estava lançada.

Na restante Europa, a expansão maçónica estava também em marcha, fosse pela transformação das lojas operativas (guildas de construtores) em lojas especulativas, bem como da criação de lojas militares itinerantes ou lojas locais onde a burguesia da época se reuniria para debater as novas ideias que viam a luz do dia  nesses tempos.

- O que se pode constatar é que independentemente da sua denominação (operativos/especulativos), os maçons sempre se reuniram em alguma espécie de agremiação para debater as suas ideias, deixando de fora gente que não considerassem como “bem-vindos” ou que não lhes trouxessem qualquer mais valia para o debate de ideias. -

E já no século XVIII, os maçons impulsionados pelo ideário maçónico e pelo idealismo das Luzes e com o auxílio indireto da expansão colonialista europeia para as “novas terras das Américas”, contribuiram relevantemente para o estabelecimento da Maçonaria nesses locais.

Fosse  nas ilhas caribenhas ou no próprio continente americano, em qualquer porto em que os barcos vindos da “velha Europa” aportassem, traziam consigo maçons que para além das relações comerciais que teriam com os povos nativos, se  viriam a estabelecer de forma permanente nestas terras. E estes maçons apoiados pelo facto de nestes lugares existirem também lojas maçónicas formadas por militares – uma das maiores fontes do expansionismo maçónico no mundo deve-se a este tipo de Lojas que costumam estar associadas a um determinado batalhão ou companhia militares – conseguiram em alguns casos, montar uma estrutura local e que não fosse nómada como é o caso da generalidade das lojas militares maçónicas. Desta forma ficaram estabelecidas as raízes para o crescimento e consolidação da Ordem nas colónias americanas. E não obstante o aumento da imigração europeia para as Américas e com a transformação destas povoações em grandes metrópoles posteriormente, também a Maçonaria teve um crescimento proporcionalmente direto e hoje em dia estimam-se que na totalidade do continente americano existam mais de 5 milhões de maçons.
Para além do colonialismo americano, também o colonialismo africano e asiático pelos povos europeus possibilitou a chegada da Maçonaria a estas partes do mundo e se estabelecer de uma forma mais ou menos gradual face à cultura e sistemas políticos vigentes nesses países.

Atualmente, do norte ao sul do globo terrestre, a Maçonaria encontra-se implantada em quase toda a parte. Sobressaindo assim o carácter universal desta Augusta Ordem. E, independentemente do regime político, desde que seja considerado como democrático, a Maçonaria convive de forma natural com as leis do local onde se encontra estabelecida. Seja em países monárquicos (um bom exemplo que temos é o continente europeu, onde a Monarquia, nos países nórdicos, se encontra consolidada) ou países republicanos (exemplificados pelo continente americano, que na sua totalidade é formado por repúblicas democraticamente eleitas), com governos eleitos designados de direita ou de esquerda, a Maçonaria existe.
Porque apesar da alternância dos poderes políticos, a Maçonaria sempre persistirá. E o fará, porque ela própria não tem doutrina política, a Maçonaria está num patamar acima das discussões partidárias ou de qualquer questão que possa dividir os Homens.

A Ordem Maçónica é uma instituição agregadora de pessoas por isso nunca poderia fomentar a divisão entre elas..

Todavia, a Ordem não impede que os seus membros exerçam no mundo profano os seus deveres e direitos cívicos conforme os princípios que escolham praticar na suas vidas profanas, sejam eles políticos (ou outros) que considerarem que lhes sejam mais favoráveis ou com os quais melhor se identifiquem. E isso pode ser verificado pela prática política de alguns maçons que participam efetivamente no mundo político sem que tenham qualquer diligência maçónica nesse sentido 
- Agindo somente com a sua convição e o seu pensamento.-

 Nomeadamente se pode dizer o mesmo  no que respeita às suas filiações associativas, tenham elas o cariz que tiverem ou à religião que os maçons decidam (ou não, no caso de Maçonarias Liberais) observar. E isto pode acontecer porque o compromisso que se toma com a Maçonaria é um compromisso de ética e de respeito na observância dos valores morais existentes; logo este compromisso estará acima de qualquer tipo de política ou agremiação. Sendo por isso que me é possível afirmar neste contexto que : “O maçom faz, a Ordem apenas observa…”.

O próprio cosmopolitismo que é inerente à Maçonaria permite tais factos.

A Maçonaria ao deter um carácter universalista e progressista que ultrapassa qualquer fronteira e por se reger por valores de igualdade, fraternidade e de solidariedade entre os seus membros, propiciou que a ação dos seus afiliados no mundo profano seja um reflexo dos seus próprios valores. E como os valores maçónicos são valores que são transversais à sociedade e ao mundo em si, não existe um lugar onde um maçom não possa se encontrar  ou que esteja impossibilitado de  agir…

Logo, ao ter a Maçonaria criado as bases para o diálogo e para o debate de ideias nas suas lojas e tendo posteriormente transferido estas competências também para o espaço público, sendo as lojas maçónicas consideradas como centros formadores de opinião e o espaço público como sendo o local de aplicação das vontades profanas, fomentou na sociedade a ideia que a tolerância aplicada de forma salutar na discussão de ideias, contribuiria para a obtenção de consensos sem que se tivesse de passar por um qualquer conflito para chegar a tal.

Apenas discutindo e debatendo com respeito e elevação é que é possível se criarem as condições válidas para se poder chegar a um determinado consenso que possa ser valorizado como sendo o melhor para ser aplicado ou cumprido pelos intervenientes na discussão. Nem sempre a posição dominante prevalece, mas sim a opinião que fará mais sentido para a generalidade. E isso somente é possível se existir algum sentido de tolerância e respeito pelo próximo e de se ter a capacidade de nos sentirmos como integrantes de algo superior a nós próprios. Copiando a sociedade desta forma, uma praxis maçónica há muito existente.

No entanto quando se fala em Sociedade, Civismo ou inclusive em Política, abordamos conceitos que estão para além de nós, e a melhor forma de se conseguir ou atingir o bem comum, para além de um diálogo franco e tolerante, é reconhecer no outro a sua diferença de opinião como algo que pode fazer evoluir e enaltecer o debate público. Por isso no seio da Maçonaria Regular não se aborda política partidária mas poder-se-á em determinado contexto, abordar a Política como sendo mais um conceito necessário a quem vive em sociedade. Sociedade esta, que já não será apenas o local onde nos encontramos ou em que vivemos, mas o mundo na sua plenitude.

Mas apesar de toda esta evolução civilizacional que nos foi permitido alcançar, a própria Instituição Maçónica dada a sua linguagem simbólica e do seu carácter quase indecifrável aos profanos, conseguiu permanecer quase inalterada desde a sua origem até à atualidade. O que facilita e permite que em qualquer parte do mundo  (mediante a respetiva tradução linguística, se necessária) a qualquer iniciado nos mistérios da Maçonaria poder reconhecer facilmente aquilo que observa ou escuta. Tanto que ao nível da ritualística maçónica, para os maçons que visitem outros países e tenham a honra de serem acolhidos nas lojas maçónicas locais, mesmo que não compreendam a língua nativa, conseguem estar sempre integrados no ritual que se pratique nas lojas maçónicas - pois o conhecem -, e mesmo as mais ligeiras adaptações que possam ter ocorrido fruto do tempo ou de traduções feitas aos rituais originais, esse cumprimento do ritual será sempre perceptível para quem o assiste.

E dado que a forma como hoje em dia o Homem se desloca pelo mundo também evoluiu, e que esta “viagem pelo mundo”, seja em trabalho ou em turismo, pode ser feita de uma forma bastante mais lesta que antigamente, também a nossa visão do mundo foi evoluindo. Já não olhamos para nós como pertencentes a um lugar somente  mas como pertencentes ao mundo na sua globalidade. Apesar das diferentes identidades nacionais se manterem - e ainda bem!- o resto se vai esbatendo. As relações económicas, judiciárias e culturais entre países atualmente  são de tal forma evoluídas na sua interação, que em determinado país poderemos conhecer ou saber o que se passará noutro qualquer, bem como nos é permitido deslocar sem qualquer entrave à circulação. O que é sempre determinante para o modo de vida que atualmente levamos.
E devido ao facto de o maçom ser alguém que se considera livre e que vive e exerce a sua liberdade em qualquer parte, o maçom é um “cidadão do mundo”, isso permitiu-lhe que lutasse também pelos valores em que acredita e que acima de tudo são os valores da Maçonaria. Assim, foi através da sua ação por este mundo fora, que foi possível criar as bases para a implantação e reconhecimento de garantias ao nível dos Direitos Humanos, o direito à escola pública, o direito à saúde pública, a laicização dos estados (no sentido de que nenhuma religião se sobreponha ou seja enaltecida em detrimento das restantes), o ataque ao trabalho infantil e a emancipação da Mulher, entre outras lutas das quais os maçons fizeram e  ainda fazem parte pelo mundo fora.

Assim, em jeito de conclusão, combater as trevas, a tirania e a ignorância, propiciando o progressivo bem-estar da humanidade, são os labores que os maçons assumem para com a sociedade e apenas tal é exequível globalmente porque a Maçonaria é universal e cosmopolita.

Post-Scriptum: Texto escrito por mim e originalmente publicado aqui.

Bibliografia:
·  “ O Cosmopolitismo estóico” de Diego Carlos Zanella.
·  “A Franco-Maçonaria”, Paul Naudon, Publicações Europa-América, 2000, ISBN 972-1-00925-3
·  “ da rosa, da fénix e do pelicano compreender o ritual do 1º ao 18º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito”, António Lopes, Campo da Comunicação, 2013, ISBN 978-989-8465-14-6
· “A verdadeira história da Maçonaria”, Jorge Blaschke-Santiago Río,Editorial Planeta, 2006, ISBN 978-972-8998-34-9
·  “Maçonaria Universal uma irmandade de carácter secreto”, Míguel Martin-Albo, Bertrand Editores, 2012, ISBN 978-972-2525-15-2.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Perseverar...

Quando em Maçonaria se afirma que esta é uma instituição iniciática, que promove o progresso e evolução da humanidade, através do auto-aperfeiçoamento dos seus membros, só se pode dizer que tal só é possível, se existir uma enorme “dose” de perseverança na atitude dos seus membros.

Tanto que esta qualidade a par de outras também importantes, é das que talvez, no meu entender, seja de maior relevância para os maçons.

É somente tendo uma atitude perseverante que o maçom poderá almejar atingir os objetivos a que se proporá, nomeadamente no que toca ao seu aperfeiçoamento pessoal.

Tal como na vida profana, apenas agindo de forma perseverante e laboriosa, é que alguém consegue obter alguma coisa a que se proponha a ter ou alcançar. Nada cai nas nossas mãos de “mão beijada” e até é habitual se afirmar que “não há almoços grátis”; logo apenas trabalhando em prol de algo, se consegue alcançar ou aceder a tal.

E ser perseverante não é nada mais que ter uma atitude positiva face às contrariedades  da vida, ter a coragem necessária para ultrapassar essas adversidades que se vão atravessando no nosso caminho, apreendendo algo com essas situações menos positivas, transformando-as numa motivação suplementar que potenciará a nossa vontade de atingir as metas a que inicialmente nos propusemos a atingir e fundamentalmente ter a noção de que apenas com o nosso empenho e com o nosso trabalho é que tal poderá ser possível. Nada mais simples que isto.

Mas apesar de toda esta aparente simplicidade, alguns problemas se poderão colocar; uma vez que não é na teoria em si, que acima explicitei e que se suporá de fácil concretização, mas será na parte prática que vamos encontrar as maiores dificuldades a ultrapassar.

É verdade que custa agir de uma forma plenamente perseverante a todo o momento, pois nem sempre temos a motivação necessária e nem sempre conseguimos encarar a vida com o respeito e com a nobreza que ela merece ser vivida.

Quantas vezes não acordámos nós sem ter vontade de nada fazer, estando deprimidos e de “mal com a vida”?!
E com a trágica ideia de que tudo o que possamos fazer não correrá como o esperado?
Ou que tudo o que façamos (nesses dias) será visto como algo negativo ou ineficaz?

Tal acontece e sempre acontecerá… Somos humanos e nem sempre temos as “defesas” que queremos ter e nem sempre tudo pode decorrer como desejaríamos como sucedesse. Essa variável é que torna a vida ser interessante em ser vivida.

Parece antitética a afirmação que fiz, mas é a verdade.

 Se fosse tudo sempre igual, teríamos tanto prazer em viver?

Talvez, por uns tempos, porque depois da rotina instalada tudo seria igual, tanto o “dia como a noite” não teriam diferença sequer…

Por isso é que também é necessário ao ser humano que por vezes algo considerado como negativo ou menos positivo, possa acontecer. Essas más experiências serão novas lições a serem adquiridas e as consequências dessas situações permitem sempre novas aprendizagens que a longo prazo serão assumidas (em alguns casos) como uma mais valia na vida de cada um. Mas com paciência e com um espírito resiliente até, tal será ultrapassável.

- Naturalmente que estou a falar num sentido muito amplo. Ninguém deseja passar por situações traumáticas ou que lhes seja prejudicial e/ou que prejudique outros por isso, apenas para “aprender a viver”... -

E “baixar os braços” e ter uma atitude de resignação e derrotista face a esses momentos negativos que por vezes sucedem na nossa vida, não nos trará nada de benéfico, apenas infelicidade e tristeza. Por isso somente uma atitude pode prevalecer. Ser perseverante!

E se com o nosso sentimento de perseverança conseguirmos cativar outros, através da prossecução do nosso exemplo, na nossa forma de estar e de agir no meio que nos rodeia, para que também eles possam atuar da mesma forma nas suas vidas ou pelo menos sentirem-se inspirados para tal, tanto melhor.

- Não temos de ser líderes nem guias espirituais, mas como maçons, temos a obrigação de fomentar e de exercer na sociedade os valores que assumimos como nossos e como tal, devemos ambicionar e propormo-nos a agir de forma a que o progresso e a evolução dos povos possa suceder sem altercações de maior. -

E se com a nossa atitude conseguirmos mudar a forma de vida dos outros e torná-la em algo melhor ou em algo que lhes proporcione alcançar as “ferramentas” para que isso possa ser ambicionável, tal é do mais gratificante que se possa sentir. Seja porque através da nossa própria atitude, conseguimos transformar a vida dos outros para melhor, bem como em relação à nossa vida pessoal, esta poderá ter uma perspectiva em que pelo menos a maioria das coisas a que nos proponhamos a cumprir, poderão de facto ser exequíveis. Apenas ficando por cumprir aquilo que não dependerá somente de nós próprios ou da nossa boa vontade.  Mas essa variável sempre existirá…

Por isso, não podemos tudo, mas podemos fazer algo para que tal possa acontecer…

Post Scriptum: Artigo originalmente publicado por mim na edição online da revista “Cerberus Magazine”  e que pode ser consultado aqui.


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O contributo da RL “Goose and Gridiron” para a Maçonaria Especulativa...

A Respeitável Loja que inspirou os mestres fundadores da “RL Ganso e Grelha - Goose and Gridiron nº129” a constituírem esta Respeitável Loja foi a RL “Lodge of Antiquity” mais conhecida por “Goose and Gridiron” pelo símbolo que ostentava a porta do local onde esta se localizava e que se situava junto ao Adro adjunto à Igreja de São Paulo, na London House Yard número 8, na cidade de Londres, Inglaterra.

À época, 1716, nesta Loja que foi fundada em 1691, reuniam maçons que decidiram em conjunto com os obreiros de outras duas Lojas que também reuniam na cidade londrina e uma outra Loja de Westminster, que dado o ambiente em que viviam nesse tempo, principalmente ao que à construção civil era premente, em se agruparem e reunirem debaixo de uma hierarquia (o Grão-Mestre), formando uma federação de Lojas, apesar de que cada Loja continuaria a ter o seu presidente próprio, o Mestre da Loja (actual Venerável Mestre), a que se veio designar como Grande Loja de Londres e Westminster.

A data para a celebração desse convénio foi combinada para ser realizada durante a celebração anual do Solstício de Verão, onde também iria decorrer a Assembleia Anual de Verão dos maçons ingleses em Junho de 1717.

Assim, na noite de 24 de Junho de 1717, durante a realização desta Assembleia Magna, foi eleito Anthony Sayer como Grão-Mestre e como Vigilantes John Elliot e Jacobus Lamball .

A esta união de Lojas podemo-la considerar como  sendo a consolidação de um tipo de Maçonaria que é a que actualmente prevalece no mundo inteiro e que designamos por “Maçonaria Especulativa” e que fora iniciada aquando da Iniciação do primeiro maçom não-operativo, de nome John Boswell, na St. Mary Chapel Lodge nº1 localizada em Edimburgo, Escócia, ao ano de 1600, e posteriormente vários anos mais tarde, do conhecido membro da Royal Society de Londres, Elias Ashmole, numa Loja situada em Warrington,Inglaterra, em Outubro de 1646.

Este passo dado pelas Lojas londrinas em se organizarem debaixo de uma federação única e tuteladas por um único Grão-Mestre, sendo este a autoridade maior dessa federação de Lojas, preconizou o futuro da Maçonaria, em que ainda nos dias de hoje as Lojas se reúnem em federações designadas por “Grandes Lojas” ou “Grandes Orientes” (dependendo esta designação da quantidade de Ritos utilizados para o “trabalho” das Lojas filiadas nestas Obediências).

Existem várias teorias que abordam a realização, ou não, deste encontro nesta mesma data ou local e mesmo alguns autores chegam inclusive a afirmar que tal teria ocorrido mesmo noutro ano e não no ano de 1717. Mas o que é comummente aceite pela generalidade dos Maçons é que tal ocorrência foi na data e local que menciono, dia 24 de Junho de 1717 e na taberna “Goose and Gridiron” durante a Assembleia de Solstício de Verão.

Todavia, anteriormente a este acontecimento, já a RL “Goose and Gridiron” (a original) reunia e realizava os seus trabalhos maçónicos.

Hoje em dia pouca documentação sobre esta Loja subsistiu e pouco do que se pode encontrar de informação relativa a ela encontra-se na biblioteca e livraria da Grande Loja Unida de Inglaterra e também dispersa em livros e sites de autores diversos, para além do facto de que esta Loja também já não se reunir no seu local original, pois este foi demolido e onde no edifício que hoje se encontra nesse sítio ser possível se observar uma lápide com a informação de que era esse o seu local de estabelecimento original; lápide esta, a qual foi desvelada a 24 de Junho de 1997, durante a celebração do Solstício de Verão pela Grande Loja Unida de Inglaterra.

Esta Loja, tal como outras do seu tempo, funcionava no local ou na proximidade do sítio onde habitualmente os maçons/pedreiros se encontravam e reuniam no fim da sua jornada laboral; dessa forma, esse espaço não poderia ser longe do local onde trabalhavam e/ou onde residiam. Os maçons/pedreiros que eram membros desta Loja trabalhavam na sua maioria na construção da Igreja de São Paulo.

E naturalmente como “corpo que trabalha pede sustento/alimento”, também os pedreiros tinham de se alimentar e o espaço gastronómico onde se dirigiam para tomar as suas refeições e também aproveitarem para socializar, seriam as “tascas” de então. Aproveitando o facto de estes construtores se encontrarem juntos nesses sítios, nos levar a afirmar que esta conjectura propiciou à realização das reuniões das agremiações a que cada um pertencesse efetivamente nesses mesmos locais.

A RL “Goose and Gridiron” original reunia no primeiro piso da taberna cervejeira que a albergava e de onde tomou o seu nome e símbolo, sendo esta uma maneira que tornava mais fácil a identificação da sua localização espacial, do que ser “apenas” conhecida pela sua real denominação (Lodge of Antiquity), o que dificultaria imenso o seu reconhecimento pela massa iletrada e analfabeta que constituiria a maioria dos “profissionais da construção” desses tempos.

No entanto, a adopção desta designação não foi meramente exclusiva do facto de se reunir nesse local, mas também uma espécie de sátira a uma transliteração do nome de uma sociedade musical que reunira no mesmo espaço em tempo anterior, e cujo nome pela qual era conhecida seria de “O Cisne e a Harpa de Apolo”, advindo de aí a designação de “O Ganso e a Grelha”.

Tal como afirmei anteriormente, não é possível efectuar-se uma visita hoje em dia a este local, dado o mesmo ter sido reconstruído em 1786 e posteriormente demolido em 1895, mas podemos encontrar as plantas do edifício e o seu célebre símbolo (um ganso sobre uma grelha) na Livraria e Museu da Maçonaria em Londres.

No entanto e apenas por curiosidade, apraz dizer que esta Loja mudou de nome em 1729 para“Lodge of Antiquity 1” e sendo conhecida como “Lodge of Antiquity 2” apartir de 1814, tendo reunido e efetuado as suas sessões maçónicas em várias tabernas durante a sua existência, sendo que apartir de 1865 estabeleceu a sua residência no número 60 da Great Queen Street, onde atualmente é a Freemason’s Hall de Londres.

E porque decidiram os obreiros da RL “Ganso e Grelha – Goose and Gridiron nº129” escolher esta Loja ou o nome desta taberna para ser ela o nome pela qual seria conhecida e matriculada a sua Loja?

Primeiro, porque decidiram prestar tributo a uma Loja que estava no cerne da criação daquilo a que hoje vivenciamos como sendo uma Grande Loja. Aliás estes obreiros e a “RL Ganso e Grelha – Goose and Gridiron nº129” estão filiados numa Grande Loja, a Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal, de matriz Regular, Tradicional e anglo-saxónico, tal como a Grande Loja de Londres e Westminster, Grande Loja Unida de Inglaterra na atualidade, o são na contemporaneidade.

Segundo, também por tudo aquilo que a original RL “Goose and Gridiron” representa também ela para o mundo inteiro, pois se não tivesse acolhido gente que demonstrou uma enorme vontade em trabalhar e ter juntado membros de outras Lojas para trabalharem em uníssono num projecto  - Maçonaria Especulativa - que actualmente se encontra disperso pelo globo e que já leva trezentos anos de estabelecimento, e em clima de franca e sã fraternidade, nada daquilo do que pretendemos fazer pela nossa Augusta Ordem e pela Maçonaria na sua generalidade, o poderíamos realmente ambicionar e realizar…

Depois, dado os membros da “RL Ganso e Grelha – Goose and Gridiron nº129” serem assumidamente gente de trabalho, com um perfil operativo e também claramente especulativo, e ao terem tomado como base local para as suas reuniões primordiais  um estabelecimento gastronómico, tal como as antigas tabernas que acolhiam os maçons nas suas refeições e sessões maçónicas, também estes obreiros decidiram prestar, à sua maneira, uma homenagem a essas tabernas e cervejarias de então.

E tendo estes actuais obreiros a noção clara que de somente trabalhando e vivendo em fraternidade, propiciando a inclusão entre todos, podem eles aspirar, assim queira o Grande Arquitecto do Universo, que a RL “Ganso e Grelha – Goose and Gridiron nº129” siga os propostos fins a que a original “Goose and Gridiron”se propôs e a si consignou…


Bibliografia:
Revista “Franc Maçonnerie nº57”, Ed.Julho/Agosto 2017;

 Revista “Ars Quator Coronatum” Volume XXXVII, 1924;

 Revista “Degree South”, Volume 7, Issue 3, May 2017;

“List of Lodges, with their numbers, as altered by order of the Grand Lodge, April 18, 1792”  Free-Mason’s Calendar, 1800;

 The Builder Magazine, March 1924 – Volume X – Number 3 – H.L.Haywood;

  The Four Old Lodges, Robert Freke Gould, 1879;

 “Teorías acerca del origen de la Francmasonería”, John Hamill, tradução por Oscar Illanes, 2001;

  “Origen de la Masoneria”, Herbert Ore Belsuzarri, 2012;

 “History of freemasonry from its rise down to the present day”, Gabriel Joseph Findel, 1866;

“Primórdios da Grande Loja de Londres”, João Nery Guimarães;

“Genesis of Freemasonry, An Account of the Rise and Development of Freemasonry In Its Operative, Accepted, and Early Speculative Phases”, Douglas Knoop e G.P. Jones, 1947;

“Maçonaria Contemporânea, Abordagem Histórica”, Hercule Spoladore;

“As origens da Maçonaria”, Adalberto Gonçalves Correia, 2009;

Illustrations of Masonry”, William Preston, 1772;

 Rudyard Kipling Lodge: “Que s’est-il donc vraiment passé le 24 Juin de 1717 à la brasserie L’Oie et le Gril”
http://www.rudyard-kipling.fr/Travaux-1717-oie-et-le-gril.html

  O Prumo de Hiram: “O Ganso e a Grelha, 24 de Junho de 1717, o que realmente aconteceu ali”
http://www.thefleece.org/goose.html

Phoenixmasonry.org: “Goose and Gridiron Ale-House and the Original Four Lodges, Ralph Omholt”