sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sugestão Literária (19)...


Há já algum tempo que por este espaço não fazia qualquer sugestão literária, deste modo hoje aproveito para sugerir a aquisição e a óbvia leitura do livro “À Mesa na Trindade, Diálogos sobre a Maçonaria” do meu estimado “hermano” Nuno Cruz e cuja edição é da "Tecto das Nuvens";  para mais facilmente ser identificado digo-Vos que tem o ISBN: 9789895412815.

Tive a grata oportunidade de estar na sessão de lançamento deste livro no Palácio Maçónico; sendo o Nuno obreiro no Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, fez todo o sentido ter apresentado a sua Obra no Grémio Lusitano, tendo também tido a felicidade do prefácio deste livro ter saído da  mão do seu Sereníssimo Grão-Mestre, Fernando Lima, e co-apresentado pelo director do Museu Maçónico, Fernando Sacramento, e por um dos maiores e mais eloquentes historiadores da História da Maçonaria em Portugal, o Professor António Ventura.

Foi uma sessão agradável, no final da tarde do dia 11 do corrente mês, e onde compareceram Irmãos e Irmãs representando as várias Obediências existentes em Portugal, demonstrando o elevado sentido fraternal existente bem como tal me leva a reflectir que a Maçonaria em Portugal tem “pernas para andar” se houver "caminho" para percorrer…

Das palavras proferidas pelos palestrantes, apenas posso afirmar que: “Fazem falta mais eventos como este!!! “.

Quanto ao livro, deixo-Vos a imagem da sua Capa e atiço a Vossa curiosidade em relação a ele. E num registo mais ligeiro posso-Vos dizer que é um livro bastante interessante, escrito de uma forma simples e de fácil interpretação mesmo para quem não tenha sido iniciado nos mistérios da Arte Real e com reflexões, quiçá (!), relevantes para os dias que correm, tudo com base num diálogo elaborado entre um Mestre mais batido nestas andanças com um recém Aprendiz na Ordem e que resultou de alguns encontros entre ambos e onde, em jeito de conversa, foram desconstruindo este tema tão caro a todos nós, a Maçonaria.

De facto, a não perder!


E Nuno, Muito Obrigado por este livro com que nos brindaste a todos! Aguardo pelo próximo!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

"Geometrias..."


Serão os dias do fim?
ou o início de algo melhor?!
Foi dito "Fiat Lux", e ela se fez...

Sub-rosa de uma acácia,
eles foram lançados...
Para onde, poucos o sabem...

Pois só aquele que tudo geometriza, em bom rigor, o decidirá...

Será sempre preferível ter um pássaro na grelha
que três a voar...
Porque sete se sentarão à mesa,
e destes, cinco o irão esquadrinhar,
para que no fim, um os possa representar...

Na bahutte ou fora dela,
estreita é a via em que seguimos;
Com a régua, o compasso e o esquadro como utensílios,
a prancha será traçada!

Dentre muitos que a poderão ver,
somente os eleitos irão a entender...

sexta-feira, 18 de maio de 2018

"Maçons, Livres-pensadores..."

Aqui há uns tempos em conversa com um amigo sobre determinado tema, disse-lhe eu isto: “eu apenas te mostro o mapa, caberá a ti escolheres o caminho”. E de facto esta é a realidade em que temos de viver. Ou seja, nós somos as nossas “escolhas”, nós somos as “decisões” que tomamos e as ações que decidimos praticar.

Por mais que uns nos digam para irmos para a “esquerda” , outros para a “direita” e alguns inclusive nos digam para seguir pelo “meio”, a decisão final sairá de nós próprios, da nossa vontade, independentemente das indicações e dos conselhos que recebamos e que possam nos auxiliar na decisão a tomar.

Se decidirmos agir de certa maneira, coincidindo ou não com o que a generalidade ou somente com o que alguns considerem sobre tal , foi a nossa mente que o decidiu.
Assim, todos nós na nossa Vida somos  - e seremos sempre - responsáveis por aquilo que decidirmos, sejam acções ou palavras e até mesmo pelos mais simples pensamentos.
- Fomos nós que os criamos/produzimos, logo somos nós responsáveis por eles, por inerência-.
Por mais influências que recebamos externamente, é o nosso íntimo, o nosso “Soi”, que irá efectuar a escolha do que concretamente iremos fazer.

Será a mais correta?!
Será a mais eficaz?!
Será a mais proveitosa?!

O que sabemos é que é a nossa decisão e apenas isso. Foi o que optámos por decidir. E que tal decisão seja sempre tomada em consciência com os princípios que advoguemos e com os quais nos sintamos devidamente identificados.
-Sejamos honestos, íntegros e coerentes nas nossas decisões!-

Os maçons, “livres-pensadores” como orgulhosamente se assumem, devem ter bem a noção de tal. Não bastará assumir algo ou determinada coisa para depois não se praticar isso na realidade.
É sempre esperado que um maçom use o seu bom senso e os seus bons costumes para decidir, se possível sempre, da melhor forma possível face às situações que a vida lhe apresenta.
-Tem o dever de agir dessa forma!-

O que poderá acontecer, e muitas vezes é inevitável tal, é que nem sempre as decisões tomadas possam ser as melhores ou mais corretas, uma vez que o maçom, tal como outro ser humano qualquer, também erra, mas como maçom tem a obrigação de aprender com esse erro e evitá-lo no seu futuro.
E aqui assumo que os maçons também erram, infelizmente algumas vezes e talvez, digo eu, vezes demais. Mas como o maçom é alguém que busca evoluir espiritualmente, ele também estará susceptível de efectuar mudanças no seu comportamento; logo também as suas decisões serão influenciadas pelas mudanças/”transformações” que sofrer e as suas atitudes se revelarão melhor no seu comportamento e carácter. Tudo isto em prol do seu auto-aperfeiçoamento enquanto ser humano.
Isso será o tal “polimento”, o tal “burilamento da pedra bruta” que na Maçonaria tanto se fala.

Os vícios ou erros comportamentais que possam ter existido na sua conduta no passado, deverão ficar aí mesmo, no passado. E “como de passado apenas vivem os museus” (como é usual se afirmar), no momento da Iniciação, no momento em que o recém neófito encontra a sua primeira centelha da Luz, nasce como uma nova pessoa, um “novo Homem”, e como tal terá acesso a “ferramentas sociais e espirituais” que poderá utilizar para melhor atingir o seu “nirvana”, por assim dizer.

O que interessa por vezes não é o mapa mas o caminho que se seguiu, mesmo para o nosso auto-aperfeiçoamento, o que importa é que decidimos livremente as decisões que tomámos e que escolhemos sempre, mediante o que a vida nos vai apresentando e mediante as condições que temos, mas que foram  as melhores decisões que considerámos que podíamos e/ou devíamos tomar ou ter tomado. Isso sim, é o mais importante nisto tudo.

Este caminho que seguimos é feito sozinho (somos nós que o temos que fazer) mas não é solitário (pois outros o fazem também) e temos ter a consciência e a noção disto.
Se olharmos para o lado veremos alguém a viver as mesmas situações ou outras, com decisões tomadas semelhantes ou completamente diferentes daquelas que, se fosse connosco, tomaríamos. A vida é isto mesmo, cheia de imponderáveis e é essa uma das mais valias de viver, a cada passo dado, a cada momento, nunca sabemos o que se seguirá, apenas o podemos tentar prever e nada mais.

O que concluindo posso afirmar é que independentemente das decisões e escolhas que tomemos, somos nós que o deveremos fazer e não outrem. E por elas nos responsabilizarmos. São estas decisões que nos definem como pessoas!
A  grande diferença que temos em relação aos restantes seres vivos é a nossa “massa cinzenta” e que é devido a ela que pudemos livremente pensar.
É altura de a começarmos a valorizar mais e principalmente em a começar a usar de uma forma correta e eficiente.
E posto isto, porque não… pensar?!

PS: Texto escrito por mim e originalmente publicado aqui.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Para Escutar (26)...


Hoje a música que Vos trago é da autoria do Irmão Howie Damron, numa sonoridade tipicamente norte-americana, o Country Music. 
A canção " The Masonic Ring" é uma composição com uma letra bastante interessante e encontra-se muito bem orquestrada; sendo esta uma canção muito fácil de se escutar e que deixará a qualquer maçom a vontade  de a repetir ...
Para mais informações sobre o autor, clicar aqui e aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Os “Baixos Graus Maçónicos”

A Maçonaria é uma Ordem Iniciática, progressiva, fraternal e de cariz filosófico e devido a isso o modo de adquirir “conhecimento”, de “Luz”, é feito de uma forma gradual e  ao longo dos tempos.

Na Maçonaria existem as chamadas Lojas Simbólicas ou “Azuis” que trabalham exclusivamente os três primeiros graus da Maçonaria (Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom) e as Lojas dos Graus Filosóficos ou Capitulares ou comummente designadas por Lojas dos Altos Graus da Maçonaria, sendo que um dos motivos que levaram à criação destes graus superiores é o processo gradativo-iniciático da obtenção de “Luz” na Maçonaria.

E por “Alto Grau” ou “grau superior” entende-se qualquer grau que algum maçom detenha, e no qual tenha sido iniciado ou comunicado, acima do terceiro grau da Maçonaria, o Grau de Mestre Maçom.

O total ou quantidade destes designados “altos graus” depende do Rito que seja trabalhado ou ao qual pertençam os maçons, sendo que geralmente o público ouve habitualmente falar nos trinta e três graus da Maçonaria, mas estes apenas são graus numéricos exclusivos de alguns Ritos maçónicos e não de todos os que existem pelo mundo fora…

Nem todos os maçons detêm graus acima do terceiro grau, pois este é aceite como o grau supremo da Maçonaria, o último grau maçónico, o resto são complementos à formação do maçom considerando que este é um indivíduo espiritual e com características especulativas e filosóficas.

Por isso, para qualquer maçom que se preze, isto é, que seja reconhecido como tal pelos seus pares, e para qualquer maçom que foi elevado ao grau de Mestre, este já completou a sua caminhada simbólica mas nunca terá terminado a sua caminhada espiritual. 

E aqueles que sentem a necessidade ou a vontade de percorrer ou continuar em percorrer este caminho geralmente seguem para os Altos Graus do seu Rito ou de outros que existem; é possível ser-se membro simultaneamente de vários Ritos nas Lojas dos “Altos Graus”, algo que está vedado aos maçons na Maçonaria Simbólica, a maçonaria das “Lojas Azuis”, em que cada maçom apenas pode pertencer em exclusivo a uma Loja, mas podendo sempre visitar ou auxiliar os trabalhos de qualquer outra Loja da sua Obediência ou com a qual esta tenha relações maçónicas.

Novamente saliento que nem todos os maçons sentem essa necessidade, uns porque tal se torna dispendioso para os seus bolsos ou por manifesta falta de tempo, outros porque retiram da Maçonaria, nas Lojas Azuis, aquilo que necessitam para a sua vida espiritual, outros inclusive porque consideram que tal não lhes interessa mesmo de facto!

E é por aí que eu abordo este tema…

Porque é que alguns maçons consideram que não lhes interessa sequer pertencer aos designados corpos dos “Altos Graus, “corpos” estes que gerem e supervisionam todos graus acima do Grau de Mestre Maçom; sendo que estes “Corpos Rituais” são independentes e têm uma administração autónoma das Grandes Lojas ou Grandes Orientes que apenas supervisionam as Lojas dos três primeiros graus da Maçonaria.

Na Maçonaria qualquer maçom que detenha o 3ºGrau tem tanta importância ou valor como um maçom que detenha um 18ºGrau, o 30ºGrau ou 33ºGrau,  e quem pensar o contrário ou não sabe o que é a Maçonaria e ao que esta se propõe ou então não interiorizou bem os princípios filosóficos e iniciáticos desta Instituição.

Naturalmente que poderão existir algumas diferenças, mas nada de demasiada relevância, pois quem apenas detém o 3ºGrau não adquiriu ainda um complemento importante na sua formação maçónica, pois nos chamados “Altos Graus” são abordados temas mais abrangentes do que nas Lojas Simbólicas, as Lojas dos três primeiros graus maçónicos. Mas também não vem mal ao mundo por existirem maçons que não tenham essa vontade em persistir na obtenção de tais ensinamentos.

- São importantes mas não tão importantes assim… -

O que de facto é importante entre maçons são o reconhecimento maçónico, o labor empregue na vivência da praxis maçónica e o sentimento fraternal que envolve os membros desta Ordem fraternal e filosófica.
Mas para quem sente a vontade de ir mais além, existe sempre a possibilidade de ingressar nestes “Graus”. Contudo, todos sabemos que nada se faz, e em qualquer sítio, sem empenho e sem estudo e na Maçonaria isso é muito importante, pois os Altos Graus devem ser também estes - e principalmente estes (!) - graus de estudo e de reflexão.

Mas, e se nestes “Corpos Rituais” existem maçons que não querem estudar, nada fazer, e que apenas lhes interessa ostentar uma determinada graduação como se isso fosse importante para a profanidade ou para a maioria dos membros da Ordem, que tipo de reflexão pode ser feita realmente nestas Lojas Filosóficas/Capitulares?!

Se nesses “Corpos Rituais” existirem membros que nas suas Lojas Simbólicas nada fazem ou com nada se comprometem, cumprindo inclusive mal as funções que lhes foram atribuídas pela Loja e que até o seu Ritual, o ritual que praticam, o executam mal ou de forma deficiente, que trabalho poderá ser expectável deste tipo de obreiros?

Será afinal mais importante para alguém passear um avental diferente ou afirmar que tem o grau X ou Y?

Terão os “Corpos Rituais” interesse em ter gente assim nas suas fileiras?!

Serão esses membros assim tão importantes para as Obediências e “Corpos Rituais” para os manterem como seus obreiros?!

E serão efectivamente estes membros das Obediências e “Corpos Rituais”  reconhecidos maçonicamente pelos seus iguais?

Mesmo quando estes elementos nem sequer conseguem auxiliar ou retirar qualquer dúvida aos seus Irmãos Aprendizes e  Irmãos Companheiros das suas Lojas simbólicas quando estes lhes as apresentam?!

Felizmente para a Maçonaria (!)  estes casos são poucos e com pouca expressão, mas não deixam de existir e geralmente são esses casos que depois originam situações que nada abonam para  a Maçonaria.

Para mim pessoalmente tais personalidades não detêm nenhum grau elevado, mas apenas ostentam um “baixo grau maçónico”, sendo isso o que seja!

E sendo assim tão poucos, porque não são reformatados para terem o comportamento adequado e que é esperado de um maçom, principalmente com uma graduação tão elevada?!

Não seria em última instância e dada a sua falta de vontade, repetitiva, em mudar a sua forma de estar, lhe ser  indicada a porta correcta, para eles seguirem o seu caminho?!

No entanto, é quando, por vezes, estes detentores dos “baixos graus maçónicos” se gabam por ostentarem tais graus como se fossem supremas sapiências no que aos temas maçónicos toca, que até se me "arrepia" o estômago.

Sofrem de algumas maladies como a Pavonite e a Medalhite, patologias estas que nada abonam aos membros de uma Fraternidade Iniciática como o é a Ordem Maçónica e que urge extirpar urgentemente antes que causem mais estragos à vida interna das Obediências e à imagem da Ordem no mundo profano, que já de si teve melhores dias…

É aliás um pouco por causa disto, que muitos dos Mestres Maçons que fazem parte das Obediências maçónicas não se revêem nas estruturas dos “Altos Graus”, porque não estão para aturar comportamentos (“desviantes”) deste tipo – já lhes basta o que sucede no mundo profano - e se afastam desta caminhada, não prosseguindo os seus “altos estudos maçónicos” e  mantendo-se apenas no terceiro grau para o resto da sua vida maçónica e apenas formando parte da sua ” loja azul”.

São decisões que tomam fruto daquilo a que assistem nas suas lojas e fora delas e que com as quais não concordam nem desejam em pactuar.

Já se esqueceram estas personalidades que detêm tais “baixos graus” porque razão vão à sua Loja?! Ou porque lá devem ir?

Ou será que os motivos que os levaram a participar na Maçonaria foram outros que não apenas exaltar as suas virtudes e combater os seus vícios? 
Submetendo a sua vontade aos seus deveres?! 
E tentar desse modo adquirir novos conhecimentos na Arte Real?
E que é para realizar tais progressos nesta Arte que ingressam nos “Altos Graus”?!

Não estará na hora da Maçonaria no seu todo começar a olhar para esta gente da forma como efectivamente o merecem?

Pode a Maçonaria continuar a albergar gente com este comportamento, dito profano, no seu seio?
Gente esta que empurra para fora quem realmente faz falta e que trabalha?!
Impedindo que bons elementos prossigam o seu caminho, porque deste modo consideram que não será para si frutuoso persistir e andar a perder tempo e dinheiro!?

Não deverão os “Corpos Rituais” reflectirem no que desejam e necessitam para a sua sobrevivência?! Bem como as Grandes Lojas e Grandes Orientes?

Será que apenas desejam gente que pague quotas, aumentando unicamente o número de membros nas suas fileiras ou se efectivamente o que precisam é de gente qualificada para fazer tal caminhada prosseguindo na senda de uma válida aprendizagem e de um efectivo labor maçónico, complementado por um aprimoramento moral e social dos obreiros filiados nas Lojas maçónicas?

Não serão estes os sentimentos tão caros à nossa Augusta Ordem?

Custa-me realmente assistir a um definhar da Maçonaria na sua generalidade, pois vejo que gente que ainda terá muito a aprender nas Lojas Simbólicas, pouco o fez, mas considera-se detentor de uma sabedoria tal por apenas ostentar um determinado grau ou por envergar um determinado avental “bonitinho”, denotando-se claramente que foram contagiados com as tais maleitas que citei anteriormente.

Gente esta, felizmente poucos (!) mas mesmo assim demasiados (!), que olha e encara os seus Irmãos de uma forma pouco fraternal e pensam que por deterem ou ostentarem tais “baixos graus” se podem sentir superiores a estes.

Nada disso meus Irmãos!

De facto não é por aí o caminho que necessita ser efectuado pelos maçons nem tal sequer beneficia a Maçonaria.

Temos de começar a seguir e viver os princípios que dizemos “da boca para fora”, tanto para dentro da Ordem como para o mundo em redor. 

Cada vez mais estamos expostos ao mundo, seja pela mediatização da sociedade como pelos sinais do tempo e meus queridos Irmãos está na hora de começarmos a traçar outro rumo, novos caminhos, como fizeram os nossos antepassados quando transformaram a operatividade maçónica naquilo que é a “especulação” de hoje em dia.

Apenas transformando a Maçonaria, apoiando esta nas suas bases, as Lojas Azuis,  produzindo obreiros de qualidade, cooptando gente válida da sociedade, podemos hoje e no futuro, elevar a Ordem àquilo que ela realmente deve ser e àquilo que se espera dela!

Aproveito para renovar novamente uma afirmação que fiz anteriormente, felizmente que nem todos os maçons que são membros dos “Corpos Rituais” e das Lojas Simbólicas têm esse comportamento ou se revêem no mesmo, alguns inclusive quando se apercebem que têm de conviver com gente com uma atitude menos maçónica são os primeiros a abandonarem esses  “Corpos Rituais”, e em última instância, as  próprias Obediências, pois nada querem ter a haver nem desejam se relacionar sequer com essa gente e a sua conduta. 
E é o facto de não quererem conviver com essa gente, que leva ao abandono da Ordem por parte de obreiros muito válidos para a Maçonaria, “verdadeiros maçons”, que não estão para aturarem ou pactuarem com tais comportamentos, sentindo que apenas andam, ou andaram, a perder o seu tempo pessoal e a gastar dinheiro que poderia ter outro fim que não este.

Este texto nada mais é que apenas uma chamada de atenção para o que existe e que não deveria existir sequer na Maçonaria. 
E existe porque a Ordem é um espelho da sociedade em que se encontra, absorvendo aquilo que existe à sua volta; e mesmo tentando filtrar as impurezas que a circundam, por vezes se vê infestada por gente que poderia utilizar o seu tempo noutras actividades mas preferiram e decidiram entrar para a Maçonaria, como se tal lhes trouxesse algum proveito pessoal, social ou financeiro. E agora que entraram, mais difícil será os fazer sair!

Por isso é que urge apontar a porta da rua das Obediências a tais elementos ou então formá-los correctamente nas suas Lojas Simbólicas.

Formação! Formação! Formação!

Esse é o primeiro caminho a ser feito pelas Obediências e posteriormente pelos “Corpos Rituais”.

Somente assim a Maçonaria persistirá!

E devemos começar hoje, amanhã já será tarde demais…

E depois reflectir-se se os custos associados serão mesmo necessários, pois a realidade existente é de que quase se pode constatar que existem “maçons de primeira” e “maçons de segunda”; porque uns conseguem cumprir com as suas obrigações pecuniárias mais facilmente que outros, os quais fazem algum esforço para o puder cumprir e que por esse motivo ficam vedados de perseguir o ensejo de prosseguir a sua caminhada pelos graus superiores da Maçonaria.

 Apenas quebrando essa divisão e distinção entre maçons poderá a Maçonaria realmente nivelar os seus obreiros, cimentando as relações fraternais que devem existir entre todos.

Quando tal acontecer, somente apartir desse momento, poderei então eu considerar que afinal os “baixos graus maçónicos” serão mesmo os “graus azuis”, que se encontram na base do esquema gradativo da Maçonaria e não os graus que algumas personalidades envergam e que as fazem sentir como – hipoteticamente ! - superiores aos comuns dos mortais…

Até lá, ainda há muito caminho para fazer…

Mas assim o espero e desejo!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

"Assombrações maçónicas…"

Começo o título do texto de hoje com a palavra "assombrações" porque de lés-a-lés surgem notícias que assombram o mundo maçónico

Algumas vezes são verídicas e factuais, outras nem tanto, mas a maioria totalmente falsas. Contudo, as notícias que me suscitam alguma preocupação na verdade, são aquelas que são mesmo verdadeiras e que focam algo que foi feito ou envolveu de forma negativa algum membro da Ordem Maçónica.

Quando algum maçom transgride as regras da "civilização", seja através de condutas marginais ou por comportamentos ditos desviantes, e por isso mesmo passiveis de críticas por ultrapassarem qualquer tipo de razoabilidade, não será apenas o maçom em questão que sofre as consequências, mas a Maçonaria na generalidade; até porque a opinião pública irá sempre condenar a Maçonaria no seu todo e não apenas quem foi o causador da notícia ou situação em apreço.

Quando ocorrem esse tipo de situações, por norma, são sempre desenvolvidas novas teorias face às existentes bem como outras são usualmente relembradas, sejam elas verdadeiras ou falsas -para o comum dos mortais o que importa é falar, mesmo que não saiba do quê!- e são sempre lançados para a "fogueira" nomes de eventuais maçons, tenham essas pessoas ligações à Maçonaria ou não, acarretando sérios prejuízos para essas personalidades.

Naturalmente que todos os maçons condenam quem não sabe viver em sociedade, principalmente aqueles que se assumem como sendo "pessoas livres e de boa conduta", porque esses devem ter sempre algum cuidado e parcimónia nas suas acções, uma vez que estão sempre debaixo do escrutínio permanente do mundo profano.

Algo que os maçons deverão ter atenção é que devem nas suas práticas mundanas ter os mesmos comportamentos que  terão na sua vida privada, ou seja, " fazer à vista de todos o que fariam se ninguém os estivesse a observar". E ter tal noção é uma forma de limitar acontecimentos onde poderão "derrapar" ou que sejam propícias situações impróprias para os maçons, seja a nível pessoal como colectivo.

O "segredo" que é análogo à Maçonaria também fomenta tais situações, porque pode levar a pensar que a coberto de um certo tipo de secreticidade tudo se possa fazer; o que na realidade é completamente falso!
A ignorância profana sobre o que se passa no seio das Lojas Maçónicas leva à efabulação sobre o que por lá é tratado. E essa é quiçá uma das condicionantes a que todos os maçons estão sujeitos.

Normalmente quando a Maçonaria é falada nos círculos mais mundanos é quase sempre referente a teorias que pululam por aí, sobre os rituais possíveis de serem praticados ou pela eventual identificação dos membros de alguma Obediência. Mas quando algum maçom se mete a jeito, tanto pior... A mediatização que envolva um caso que envolva um maçom ou algum alegado maçom é amplamente exponenciada, mesmo que o indivíduo seja inocente ou não. A fome pela obtenção de informação sobre qualquer coisa que envolva ou toque a Maçonaria é sempre enorme.

Mas quando é tornado público situações que envolvem conflitos de egos, usurpações de poder, ambições desmedidas, projectos pessoais e afins, obviamente que a crítica é forte e incisiva, pois se a Maçonaria se assume como uma Ordem de carácter espiritual, como podem ter lugar tais comportamentos!?

Mas a verdade é que eles existem e temos de viver com eles, tentando solucioná-los da melhor forma possível e caso a caso. E estes "fantasmas" que vão aparecendo de tempos a tempos e que alimentam o descrédito que a população tem sobre a Maçonaria é sempre alvo de repúdio, inclusive interno no seio das várias Obediências. 

-Os problemas entre" egos e malhetes" acabam sempre por prejudicar o "esquadro e o compasso"...-

O que me remete em jeito de conclusão para a seguinte reflexão:
Farão estas individualidades tanta falta à Maçonaria que ela não subsista sem eles ou eles é que sentem que fazem falta à Maçonaria para que esta Instituição possa progredir?!"

PS: Texto escrito por mim e previamente publicado  aqui.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Para escutar (25)...


Hoje trago uma música rica em simbolismo maçónico para escutarem e fazerem a devida reflexão.
Nem sempre o que está à vista o será e nem sempre o que aparenta o ser, o é...
E esta canção pertencente a um estilo musical, o Hip Hop /Rap, não é o que habitualmente se espera de uma música associada à Maçonaria. Mas quem a ouvir, do início ao fim, prontamente chegará a outro tipo de constatação.
Uma letra excelente, bem orquestrada e plena de simbologia é o que se pode encontrar na canção "Freemason Rap",cantada pelo Rapper J-Row e produzida pela Wytime Productions, cujo vídeo Vos deixo acima.
Espero que gostem, porque eu adorei...

sexta-feira, 9 de março de 2018

Juramento e Compromisso maçónico...

Quando se segue uma Via Espiritual ou se é admitido numa Ordem de tipo esotérico-iniciática tal como a Maçonaria se define, é habitual o novo membro efectuar um juramento no momento da sua admissão ou durante a execução de uma cerimónia de cariz iniciático, no qual se assume um determinado compromisso. E somente após a realização desse juramento é que o neófito é recebido e integrado no seio da respectiva Ordem.

No caso que irei abordar e que será sobre a Maçonaria, é natural quando se fala em compromisso maçónico também se abordar simbióticamente o juramento maçónico. Tanto um como o outro são indissociáveis, porque um obriga ao outro e o mesmo, reciprocamente.

Durante o desenrolar de uma Iniciação Maçónica, no seu “ponto alto”, o neófito concorda em submeter-se a um juramento onde assume como compromisso de honra, aceitar e respeitar as Regras, Usos e Costumes da Maçonaria bem como as regras e leis do país onde se encontra sediada a Obediência Maçónica e a respectiva Loja da qual irá fazer parte. Nomeadamente e de entre os vários princípios maçónicos que se aceitam cumprir, os mais conhecidos pelo mundo profano são a Fraternidade entre todos os Irmãos, a prossecução do espírito da Liberdade na Sociedade Civil e o sentimento de Igualdade entre todos.

Assim, assumir-se um compromisso com a Ordem Maçónica é assumir-se um compromisso pela Ordem e a bem da Ordem. Isto é que é o tão propalado estar à Ordem.

E estar-se é mais do que o ser-se! E digo isto porque qualquer um pode “o ser”, mas “estar” apenas se encontra ao alcance de poucos…
Estar implica sacrifício, comprometimento, trabalho, prática e estudo, e isto de forma incansável e perene.

Por isto é que assumir um compromisso deste género e com a relevância que este tem, nunca deverá ser feito de forma leviana; o mesmo se passa com os outros compromissos que se assumem durante a nossa vida profana e que também não devem ser assumidos se não estivermos capacitados para os cumprir.

-Há que se ter a noção daquilo a que nos propomos a fazer-.

Por isso é que o compromisso maçónico é feito com a nossa Palavra e sobre a nossa Honra. Desvirtuar estas duas qualidades, é desvirtuar a própria Maçonaria.

Da mesma forma que, se não respeitarmos a nossa palavra e não mantivermos a nossa dignidade na sociedade civil, também não somos dignos de nela estarmos integrados e sofreremos as consequências ou punições que forem legitimadas pelas leis do país.

De certa maneira, a Maçonaria actua e se assemelha com a sociedade profana, com as suas leis e os seus costumes, competindo aos maçons respeitar a sua aplicação e observar o seu cumprimento. É mais que um dever ou obrigação tal. É a assumpção que assim o deve ser e nada mais!

Porque assim tem funcionado há quase três séculos e o deverá continuar a ser noutros tantos…

Aliás, ainda na Maçonaria contemporânea se encontra algo que dificilmente se encontra na profanidade actualmente, ou seja, o valor da palavra sobre a escrita. O que não deixa de ser curioso dados os tempos que correm.

Nesta Augusta Ordem, ainda hoje aquilo que um maçom afirma tem um valor tal, que se poderá assumir que não necessitará de ser escrito para que o seja considerado; basta se dizer, que assim o será.
O tal “contrato verbal” na Maçonaria ainda hoje tem lugar. E somente pessoas de bons costumes o usam fazer, pois a sua honra e a sua conduta serão sempre os seus melhores avalistas.

Não obstante, o compromisso maçónico ao ser albergado por um juramento, obriga a que quem se submete a ele, o faça de forma permanente. Não se jura somente aquilo que gostamos ou somente aquilo que nos dá jeito cumprir.

Quando entramos para a Maçonaria sabemos que, tal como noutra associação ou organização qualquer, existem regras e deveres para cumprir; pelo que o cooptado compromete-se em respeitar integralmente todas as regras e deveres que existem na sua Obediência. E quem age assim, fá-lo porque decidiu livremente que o quer fazer e não porque alguém a tal o obriga.

E uma vez que a adesão à Maçonaria se faz por vontade própria, aborrece-me bastante (para não ser mais acutilante ainda…) assistir ou ter conhecimento de casos em que este juramento foi atraiçoado e em que os compromissos assumidos perante todos, foram deliberadamente e conscientemente esquecidos.

Será que quem age desta forma, poderá ser reconhecido como um verdadeiro maçom?

Ou será apenas gente que simplesmente enverga um avental e um par de luvas brancas nas sessões da sua Loja?

Em alguns casos destes, creio que foram pessoas que entraram na Maçonaria, mas que por sua vez, a Maçonaria certamente não entrou neles…

Algumas vezes, infelizmente, isto pode acontecer porque quem vem para a Maçonaria vem “desavisado”, isto é, pouco conhece ou percebe o que é a Maçonaria e o que ela representa, “vem ao escuro” por assim dizer, e caberá a quem apadrinha uma candidatura maçónica, informar ou retirar algumas dúvidas que se ponham ao seu futuro afilhado e consequente irmão. 

Em última instância, devem os responsáveis pelas inquirições que decorrem no âmbito de um processo de candidatura maçónica, no momento das entrevistas aos candidatos, terem a sensibilidade para se aperceberem do desconhecimento do entrevistado sobre os princípios e causas que movem os maçons e sobre a Ordem da qual este manifesta a vontade de vir a fazer parte, e nesse caso, serem os próprios inquiridores nessas alturas em concreto, a efectuar o trabalho que deveria ter sido feito anteriormente pelo proponente da referida candidatura, no que toca a esclarecer o profano e a fornecer-lhe as informações que lhe sejam necessárias para que esta (possível) adesão possa decorrer sem sobressaltos, nem que esta admissão venha a causar problemas (previsíveis!) no futuro, seja para a respectiva Loja ou até mesmo para a Obediência que porventura o vier a acolher.

Todavia, normalmente no momento do juramento maçónico, o neófito fá-lo sem saber/compreender o que estará a jurar e para o que estará a jurar, pois o véu que o cobre na sua Iniciação é de tal densidade que muitas vezes somente passado algum tempo é possível se perceber o juramento que se fez e o compromisso que se tomou, e que por vezes pode ser diferente daquilo que são as crenças pessoais e respectiva forma de estar de cada um ou até mesmo porque se acreditava que se “vinha para uma coisa e afinal se encontrou outra”…

E o trabalho que um padrinho deve desenvolver com o seu afilhado durante a formação deste tanto como a responsabilidade que assumiu perante o afilhado e a Ordem ao subscrever a candidatura dele, serão fulcrais neste tipo de situação concreta. O padrinho (pelo dever moral) e a Loja em si (porque é um dever da loja acompanhar e tentar integrar correctamente os Irmãos nos valores maçónicos) devem tentar perceber o motivo pelo qual alguém se “distancia” da Maçonaria. E apenas ulteriormente, se for caso disso, devem aconselhar a um possível adormecimento desse irmão por não ser do seu intento continuar a pertencer a algo com o qual não se identifique mais.

Pelo que desta forma se prevenirão certos casos e eventuais “lavagens de roupa suja” ou fugas de informação que poderão surgir, as quais na sua maioria nem sequer são informações plausíveis nem verídicas sequer, pelo que apenas posso especular que estas ocorrências se devem a paixões e vícios mal combatidos e nem sequer evitados… E como se costuma dizer, “o mal corta-se pela raiz”, pelo que “as desculpas devem evitar-se”…

E quem entra na Maçonaria deve ter a noção que as suas atitudes já não lhe dirão respeito apenas a si, mas a todos os integrantes desta Augusta Ordem, a conduta de um maçom estará sempre sob um fino crivo pela sociedade e sempre debaixo do escrutínio de todos, seja de fora ou internamente. – Porque um, pode sempre e a qualquer momento, “por em xeque” os demais -. E ter esta noção e assumir esta responsabilidade é algo que deve ser intrínseco desde os primeiros momentos de vida maçónicos.

Já não é o Nuno, o X ou o Y que fazem isto ou aquilo, serão os maçons Nuno, X ou Y que o fazem… Logo é a Maçonaria na sua generalidade que será atentada com a má conduta que os seus membros possam ter, para além da Ordem poder vir a ser acusada de cumplicidade pelos actos efectuados pelos seus membros.

Assumir que a nossa forma de estar e agir condiciona e se reflecte na Maçonaria é um dos maiores compromissos que os maçons poderão tomar. Tanto que o dever de honrar a nossa Obediência, a nossa Loja e a Maçonaria em geral, deve permanentemente se encontrar na mente de todos os maçons.

Um juramento implica obrigações, e jurar ser-se maçom, mas fundamentalmente ser-se reconhecido maçom pelos nossos iguais, implica que sejamos maçons a “tempo inteiro” e não apenas às segundas-feiras ou quintas-feiras de manhã ou à noite, ou quando nos dará mais jeito, é sempre!
Sermos maçons, não é quando visitamos a loja e usamos os respectivos paramentos. Não basta envergarmos um avental, calçar umas luvas brancas e fazer uns “gestos estranhos”, é muito mais que isso! É cumprir preceitos, rituais e trabalhar em prol da Ordem.

E se não estivermos prontos para tal, de nada valerão os juramentos que fizermos, porque nunca nos iremos comprometer com nada na realidade e em último caso, nem sequer reconhecidos como tal seremos.

E a palavra persistirá perdida…

PS: Texto previamente publicado aqui.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Celebração do Tricentenário do estabelecimento da Maçonaria Especulativa, organizada pela Grande Loja Unida de Inglaterra...


O vídeo que hoje Vos trago remete-nos para a celebração dos 300 anos do estabelecimento da Maçonaria Especulativa e da criação da "Premier Grand Lodge" de Londres e Westminster a 24 de Junho de 1717 na Taberna "Goose and Gridiron" que se localizava na cidade londrina perto do adro da Igreja de São Paulo. 

Esta celebração esteve a cargo da Grande Loja Unida de Inglaterra e teve lugar no dia 31 de Outubro de 2017 no Royal Albert Hall em Londres.

A não perder o visionamento de todo o espectáculo...

P.S. : Para mais informações sobre esta celebração, visitar os seguintes links:
Royal Albert Hall plays host to UGLE’s epic Tercentenary celebrations
Watch a screening of UGLE's Tercentenary celebrations at the Royal Albert Hall

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

"Arte Royal"...


"Arte Royal"

Era de noite...
e debaixo de uma acácia que me era conhecida
eu repousava.

Reparei que na abóbada celestial flamejava uma estrela,
e que por ser tão bela, certamente que, 
seria obra de um sapiente geómetra. 
Que com a força do seu punho a cinzelou e no céu a estabeleceu...

É nestes momentos, de rara nostalgia, 
e vislumbrando a natureza que me rodeia,
que sinto que quase não sei ler nem escrever,
e que dificilmente conseguirei soletrar o quer que seja...

Ou não fossem as palavras que ficam, por vezes, por dizer, 
serem tantas como as espigas dos nossos campos;
e que por isso, por vezes, 
me parece que a carne se me desprega dos ossos...

Depois, acordei e vi que a luz me inundava o quarto
e que tudo tinha sido um mero sonho.
Um sonho bom...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Para Ver (17)...

Para a publicação de hoje, e porque também estamos próximos do fim-de-semana e por isso mesmo existir normalmente algum tempo livre na vida de cada um, sugiro a visualização deste vídeo de uma peça teatral que nos remete para o "Alvorecer da Maçonaria Especulativa".

Para mais informações sobre esta peça teatral, copio a informação disponibilizada no link do video e que passo a transcrever:

"A peça teatral "O Alvorecer da Maçonaria Especulativa" foi apresentada no 50º ERAC - Encontro Regional de Aprendizes e Companheiros, organizado pela Loja Maçônica "Integridade e Justiça" e com apoio da Loja Maçônica "Arquitetos da Harmonia".
A peça retrata o dia da criação da Grande Loja de Londres em 1717.
Créditos destinados ao Asilo "Lar Fraterno das Acácias", Mantido pela loja."

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A importância que um Padrinho tem na formação de um Maçom…

O  texto que hoje publico, vai abordar algo que no meu entendimento será bastante relevante para a Maçonaria e que é o papel que um padrinho deverá ter na formação do seu afilhado maçom.

Um padrinho deve ter a sensibilidade para poder analisar quem deve ou não fazer parte da Augusta Ordem Maçónica. E padrinho pode ser qualquer maçom exaltado à condição de Mestre. O Mestre é o maçom de pleno direito. Logo tem a responsabilidade de fazer respeitar os princípios da Ordem, auxiliar na formação dos seus Irmãos, detenham eles o grau que tiverem, e de apesar de não fazer proselitismo, deve procurar no mundo profano quem tenha qualidades para ingressar na Maçonaria e que com essa admissão possa desenvolver um trabalho correto tanto pela Ordem Maçónica bem como pela sociedade civil na sua generalidade.

O padrinho não tem de ser um guru nem ser um visionário (pois ele será também um eterno aprendiz), o papel que ele deverá representar  para o seu afilhado é o de um guia, de uma pessoa que o auxilie na sua integração na Loja bem como o de sendo alguém que o ajude na sua formação maçónica, principalmente nos primeiros tempos, em complemento com a formação que é efectuada na loja, auxiliando também o Segundo Vigilante (cargo oficial desempenhado pelo terceiro elemento da  hierarquia de uma loja maçónica) no cumprimento das suas funções, nomeadamente como formador dos Aprendizes Maçons.

Compete ao padrinho após identificar no mundo profano alguém com as capacidades intelectuais e morais que são necessárias para alguém ser reconhecido maçom, abordar o mesmo da forma como achar que será melhor recebida pelo seu interlocutor. Na maioria das situações, a abordagem é feita pelo reverso, alguém que é profano e que se identifica com a Maçonaria intercede junto de um maçom para que lhe seja concedida a entrada na Ordem. Independente da maneira de como é feita a proposição, cabe ao maçom que irá ser o padrinho efectuar algumas diligências, ou seja, conhecer os gostos e preferências do seu futuro afilhado bem como dos hábitos e rotinas que ele possa ter  (se não os conhecer anteriormente), isto é, tudo aquilo que é habitual num ser humano. Conhece-lo!

E  numa fase posterior, se concluir que o profano detém  as qualidades necessárias para entrar na Maçonaria, deve abordar alguns temas de âmbito maçónico, retirando algumas das dúvidas que possam persistir na mente do seu futuro apadrinhado sobre o que a Ordem Maçónica é e qual o seu papel no mundo. Mas mais que isso, na minha opinião, o futuro padrinho deve fazer-se acompanhar pelo profano em eventos maçónicos de cariz aberto (eventos brancos) onde este poderá ter um contacto mais alargado com o que é a Ordem, ou seja, frequentar tertúlias e palestras onde a Maçonaria seja o tema principal a ser abordado. 

Neste caso, admito que começará aqui, para mim, a formação maçónica do futuro iniciado. Pois se o mesmo afinal decidir que não se identifica com o que encontra, observa e escuta, então o processo de candidatura não terá início e o profano aproveitará apenas para aumentar a sua cultura geral sobre o que à Maçonaria concerne e ter uma opinião mais concreta sobre esta Augusta Ordem. No entanto, e caso o profano se identifique claramente com o que lhe é mostrado, deverá então ser iniciado o processo de candidatura à admissão numa loja maçónica. E de preferência que seja na loja que é integrada pelo seu padrinho. Isso é de extrema importância. E porquê?!

Porque durante o desenrolar do processo de candidatura, os membros da loja confiarão no zelo que o padrinho se propõe a cumprir ao apadrinhar a candidatura em avaliação porque o conhecem, e  também estes por sua vez, respeitarão quem vier a ser escolhido para ser acolhido pela loja. 
E depois, porque o padrinho deverá acompanhar o seu afilhado na assistência das sessões da loja a que estes pertencem, para que este não se sinta desapoiado e nem desintegrado num grupo de gente que à partida não o conhece bem nem o qual deverá conhecer devidamente. 

Acontece também o contrário, por vezes quem chega a uma loja maçónica já é popular no mundo profano ou poderá ter relações profanas com alguns membros da loja e assim a sua integração é mais facilmente consumada.

Mas e apesar de todo o fraternalismo que existe na Maçonaria em geral, os “primeiros tempos de vida” de um maçom podem-lhe parecer estranhos porque terá de ser relacionar inclusive com gente que talvez, no mundo profano, preferiria evitar. É verdade, tal pode acontecer e ainda bem que tal assim acontece. Desta forma, é possível um entendimento que de outra maneira não seria possível acontecer. Porque os irmãos são “obrigados” a confraternizar, logo, encontrar "pontos de comunhão” e de “convergência”. Também, pelo facto de se terem de relacionar, isso obrigará a que as pessoas se conheçam melhor, e com isso, desfazer alguns preconceitos que poderiam ter anteriormente e que se assumirão posteriormente, como errados e descabidos. Outros quiçá, manterão a mesma opinião que anteriormente. Tal poderá acontecer, somos humanos e em relação a isso pouco se pode fazer… A não ser, tolerar e respeitar o próximo tal como outra pessoa qualquer o deve merecer.

- Os maçons são pessoas como as outras, não são perfeitos; a  forma de como combatem as suas paixões e evitam os seus vícios é que os difere dos restantes membros da sociedade -.

E ter um padrinho que os guie correctamente nessas situações,  que lhes dê a mão para os apoiar quando necessitarem disso e que acima de tudo os critique quando o deve fazer para os manter num bom caminho, marcará de todo a diferença. Isso é “meio caminho andado” para um crescimento maçónico correto e que não seja funesto para a Ordem no futuro. 

Os casos que normalmente vêm a público no mundo profano devem-se a erros de casting ou a gente que foi mal formada ou que não se identificou depois com os princípios morais que encontrou no interior da Maçonaria. Por isto, é que não basta a um padrinho convidar ou apadrinhar alguém apenas por ser seu amigo, por ser seu colega ou por essa pessoa ter alguma influência ou notoriedade no mundo profano. Esse “alguém” terá mesmo de se identificar com a Maçonaria e saber um pouco ao que vai, porque caso contrário, criará uma perca de tempo ao próprio e à loja maçónica que o acolher com as consequências que sabemos que poderão suceder e que algumas vezes ocorrem mesmo!

E nos casos em que os maçons “derrapam” ou se desviam do seu caminho na virtude, os padrinhos deveriam ser também responsabilizados, isto é, serem chamados à atenção por terem trazido para dentro da Instituição Maçónica quem agiu de forma errada e que levou a que a imagem desta Augusta Ordem fosse questionada profanamente. 

Obviamente que não digo que fossem sancionados, mas que exista uma conversa para os alertar do perigo que é de apadrinhar gente com este tipo de conduta para que no futuro sejam mais zelosos nos seus apadrinhamentos e que também tivessem acompanhado a conduta do seu apadrinhado. 

Naturalmente que um padrinho não pode ser culpado, a não ser que seja cúmplice, da actuação do seu afilhado, mas se puder prever que o mesmo possa se desviar e errar, deve alertar o mesmo dos riscos que este corre, seja de suspensão ou até mesmo de expulsão da Ordem, com tudo o que isso acarretará moralmente para ambos. Porque mesmo em surdina, as “orelhas” do padrinho sofrem sempre as consequências dos actos do seu afilhado. É habitual o ser humano criticar algo, todos somos “treinadores de bancada”, logo criticar-se algo que não correu bem é a consequência lógica de tal. Por isso até mesmo quem entra na Maçonaria deve reflectir na sua conduta para que não ponha a imagem dos outros irmãos em questão.

Porém, e ainda no âmbito da instrução maçónica do seu afilhado, o padrinho deverá  complementar a formação que será concedida pela loja ao seu apadrinhado; porque ao lhe demonstrar também que a Maçonaria vive de símbolos, metáforas e alegorias, mas fundamentalmente, da prática de rituais próprios, também ele (padrinho) ao instruir o seu afilhado, poderá reflectir e por em prática os conhecimentos que já adquiriu até então - o que é sempre uma mais valia pessoal - e que lhe permitirá vivenciar o que também ele aprendeu durante a sua formação até atingir o mestrado.

- Conhecer e ensinar outrem é do melhor que o ser humano poderá fazer pelo seu semelhante. Tanto que acredito que o Conhecimento somente é  Sabedoria quando compartilhado-.

Mais tarde, quando o seu afilhado já se encontrar na condição de mestre, já não será tão essencial ter aquela “especial” atenção que considero como importante na caminhada de um maçom, porque este já atingiu uma parte importante da sua formação maçónica e concluiu o seu percurso até à mestria. Mas no entanto,  nunca o deverá abandonar, pois apesar de este ser um irmão seu, será sempre o seu afilhado, logo alguém que um dia reconheceu como tendo capacidades e qualidades maçónicas. E essa responsabilidade nunca desaparecerá. 

E isto é algo que por vezes acontece e que eu considero como sendo nefasto para a vida interna de uma Obediência. Não basta convidar alguém, se iniciar alguém, (mal) formar alguém e depois deixá-lo à  mercê dos tempos e vontades… Virar as costas a um irmão, mesmo que seja inconscientemente, nunca trará resultados frutuosos para ninguém e principalmente para a Ordem. É na nossa união que reside a nossa força, é com nosso apoio que conseguimos enfrentar o dia-a-dia. E se isto poderá parecer como demasiado simplista e inocente, não nos devemos esquecer que é no nosso espírito de corpo que se encontra a fonte da egrégora que é criada em loja e que é a impulsionadora da nossa fraternidade.

Assim, alguém que queira apadrinhar a candidatura de um profano, terá de assumir que adquire uma responsabilidade tal, que nunca será irrelevante e que nos seus “ombros” suportará o “peso” de uma Ordem iniciática e de cariz fraternal  como o é a Maçonaria. 
E que terá como seus deveres  principaisreconhecer, informar, transmitir/formar e acompanhar  quem ele considerar como sendo um válido (futuro) membro da  Maçonaria. 

Não será uma tarefa fácil, esta de se apadrinhar alguém, mas este é um compromisso que os maçons assumem para com a Ordem e a bem da Ordem...

PS: Artigo por mim escrito, previamente publicado e que pode ser consultado aqui.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Votos de um Excelente 2018...

Que o próximo ano que se avizinha, 2018, seja um ano dedicado à Fraternidade e que em relação ao qual, existe já uma Petição a decorrer nesse sentido e que irá ser apresentada à Assembleia da República.

Não sei se os seus subscritores alcançarão os seus propósitos, mas eu, da minha parte, tentarei cumprir com a minha parte.

Deste modo desejo que o próximo ano seja um ano em que a Fraternidade ande de par a par com a Liberdade dos Povos e a Igualdade entre géneros e classes sociais.

Que 2018 seja um ano em que a Sabedoria presida às nossas decisões, a Força esteja presente nossas acções e que a Beleza decore as nossas orações; mas que principalmente a Paz reine na Terra, o Amor persista entre os Homens e que a Alegria permaneça durante o ano nos nossos corações.

Se estes meus Votos forem cumpridos, 2018 será não apenas mais um ano no calendário do Tempo, mas um dos "Anos"...


A Todos(as) os meus Votos de Boas Entradas e um Excelente ano de 2018!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Peculiaridades singulares do Ofício de Venerável Mestre...

Como tema para o texto que publico hoje, escolhi a figura representativa da estrutura de uma Respeitável Loja Maçónica,  o seu Venerável Mestre.

O cargo de Venerável Mestre é ocupado por um Mestre do quadro de Obreiros de uma Loja que foi eleito pelos seus pares para esse efeito.

Das várias funções ou atributos que lhe são confiados fazem parte a direcção (administrativa e espiritual) da Loja e a representação da Loja e seus obreiros na estrutura da Obediência em que se encontra filiado.
- O que parece pouco, mas não o é!-

A origem deste cargo ou função - E eu sou dos que prefere que este seja considerado apenas como um “Ofício”, pois se é instalado nesse Ofício, e por isso mesmo o Venerável Mestre é um “oficial da Loja”, e tal, não como um cargo em si, e explicarei adiante o seu motivo - é remetida para tempos imemoriais e também à época das guildas de construtores de catedrais e profissões ligadas à Ars Structoria (Arte da Construção) na Idade Média, em que um Mestre entre os mestres ou companheiros encarregados pela execução de uma obra, seria escolhido para dirigir os seus trabalhos e para tal era designado o "Mestre da Loja". 
A permanência do eleito para o ofício nesse cargo era variada e tanto poderia ser renovada anualmente ou apenas permanecer nela durante o tempo que durasse a obra em que se encontrava a laborar.

Mas o que me remete para este tema, em que analiso o ofício de “Venerável Mestre”, não é a sua “origem” ou funções acometidas, mas sim algumas singularidades peculiares que se afiguram ao mesmo.

Geralmente é eleito ou candidato a tal, alguém a quem foram reconhecidas capacidades para que possa exercer essa função, a mais alta em Loja, durante determinado tempo – regra geral, é uma função anual – e que nos tempos transactos tenha tido como função ter sido Vigilante da Loja. Função esta que se divide em outros dois "ofícios", o Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante, que são em conjunto com o Venerável Mestre, as “Luzes da Loja”, isto é, os seus “Oficiais maiores” assim por dizer…

Os Vigilantes têm como principal função a formação dos Obreiros a seu cargo respectivamente e auxiliar o Venerável Mestre na condução ritual dos trabalhos maçónicos da respectiva Loja.

Mas voltando ao tema, se se espera que a pessoa que será eleita para o exercício deste ofício de Venerável Mestre seja uma pessoa bastante capacitada seja pelo seu conhecimento ritual, administrativo  ou até pela sua forma de estar na vida, uma coisa é certa, depois de eleito e durante a aplicação e execução do Ritual em Loja, o Venerável Mestre parece ser a pessoa que menos conhece a sua ritualidade e formas administrativas; o que poderia significar que tinha sido eleito para guiar os destinos da Loja, um mestre impreparado para tal desígnio. 

E este sim, é o tema fulcral do texto que apresento. 

O facto de o Venerável Mestre, a pessoa que a Loja elegeu, o membro a quem confiou e entregou os seus destinos para um determinado tempo – o Veneralato – ser a pessoa que durante o Ritual mais dúvidas tem e que apresenta ou até a pessoa que mais perguntas faz… 
Seja tanto para obter “conhecimento” como para se certificar de algo. O certo é que as faz! E nem as deixaria de (poder) fazer.

Para quem é Iniciado nestas andanças saberá que os questionamentos que o Venerável Mestre faz, fazem parte integral do cumprimento e observância do Ritual em execução na Loja e não de qualquer ignorância da sua parte – nem o poderia ser! -, mas tal se visto pelo prisma que Vos apresento, por certo chegarão à mesma conclusão que eu, hipoteticamente falando!

Antes demais, vou explicar de forma ligeira porque prefiro dizer que se é investido ou instalado numa função ou ofício e não num cargo.

Primeiro, porque um cargo remete para autoridade e afins… 
Quanto a mim o problema não reside na autoridade, porque a mesma faz falta, o problema é mesmo os “afins”…

Segundo, quando alguém exerce uma função ou ofício, apenas as tarefas designadas a tal serão executadas e nada mais…  
E é isso que se espera que seja cumprido! 

Para além de que alguém investido numa qualquer coisa, saberá que tal exercício será meramente temporal e dependente da vontade de outrem e não apenas exclusivamente da sua. Já os cargos por vezes se podem assumir como definitivos... 
Poderia parecer apenas uma mera questão linguística e de semântica, mas parece-me que é de uma relevância tal que não deve ser descortinada por ninguém.

Por isso é que digo que prefiro que tal função de Loja seja um ofício por isto mesmo!

Alguém é escolhido para desempenhar a função, executando as tarefas que lhe são relegadas e deve-o fazer com espírito de missão e entrega e fazendo-o porque sabe que assim o deve fazer.
Já por sua vez, se estivesse a cumprir um cargo, poderia esse alguém esperar algo diferente daquilo que é o propósito desse ofício e o exercesse de uma maneira que não fosse a mais correcta para tal.

E se habitualmente os cargos ostentam-se, as funções são cumpridas e os ofícios desempenhados...

E é por isto que citei que facilmente se pode concluir que considero que o "Venerável Mestre não faz a Loja", mas sim o seu inverso, ou seja, "a Loja é que faz o seu Venerável Mestre", pois este foi escolhido e sufragado pelos demais e devem estes, por isso mesmo (!), no auxiliar naquilo que ele necessite para levar a bom porto a missão que, por todos, lhe foi confiada.

- Existe quem entenda o contrário e por isso aja dessa forma, tendo eu apenas que o respeitar dentro dos limites a que a Fraternidade e a minha tolerância assim me o obriguem a tal - .

Mas voltando ao tema, porque é que eu afirmo que o Venerável Mestre será o obreiro que no decorrer do ritual e em sessão de Loja é a pessoa que mais desconhecimento tem sobre o que por lá se passa?!

Porque:

·        Para saber se os Maçons que se encontram no Templo estarão a coberto dos profanos nos seus trabalhos de Loja, tem de questionar um dos Oficiais da Loja;

·        Para estar salvaguardado que as pessoas que estão no Templo são filiados da Ordem, questiona outros Oficiais da Loja, bem como inclusive, até para saber onde ele e outros se sentam e os motivos para tal ,tem de questionar outrem para obter o conhecimento sobre tal facto, não podendo ele se sentar em qualquer sítio;

·        Para saber qual o horário designado para o trabalho em Loja  e o espaço temporal em que se encontra, tem de questionar outros Oficiais da Loja, não bastando apenas olhar para o seu relógio;

·        Para conhecer a identificação e a assiduidade dos obreiros efectivos da Loja, encarrega outro Oficial da Loja para o fazer, não bastando olhar em volta para ter a percepção de quem se encontra no Templo;

·        Também é um Oficial da Loja que lhe comunica e relembra qual a Ordem dos Trabalhos que o próprio Venerável Mestre definiu para essa Sessão;

·         Para abrir e fechar ritualísticamente os trabalhos da Loja tem de ser auxiliado por um conjunto de Oficiais, não o podendo fazer sozinho;

·     São outros Oficiais da Loja que se encarregam de administrar (ou auxiliar nesse sentido) nas questões financeiras, espirituais e fraternais da Loja. Nomeadamente o Venerável Mestre ainda questiona determinados Oficiais da Loja se quem se encontra na assembleia se encontra satisfeito pela forma de como os trabalhos foram realizados.

Por tudo isto (e mais que não expus) acima, é que poderia eu considerar que o Venerável Mestre será a pessoa que menos sabe o que se passa na sua “casa”.

E é por isso mesmo que também, que os seus Oficiais e restantes membros da Loja o auxiliam na execução desses mesmos trabalhos bem como na direcção da Loja.

Daqui se pode concluir o que eu afirmei anteriormente, e por estes mesmos motivos (!), que uma “Loja não é do Venerável Mestre, mas o Venerável Mestre é que é da Loja”, pois é a Loja que faz as “coisas” acontecerem, sendo o Venerável Mestre uma espécie de maestro que gere a orquestra, que neste caso é a Loja Maçónica da qual faz parte tanto como obreiro bem como ao mesmo tempo, investido na função que exerce. Um equilíbrio difícil por vezes…

Ou seja, o Venerável Mestre não está solitário na Loja bem como uma Loja não pode funcionar sem o seu Venerável Mestre.

- Para uns, isto é simples e fácil, para outros… “o cabo dos mundos”… -

O que é certo é que o exercício deste Ofício não pode nem deve ser levado como se fosse mais um “passeio pelo parque”, mas antes como uma demanda per si e pela Loja, e que a eleição para essa função foi o culminar de um período em que se encontrou ao serviço pela Loja e que começou quando foi Iniciado ao grau de Aprendiz e posteriormente por todos os ofícios que foi desempenhando ao longo dos tempos na Loja e pela Loja e que aquando o  final do seu veneralato, nesse momento, se remeterá às Colunas ou à função que o seu sucessor considere como sendo a mais válida para a Loja em si. Apartir de aí, outro mestre, por todos eleito, seguirá nos “comandos" da Loja; seguindo-se um ciclo repetido vezes sem conta desde o “início dos tempos”…

Assim e simplificando o assunto, o Venerável Mestre apenas será aquilo que a sua Loja queira que ele seja. 
E esta é que é a peculiaridade verdadeira que se pode assacar à função que ele exerce na Loja.
Porque o que importa, realmente, é a Loja… 
O resto, é simples “matéria e espírito”!
(Ou o Ego de alguns... e isso não tem qualquer valor em Maçonaria).

PS: Obviamente foi com alguma leveza e “mente aberta” que abordei o tema, pois de facto na realidade, o Venerável Mestre tudo conhece sobre o que se passa e deve passar no seio da Loja a que preside.
Mas não deixa de ser peculiar a forma de como é executado o Ritual e os “porquês” dos questionamentos que são feitos pelo Venerável Mestre no decorrer dos trabalhos da Respeitável Loja . 
Mas isso já são “contas para outro rosário”…