sexta-feira, 9 de novembro de 2018

"Mensagem aos Aprendizes..."

No início das Instruções dadas ao Aprendiz Maçom são lhe colocadas algumas questões genéricas que para além de servirem para telhar um Maçom, servem fundamentalmente para lhe suscitar algumas reflexões.
Questiona-se:

“De onde vimos?”

“O que fazemos por lá?”

“O que vimos então aqui fazer?”

“O que trazemos nós, então?!”

A essas perguntas, eu ainda acrescento estas que me parecem ser ainda mais importantes:

“Quem somos? 

Ou o que somos? 

E porquê!?”

Estas questões para alguém reconhecido como maçom, e que se considere como sendo um Aprendiz para o resto da sua vida, são a chamada "linha de partida" para o Caminho que pretenderá fazer.

São estas dúvidas que servirão de sustentáculo àquilo que procura. Pois serão essas dúvidas que o motivarão a atingir a meta daquilo a que se propõe a cumprir.

Ritualmente todas elas terão resposta; respostas essas que qualquer Aprendiz Maçom conhece desde a sua Iniciação. Mas, na realidade, estas questões que cito nada mais são do que as premissas para a nossa Caminhada na Vida e no mundo em que vivemos.

Apenas nos questionando e questionando o mundo à nossa volta é que poderemos ir mais longe!

Qual a nossa Origem?

Quais os nossos Deveres?

O que poderemos fazer para evoluir, melhorar?

O que poderemos fazer para sermos úteis aos outros?

Na prática, qual a nossa própria Identidade?

Talvez, as "primeiras" questões que abordei sejam apenas, vistas sob um outro "prisma", as mesmas que agora efectuei.

E mesmo dessas "primeiras" questões e/ou até mesmo das "segundas", poderemos encontrar outras que por sua vez nos permitam fazer as reflexões que importam ser feitas.

A este questionamento que aqui faço, por meio destas, aparentemente, simples perguntas, não me atrevo eu a responder. Pois as suas respostas tal como o meio para as obter são parte integrante do Caminho.
Aliás o método maçónico é ele mesmo um processo de questionamentos vários, onde inclusive nos auto-questionamos e salientamos o nosso conhecimento ou a sua ausência, isto é, aquilo que desconhecemos.

- A dúvida foi sempre a base de partida para o Homem poder evoluir! -

Eu já encontrei as minhas respostas. Os outros que tentem obter as deles...

Sei quem sou e porque o sou!

Sei de onde vim e o que por lá faço!

Conheço os meus deveres e obrigações!

E ofereço aquilo que posso oferecer sem nada esperar em troca!

Para mim, estas, já não são dúvidas... Apenas certezas!

E, Meus Queridos Irmãos Aprendizes, vocês que ainda há bem pouco tempo chegaram aqui, não podem ainda assumir saber tudo, pois também nunca o ninguém saberá…; mas estas perguntas que citei, estas dúvidas que alguém vos poderá colocar, testando-vos ou apenas formalizando e cumprindo determinadas ritualidades, estas sim, Meus Queridos Irmãos, estas já tanto vocês as conhecem como desde há algum tempo para cá que as suas respostas as devem praticar, mas principalmente as deverão sentir…

Assim, Meus Queridos Irmãos Aprendizes, espero que quando chegar o momento em que completem o vosso tempo na Coluna do Norte, onde realizam o vosso labor na Oficina de Aprendizes, com o auxílio do malho da vontade e do cinzel da vossa acção, burilando assim as asperezas da vossa pedra bruta, espero eu que as vinte e quatro horas disponíveis na régua do tempo, Vos tenham sido pródigas e auspiciosas, pois o que se esperará no futuro de Vós não será uma demanda fácil, mas também não será uma tarefa hercúlea, pois Vós sois capazes de demonstrar as vossas potencialidades e por isso mesmo conhecemos de antemão o que de Vós esperar.

Neste momento apenas quero felicitar-vos pela vossa jornada até aqui e incentivá-los e motivá-los a irem um pouco mais além.

Serão testados, terão de seguir outros e novos caminhos, ascendendo a patamares que não conhecem por ora, mas que Vos serão muito úteis no vosso futuro e nas vossas demandas…

Para já, não me alongarei mais sobre as vossas tarefas, sobre a vossa busca, sobre o vosso estudo… Deixo isso para mais tarde, para quando nos encontrármo-nos juntos  outra vez, novamente na ” linha de partida”, mas seguindo noutra direcção, rumo ao Sul…

E para tal, Meus Queridos Irmãos Aprendizes, apenas Vos solicito novamente o vosso empenho e o vosso silêncio, pois sem um e o outro nada poderão alcançar. Um dar-vos-á a coragem e embalo em prosseguir; o outro, a serenidade para que possam observar e escutar, mas principalmente sentir o que vos rodeia.

Por isso, Meus Queridos Irmãos, digo-Vos: “Até Já!”

E que rumemos a Midi...

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

"Maçonaria tóxica"...

Naturalmente que quem ler o título da publicação de hoje por certo ficará reticente com o que poderá encontrar nela pelo facto da afirmação escrita por mim ser um tanto forte. Mas desengane-se o leitor, uma vez que, aquilo que o título poderá encerrar não será na verdade o mais correto, apesar de ser uma assumpção que para alguns detractores da Ordem Maçónica seria o quanto bastaria um maçom fazer para que todas as opiniões e ideias que têm da Maçonaria serem as "verdadeiras". O que não é o que pretendo com a afirmação que fiz nem é a constatação da realidade em que vivemos.

Quando eu falo em Maçonaria “tóxica” naturalmente que não posso afirmar tal sobre uma tão proba e augusta Ordem como o é na realidade a Maçonaria. Abordo sim, os seus elementos, os maçons. Pois uma coisa é a Instituição Maçónica em si, outra coisa totalmente diferente são os membros que a compõem; Homens com as suas virtudes - e que na sua larga maioria é gente que as tenta enaltecer e potenciar-,  mas também com os seus defeitos próprios e naturais. O que importa realmente é o que fazer com estes últimos que citei…

Todavia, não querendo eu efectuar uma análise extensiva sobre o assunto em si mas apenas abordando a toxicidade existente na Maçonaria num sentido lato, quero eu dizer e reafirmando o que atrás disse, a Maçonaria nunca poderá ser tóxica na sua vivência nem na sua praxis, mas antes sim, os seus membros. E esta sua  toxicidade - dos seus obreiros - apenas poderá porvir do seu carácter, da sua conduta, da sua forma de viver e estar…

Parece que fiz uma afirmação austera demais e inglória?!

Não!

Disse apenas o que se pode constatar na realidade.

Se a Maçonaria é formada por pessoas com vários caracteres e feitios, existem os “bons maçons” mas infelizmente também, existem aqueles maçons cuja forma de estar intoxica a Ordem que os acolheu e que em última instância acabarão por (tentar) intoxicar os demais. 

Quando falo em maçons “tóxicos”, estes são aqueles maçons que não trabalham em prol da Ordem, não aprendem nem desejam aprender, nem estão sequer motivados para tal; não se comprometendo com nada e se o fazem, fazem-no por "obrigação" e os resultados dessas acções serão por demais evidentes; não praticam os ensinamentos ou os ideais da Maçonaria tanto na sua vida pública como no seu foro privado, que se abstêm de comparecer nas sessões ordinárias da sua Respeitável Loja; que a sua conduta é diferente daquilo que dela tanto propalam, mas que também para além disso, nas suas condutas profanas geralmente são pessoas que envenenam as suas relações profissionais, familiares e fraternais - isto, se as tiverem (!) - E se os há…

Uns sentem-se tão cheios de si, empertigados pelos seus “pedestais” e “medalhas”, outros falando por boca alheia sem meditar no que estão a dizer, cedendo o seu melhor bem que é o seu “pensamento” a outrem, preferindo ser instrumentalizados como “marionetas”  a bel-prazer de quem melhor possa atribuir encómios à sua pessoa ou até mesmo se submeterem a aqueles a quem possam retirar qualquer tipo de benefício ou dividendo para si próprios, manipulando a longa lista de contactos a que podem ter acesso pelo simples facto de terem entrado numa Ordem universal e com elevado número de membros.
Estes serão aqueles que geralmente se diz que "entraram na Maçonaria, mas que ela nunca entrou neles..." Os tais afamados "erros de casting"!

Mas apesar destas situações que confirmo a sua existência – nada que não seja natural nas várias instituições ou grupos sociais que o Homem integre; a Maçonaria é o “espelho” da sociedade em que se insere (!) – “não podemos tomar o todo por alguns” e a maioria suplanta amplamente esses poucos que o tempo sempre se encarrega de extirpar – quais cancros sociais – e são esses - a maioria - que no fundo fazem e refazem as instituições por onde passam, limpando e renovando a imagem que por vezes se torna imunda, pelas atitudes que de lés-a-lés são tornadas públicas, por gente que, talvez, nunca deveria ter sido cooptada pela Ordem.

O que se pode concluir é que a toxicidade existente na Maçonaria não é uma toxicidade "química" mas antes um certo tipo de toxicidade social e comportamental de uma parte ínfima dos seus obreiros.
E que estas pessoas que intoxicam a Instituição Maçónica acabam por dar algum eco razão aos detractores da Ordem, pois não poderemos nós nunca olvidar que os maiores inimigos da Maçonaria são e serão sempre os Maçons, disso tenho eu a certeza .
E o que fazer com estes “seres tóxicos” que deambulam por uma tão Augusta Ordem?

Dar-lhes “corda” suficiente para se “enforcarem”?

Entregar-lhes o “combustível” e o “detonador” necessário para se “queimarem”?

Deixá-los "caminhar até à ponta do precipício e incitá-los a saltar"?

Ou tentar  lhes demonstrar que o caminho que por ora seguem é um caminho para o “abismo”, possivelmente sem retorno, e que se tomado de forma inadvertida ainda poderá ter regresso ao trilho correto?

Algumas vezes pensei que a última sugestão/possibilidade seria a mais certa. Mas hoje em dia começo a ficar titubeante com a decisão a tomar. Se devo tomar a decisão que se suporia como sendo a mais correta ou se aquela que melhor me servirá…

De facto todos na nossa vida pessoal e em situações extremas, temos sempre uma atitude de “sobrevivência” e por isso mesmo temos a tendência de olharmos para o nosso “umbigo” e esquecer por breves instantes o bem comum. - O que não deveria acontecer, mas como humanos que somos, tal é sempre mais forte. Não podemos negar a nossa natureza e existência animal ! -.

Queira eu por isso e principalmente com o auxílio do Grande Arquitecto, com a sua Luz e Sabedoria, tomar sempre as melhores decisões que possa tomar em qualquer momento e agir de forma a que os meus pares, principalmente os que me reconhecem e que eu reconheço como tal - eles saberão por certo quem serão - nunca se sintam envergonhados pela minha conduta, seja esta demonstrada através de ações, omissões e/ou palavras... Porque se por vezes é necessário se falar e muito dizer (nem que seja para criar certo "ruído de fundo"), noutras situações será preferível não o fazer sequer.
Aliás sempre retive para mim que o "poder" do silêncio reside não quando nada se diz, por nada se ter para falar; mas antes sim, quanto muito temos para dizer e preferimos conscientemente nos manter calados...

Quanto aos seres tóxicos que por aí deambulam, esses, terão de fazer por eles…
Até porque se afirmam que também nem sabem ler nem escrever, alguns até mesmo dificilmente conseguiriam soletrar... até mesmo a sua língua materna!

PS: Escrito e publicado por mim originalmente aqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

"Veneráveis e Veneralatos"...

Estando a época das Instalações de Veneráveis Mestres nas suas Respeitáveis Lojas terminada na maioria das Obediências Maçónicas, venho hoje partilhar um texto que elaborei há algum tempo atrás, mas com a devida edição do texto, face ao momento actual. Texto esse que pode ser consultado no seu original aqui.

"É de fulcral relevância salientar o contributo que os Veneráveis Mestres (VM) ("presidentes da Loja")  têm em relação à vida interna destas Lojas.

A própria dinâmica da Loja depende grande parte da dinâmica imprimida pelo seu Venerável Mestre bem como pela sua forma de gerir os "destinos" da Loja.
Uma larga maioria não consegue separar -  e isto não é crítica sequer - o mundo profano do mundo iniciático, ou seja, por defeito profissional, muitos nas suas vidas laborais gerem e dirigem pessoas, logo tenderão a agir na Maçonaria da mesma forma que o fazem no mundo profano. Sendo também, por isso mesmo, mais fácil para estes tomar a seu cargo os destinos de uma Loja e a gerir o que lá se passa no seu interior. Mas não releguemos também que a sua forma de agir e estar perante a Sociedade, a sua Educação e Formação Académica também auxiliam e muito o seu (bom!) desempenho, nomeadamente na forma de lidar com a Loja e os seus membros.

Não existem manuais de sobrevivência para um "VM", existirão sim pequenos guias ou opúsculos que algumas Lojas ou Obediências tenham escrito para facilitarem um pouco a vida de quem durante um ano (em média) terá a responsabilidade de gerir a Loja, mas o essencial para a gestão da Loja será a sua vivência e praxis maçónica. Sendo que uns serão mais "ritualistas" e outros mais "administrativos" no cumprimento das suas funções. 

- Cada um como cada qual... - 

Mas não obstante, esta diferenciação da forma de gerir e de estar, pois a cada identidade corresponderá uma forma de gerir, permite a vantagem mesmo que uma Loja tenha uma prática de trabalho homogénea, esta será sempre um pouco diferente de ano para ano, possibilitando aos seus membros não ficarem reféns de um certo marasmo que não lhes possibilite evoluir, seja maçónicamente quer pessoalmente.

Outra das vantagens que diferentes abordagens ou estilos de gestão permite, é que pelo facto de a presidência da Loja ser quase sempre anual e dependente de sufrágio pelos Mestres que compõem a assembleia da Loja,  impedirá, por certo(!), determinadas formas gestionárias de cariz ditatorial prolongadas no tempo; resultando que se um dado "VM" desempenhar mal ou de forma nefasta o seu cargo, a Loja somente terá de o "aturar"  um ano - ou menos! -, mas possibilitando a alguém que desempenhou um bom ofício, que soube conviver bem com as responsabilidades que lhe estavam inerentes, e que num bom português eu possa dizer que tenha levado a Loja a "bom porto", deixando saudades e inclusive "fazendo escola", criando assim alguns seguidores que queiram prosseguir nessa forma de (bem) gerir.

- E cada Loja é uma Loja, tal como cada maçom é diferente do seu semelhante -.

Cada Loja tem a sua identidade própria, podendo ser parecida ou não com as outras de uma mesma Obediência, até porque cada Loja é formada por gente que também pode ser diferente entre si. A heterogenia dos seus membros é uma das grandes qualidades que a Ordem Maçónica se pode orgulhar e enaltecer.

Mas por outro lado, e porque nem tudo "são rosas...", nem sempre corre tudo bem ou como deveria ocorrer, dado existirem, por vezes, Lojas que não deveriam estar sequer em funcionamento dado que o que se passa no seu seio ser tudo menos maçónico, e quase sempre com a conivência do seu "VM". - mesmo que ele não seja o responsável por tais actos, a Loja depende dele e ele será sempre a pessoa que dará a cara pela Loja! - E por causa disto é que um "VM" tem de ter características naturais de um Homem bom, Livre e com bons costumes,  - soa a "beato" mas é assim que tem de ser - para que tais situações menos nobres não ofusquem a Luz que deve resultar da Maçonaria e emanar na sociedade à sua volta.

Ser "VM" nao é tarefa fácil, não é "bater malhete" como se queira... Existem determinadas regras a cumprir e a fazer por cumprir!

Logo, ser investido nas funções de Venerável Mestre não poder ser encarado de forma singela, mas antes como uma demanda tanto pessoal como colectiva. Pessoal porque tal é desempenhado através de um labor próprio e que depende intrinsecamente de si mesmo, e colectivo porque é feito a bem da Loja e da Obediência em geral.

Não é fácil esta tarefa, tal como salientei. E uma parte importante deste trabalho também e que não pode ser esquecida é o apoio que os obreiros da Loja dão ao seu "VM", auxiliando-o na condução dos "trabalhos", promovendo iniciativas em prol da Loja, produzindo Trabalhos/Pranchas  e debatendo respeitosamente a vida interna da Loja. 

Apenas uma Loja com obreiros activos e cujo "VM" seja alguém que possibilite a troca de ideias efectivas, terá um bom prenúncio na sua existência, pois as boas decisões nunca estão sozinhas e muitas das vezes para serem correctamente aplicadas dependerão daqueles que, por sinal, as terão de cumprir...

E por isto que anteriormente afirmei é que considero que uma Loja não é do seu Venerável Mestre, mas sim, que o Venerável Mestre é que é da Loja!
E quem não interiorizar isto, ou não sabe ao que se propõe ou não estará bem na Maçonaria...

Mas nem sempre quem já foi "VM" quis despir o seu cargo, isto é, são mestres que embora já não detenham essas funções, mas que mesmo assim desejam e insistem em o a continuar a o ser... Obstaculizando de forma premente o trabalho que o "VM" em exercício possa fazer. Condicionando este com atitudes ou ideias suas e acicatando os demais obreiros contra o desempenho do seu "VM"; considerando eu isto como uma forma de rebelião que não deveria ter lugar num espaço onde a fraternidade deveria ser um dos seus pilares fundamentais.
Mas pior que isto, serão aqueles que nunca cumpriram tal ofício mas que acham que o desempenharam ou que detêm o direito de o vir a ocupar de forma unilateral, condicionando activamente o desempenho que o "VM" deverá levar a seu cargo...

-Enfim, há de tudo um pouco... infelizmente! -

Até existem aqueles, sendo mestres ou não, que se acham a "voz da razão" e assim se acharem os "donos da Loja", bloqueando tudo (ou quase...) aquilo a que se propusera a fazer o seu "VM". E esta forma de inquinar uma Loja não deveria ser aceite pelos seus membros e muito menos ser feita com a complacência de um "VM", pois foi ele o eleito para a direcção da Loja e mais ninguém. Uma coisa é um "VM"  aconselhar-se, outra diferente, é deixar outros executarem o seu trabalho.

E é por isto que amíude existem cisões e/ou "abatimentos de colunas" de Lojas com "adormecimentos" ou transferências de membros para outras Lojas, porque já não é possível a convivência entre si. Deixando eu à reflexão para os demais esta situação que é deveras importante para a sobrevivência de uma Loja.

Um "VM" que saiba desempenhar bem o seu cargo nunca permitirá que aconteça o que eu referi e saberá, ou pelo menos tentará, gerir os egos e diferenças de opinião que existem no seio da sua Loja. Essa sim, será talvez a maior dificuldade que poderá encontrar durante o seu veneralato, pois as questões rituais ou administrativas, quando não são graves, são facilmente tratadas ou ultrapassadas. E regra geral são as Admissões de profanos com as suas Iniciações,os "aumentos de salários/graus", gestão corrente da tesouraria da Loja e pouco mais. Aqui sim, um "VM" pode pelas suas qualidades pessoais fazer diferente dos restantes que passam por essa função; a tal "dinâmica" que abordei.

Por isso devem as Lojas contarem nas suas Colunas com gente com conhecimentos suficientes para fazer prosperar a Loja. Apoiando-se  (as Lojas) nos seus membros mais antigos que com a sua experiência e sabedoria corrigem qualquer "desvio administrativo" ou erro ritual que possa surgir, bem como nos seus membros mais recentes, gente pronta a "arregaçar as mangas" e por-se a trabalhar, assim os deixem. 

-É somente devido a esta conflexão de "ideias e vontades", convergindo numa acção perseverante e regular, é que uma Loja tem um bom futuro assegurado.-

Não basta viver à sombra de feitos do passado, ou à espera dos ventos de mudança do futuro, as Lojas são "organismos vivos", logo sujeitos à mudança, evolução, cisão... E desse modo deve ter nas suas fileiras gente que pela sua forma de estar, pela sua sensibilidade pessoal  e apoiada nos vastos conhecimentos de alguns dos seus Irmãos, podem ser "herdeiros naturais" da linha de sucessão criada à vários anos na sua Loja respectiva e que ainda hoje em dia é prática comum na maioria das Lojas maçónicas.

E concluindo um texto que já vai longo, um Venerável Mestre como sendo alguém com a responsabilidade da gestão anual da Loja, nunca poderá pensar a curto prazo, apenas na gestão corrente, mas sempre com um pensamento a médio/longo prazo, para que a Loja não divirja nos seus destinos, não se preocupando em deixar um "legado pessoal" mas sim, algo sustentado pelo tempo. E por isso mesmo, deve ser alguém com vontade de trabalhar e com "espírito diligente" e rigoroso, sendo meticuloso e disciplinado no que faz, devendo ser o melhor "relações públicas" da sua Loja, pois ele é que dará a cara por ela; não devendo ter um perfil autocrático, mas antes um elevado sentido fraterno. 
Em suma, ser alguém que goste de trabalhar e que o faça pelos outros, não esperando qualquer tipo de encómios à sua pessoa.  

- Somente tendo uma postura humilde perante os seus pares, pode um "VM" ser exaltado pelos demais, e isto se assim o tiver de ser... - 

Para além disso, terá de ser alguém capaz de estabelecer pontes entre os Irmãos que tenham divergências ou contendas entre si, sendo um bom ouvinte e confidente, para além de ter a capacidade em aconselhar os obreiros naquilo que necessitem do seu "VM", e que saiba agir com a "parcimónia" necessária ao seu cargo, sem impulsos ou afins... pois terá de ter a ponderação necessária a cada decisão que tenha de tomar ou que venha a ter de aplicar em relação às funções a si designadas como representante da Loja na Obediência onde esta se encontra filiada. E chegando ao final do seu veneralato, ter a capacidade de fazer um auto-exame de consciência e reflectir no que se propôs a fazer, no que fez e no que poderia ter feito e extrair de aí as suas próprias conclusões, por forma a que quando se sentar no Oriente ao lado do próximo "VM", poder ser ele, também, uma "voz" de e em auxilio a este, porque a função de Past-Venerável ou Mestre Instalado não é mais que isso, uma voz em auxilio do novo Venerável Mestre. 

E como "VM" reconhecer que recebeu a Loja com um determinado funcionamento, em determinado momento, e que entregou ao seu substituto na "cadeira de Salomão" uma Loja que deverá ser mais coesa e mais forte do que aquela que terá recebido do seu antecessor, - esta é a sua obrigação! - o que nem sempre é simples de ser feito. 
Não deixando nunca de ter sempre presente a noção de que por qual forma pretenderá  ser (re)conhecido no final do seu ano de trabalho, se por ter sido "Venerável" ou pelo seu "Veneralato"...

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

"Salários na Maçonaria..."

Normalmente quem está fora da Maçonaria, no mundo profano, ouve habitualmente referências a salários, pagamentos de salários, aumentos de salários e afins…

Hoje venho abordar um pouco sobre o que este tema concerne, e porque dado ainda me encontrar investido nas funções de Primeiro Vigilante da Respeitável Loja da qual ainda sou obreiro do seu quadro de membros, fará todo o sentido o abordar.

Numa Loja Maçónica quem tem o dever de, ritualmente, pagar os salários aos obreiros da Loja é o Primeiro Vigilante que se encontre em funções na Respeitável Loja.

A palavra salário deriva da palavra latina “salarium” e era a forma como eram pagos os vencimentos dos soldados na Roma Antiga, a qual era feita através de sal, perpetuando-se o uso dessa expressão até aos presentes dias.

Há referências ao pagamento de salários aos operários de construção civil da Idade Média e de épocas posteriores a esta, nas “Old Charges” ou “Cartas de Deveres”, tendo esses pagamentos sido regulados e regulamentados através da elaboração deste tipo de documentos.

Já na Maçonaria actual, este dito “pagamento” é feito através da obtenção de conhecimento, da progressão gradativa na Ordem,  pois  nada ou ninguém pode esperar ser ressarcido do seu labor de outra forma que não esta.

- Não esquecer que os metais são deixados fora do Templo - .

Apenas o auto-aperfeiçoamento moral de cada um, executado com o aproveitamento da utilização da vasta simbologia maçónica ao seu alcance e da boa compreensão das alegorias que revestem a Maçonaria, da prática da fraternidade entre todos e aplicando a filosofia maçónica na sua vida, serão a melhor retribuição que o maçom pode esperar para si; aliás no Salmo 128:2: “Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem” reside o “core” do salário do Maçom.

 E é nas Sagradas Escrituras Cristãs que encontramos também menção ao direito ao salário de quem trabalha e à hora a que o mesmo deve ser realizado, nomeadamente em Mateus 20:6-9: “E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou- lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.
”.

Saliento ainda que o local onde este salário deve ser realizado é sugerido em Rute 2:19 : ”Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste? Bendito seja aquele que te reconheceu. E relatou à sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.”.

Também o trabalho executado pelo Maçom o foi realizado através da sua própria força! Por isso nada melhor que também esta (força) seja relevada e que ele aufira o seu pagamento, nada menos que, na Coluna que a Força representa.

E qualquer maçom pode ver aumentado este seu salário, pois com estudo, empenho, frequentando os trabalhos das sessões da sua Respeitável Loja e apresentando Trabalhos que demonstrem os seus conhecimentos, assim poderá tal acontecer; sendo isso traduzido pelo aumento da sua graduação na Loja, subindo de Grau na Maçonaria.

Deste modo, retiro qualquer dúvida que possa haver face ao pagamento de salários na Maçonaria, porque ninguém pode esperar qualquer proveito ou retorno económico com a sua adesão a esta tão Augusta Ordem. Aliás, por norma passa-se o seu reverso, despende-se é algum tempo e dinheiro com a pertença a esta Instituição, nomeadamente são gastos temporais com a presença e frequência das sessões da Loja a que se pertença ou outras que se visite bem como com gastos financeiros referentes ao pagamento de quotas mensais e de subidas de graus, para além das tão habituais contribuições para os fundos de maneio das Lojas e seus “Troncos da Viúva” que são normalmente utilizados para apoiar algum Irmão ou família necessitada, ou outros quaisquer projectos de âmbito social que a Loja apoie.

Outras formas de pagamento  de salário  poderão decorrer na Maçonaria ou no seio das Obediências Maçónicas, mas decorrem apenas das suas obrigações administrativas, nomeadamente o pagamento dos vencimentos aos funcionários administrativos que trabalham nelas bem como algum tipo de “auxílio de custo” a quem, por qualquer motivo necessário e relevante, represente a própria Obediência.

Assim, quanto a salários em Maçonaria, seus “ganhos” ou “gastos”, é mais “o que sai do bolso do que o que entra”, aliás, esse é zero!

Apenas podemos contar com Conhecimento e Fraternidade!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

"O Nível..."

No texto que hoje publico vou abordar uma das Jóias – o Nível - que para mim tem mais relevância em Maçonaria, dado também ser de momento a Jóia que envergo devido às funções que presentemente exerço na Respeitável Loja da qual sou membro do seu quadro de obreiros, tendo eu sido investido no ofício de Primeiro Vigilante durante este  veneralato que agora termina.

O Nível é a Jóia do Primeiro Vigilante. Esta jóia permite que ele seja reconhecido pelos outros maçons presentes no Templo Maçónico durante o decorrer dos “Trabalhos” de uma Respeitável Loja.  Sendo o Primeiro Vigilante o primeiro oficial da Loja precedido pelo Venerável Mestre e seguido pelo Segundo Vigilante; representando os três as designadas “Luzes da Loja”.

O Nível  é um instrumento cuja simbólica representa o princípio da Igualdade, a base do direito natural entre os Homens, mas principalmente entre todos os maçons, que apesar das suas diferenças, aos olhos do Grande Arquitecto do Universo, são todos iguais e sem qualquer tipo de distinção entre eles.

O Nível faz parte do grupo de instrumentos que em conjunto com o Esquadro e o Prumo,  são designados como sendo as “Jóias Fixas” da Loja.

O Nível, como instrumento de construção, é destinado, principalmente, a determinar a horizontalidade de um plano e averiguar a diferença ou a igualdade entre dois pontos no plano.

O Nível é habitualmente formado por um esquadro e um prumo que se encontra pendente no seu centro, permitindo desse modo medir a verticalidade e a horizontalidade em simultâneo, de modo que também seja passível de serem estabelecidas linhas paralelas no traçado de uma obra. Outra forma de representação do Nível é a de um triângulo, saindo uma perpendicular do seu ápice, ficando esta solta no espaço, com um pequeno peso na ponta, dividindo desse modo o triângulo em dois pequenos esquadros.

O Nível por ser formado por um esquadro (a jóia do Venerável Mestre), mas menos acurado que este, contudo mais completo que o Prumo (a jóia do Segundo Vigilante), tanto que esse é também um dos motivos pelos quais que também se considera o Primeiro Vigilante como sendo o natural substituto do Venerável Mestre nas ausências deste.

O Nível também em conjunto com o esquadro possibilita que a construção horizontal e vertical seja empregue de forma correcta, pelo que se associarmos os tijolos utilizados numa construção como sendo maçons na sua Loja, a matéria-prima, facilmente podemos concluir que a aplicação do nível pelo Primeiro Vigilante leva os maçons à igualdade e à sustentação do Templo maçónico. Por isso considera-se o Nível como sendo uma ferramenta passiva pelo facto de este ser um instrumento que a todos nivela e submete às Leis maçónicas, sem qualquer tipo de distinção.

- Não deixa de passar despercebido o facto de que a jóia do Primeiro Vigilante ser formada pelo conjunto das jóias do Venerável Mestre e do Segundo Vigilante, sendo estes considerados as “Luzes da Loja”. Interessante! –

O Nível também se encontra ligado à forma de como o Aprendiz chegará a Companheiro, pois ele advirá do Prumo para chegar ao Nível, transitando do Setentrião para o Sul da Loja, ficando às ordens e sob a formação e responsabilidade do Primeiro Vigilante.
 - Aliás costumo afirmar em tom, quicá, jocoso que o maçom é aprumado primeiro pelo Segundo Vigilante e nivelado depois pelo Primeiro Vigilante.-

Aproveito para referir que na maçonaria operativa, uma das funções do capataz ou superintendente-da-obra, o actual Primeiro Vigilante, era a de verificar frequentemente o nivelamento da construção a seu cargo com esta ferramenta de tão grande importância, de modo a que a edificação decorre-se de forma estável e firme, sem qualquer desnível ou irregularidade.

A própria solidez de um edifício somente pode ser atingida através da utilização do Nível (ressalvando mais uma vez a relação força/sólido/fortaleza/firmeza que aparecem em referência ao Primeiro Vigilante), pois sem ele, relegaríamos a importância da consonância e do equilíbrio entre o crescimento em altura e a respectiva expansão no solo durante a construção de um edifício. Simbolicamente isto pode ser facilmente descortinado de que a progressão vertical deve estar acompanhada por uma correspondente expansão horizontal, pois o Nível do Primeiro Vigilante em conjunto com o Prumo do Segundo Vigilante, demonstram/ensinam a lição de que o equilíbrio é a todo momento necessário, facto este indispensável a cada etapa de crescimento ou à sã progressão natural, seja ela maçónica ou profana, indicando assim que o crescimento e a elevação se expandem ao chegar a maturidade, transmitindo a estabilidade e a frutificação das nossas aspirações.

É através do auxílio e da utilização do Nível que compete ao Primeiro Vigilante aplicar de forma correcta e transversal os conhecimentos que detém, agindo de forma imparcial, tolerante e harmoniosa, mantendo a rectitude e igualdade entre todos obreiros  perante as leis e morais maçónicas (apesar das funções ou “qualidade” que estes detenham, pois tudo é efémero!), vivenciando estas com cordialidade no trato, carinho, educação e respeito entre todos, seja entre aquele que de momento ocupa o mais elevado grau na Ordem, seja sobre aquele que ainda agora foi iniciado nos nossos mistérios… Desta forma o Nível relembra que ninguém deve dominar outrem.

- Até porque todos nós teremos o mesmo fim. Tempus fugit… -.

E é a esse fim, que o Nível nos, contudo, remete; para o grande final, o memento mori,  a Morte!  Essa grande niveladora de todos os Tempos e que a todos acorre e que conduz ao Grande Oriente Eterno, para junto do Grande Arquitecto do Universo, na Grande Loja Celestial…

É também graças à Morte, que é feita a reflexão sobre o que devemos fazer, como devemos agir, qual o nosso papel no mundo, e qual a forma de melhor passarmos o tempo que o Altíssimo nos consignou. Carpe Diem!

E somente com o cimento do amor fraterno tal pode ser alcançável, pois já Salomão dizia nos seus Cânticos 8:6 :”… porque o amor é forte como a morte,….”, e como tal compete-nos perseverar nessa luta diária com a Morte até ao dia em que ela, finalmente, nos derrotará. E mesmo quando tal suceder, que este mesmo amor fraternal que nos une seja ele também a semente da lembrança, porque quem é relembrado nunca perecerá…

Aproveito ainda para recordar que o Nível encontra presença também ele, de certa forma e à sua maneira, em alguns Sinais Penais da Maçonaria. Também estes de uma certa maneira associados à Morte ou à forma como poderá decorrer a morte a quem quebrar os juramentos prestados perante todos e a bem da Ordem em geral. Juramentos estes feitos de plena vontade e em total consciência dos mesmos.
A não esquecer… tal miosótis este!

Bibliografia:
·         George Oliver, “A dictionary of Symbolical Masonry”, 1853
·         Henrik Bogdan & Jan Snoek , Brill Handbooks on
Contemporary Religion Vol.8, “Handbook of Freemasonry”, 2014
·         Humberto Antonio Camejo Arias, “Simbolismo e Diccionario Masónico”, 2014
·         Iván Michel Herrera, “ Las Herramientas Masónicas”, 2013
·         Jaime Ayala Ponce, “Diccionario Masonico y Esoterico”
·         Juan Carlos Daza, “Diccionario Akal de Francmasoneria”, 1997
·         Jules Boucher, “A Simbólica Maçónica”, 2006
·         Júlio Resende (GOB), “Cargos em Loja”, 2014
·         Plutarco (NS), Gran Logia Equinoccial del Equador B.·. R.·. L.·. S.·. “Luis Vargas Torres No. 17”,Simbolismo Masonico de las Dignidades y Oficiales, Las Joyas Fijas y Moviles”
·         Rizzardo da Camino, “Simbolismo do Primeiro Grau”, 1998

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

"Midi..."

No sul, vi colunas de espigas que o horizonte pareciam (ultra)passar...
Esquadrinhados campos estes cujos (des)níveis foram aprumados;
alavancados em cinco corpos que partilhavam, 
compassadamente, entre si, o pão.

Inebriado por tais vistas e rodeado pelas liberais artes que nessa paisagem figuravam, absorto fiquei.
Se não fosse a música das esferas, nesse momento, 
para a vida me despertar e ainda hoje por lá me encontraria, 
na pedreira, a cinzelar.

Reparei que era meio-dia e muito ainda havia por fazer,
dirigi-me então à entrada da casa do pai e, 
na sua direita, uma escadaria estabeleci.

Do seu alto, o astro-rei nos iluminava, 
suscitando a ideia que para lá do céu não há qualquer limite...
Nem para mim, nem para ti! 
Rumando a Midi...

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

"Freemason.pt"

A publicação que hoje partilho convosco é no sentido de Vos dar a conhecer a existência do projecto " Freemason.pt".

O "Freemason.pt" é um site onde se publicam textos exclusivos sobre a temática maçónica.
É um espaço onde um  iniciado nos mistérios da Arte Real ou onde um qualquer mero curioso sobre o que este tema diz respeito pode visitar e consultar o que alguns autores maçónicos vão fazendo.
É um espaço onde qualquer maçom, independentemente da sua origem e filiação, pode vir a publicar os seus Trabalhos/Pranchas maçónicas, desde que as mesmas preencham os requisitos do mesmo.
Por lá podemos encontrar de tudo um pouco, desde simples artigos, passando por poemas maçónicos até a Pranchas mais extensas e formativas.

É um local que, de facto, aconselho vivamente a sua visita, pois é um local onde é desenvolvido um trabalho honesto e sério, e é isso que de facto que importa para a Maçonaria e para os maçons.
A não perder...

sexta-feira, 27 de julho de 2018

"Rosae+Crucis..."

Com um sentimento revelado por uma  pacífica profundidade,
cruzada foi a rosácea que na real arte foi casada.
Pois cristão algum, por mais fraterno que fosse,
ficou famoso por apenas se confessar...

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Eleição para o ofício de Muito Respeitável Grão-Mestre da GLLP/GLRP referente ao mandato de 2018/2020...


Foi eleito para o cargo de Muito Respeitável Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, o Respeitável Irmão Armindo Azevedo.

O Respeitável Irmão Armindo Azevedo que desempenhava até agora, e até esta eleição, a função de Respeitável Grande Inspetor do Rito de Emulação, irá desempenhar as funções de Muito Respeitável Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal/GLRP para o qual foi sufragado pelos Mestres Maçons desta Obediência, para o biénio de 2018/2020; sucedendo desta forma ao Muito Respeitável Irmão Júlio Meirinhos que ocupou o Trono De Salomão durante 2 mandatos consecutivos compreendidos entre 2014 a 2018.

O Respeitável Irmão Armindo será investido nestas suas novas funções, tornando-se ele como " o representante" da Maçonaria Regular em Portugal por altura do próximo equinócio de Outono.

Da minha parte, faço votos que seja um mandato laborioso e  profícuo em prol da Maçonaria Regular em Portugal e pela Maçonaria na sua generalidade.
E que este seja um mandato onde a Paz, a Concórdia, a  Justiça, a Honra e a Virtude andem de par a par e onde se consolidem os valores que esta tão nobre Instituição se orgulha de representar, bem como e não menos que isso, que seja um mandato onde se cimente a Fraternidade entre os Irmãos desta mesma Obediência.
Estes são os meus sinceros desejos...

sexta-feira, 29 de junho de 2018

"Fraternitas..."

Tem dias em que gostaria eu de saber ler e escrever para poder traçar no papel e ver quão bela a letra que teria uma palavra, latina, que apenas sei soletrar... uma vez que a Vida já se encarregou de me a fazer vivenciar...
Todavia, nada é possível sem reconhecimento... do nosso, dos outros...
Enfim, de todos...

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sugestão Literária (19)...


Há já algum tempo que por este espaço não fazia qualquer sugestão literária, deste modo hoje aproveito para sugerir a aquisição e a óbvia leitura do livro “À Mesa na Trindade, Diálogos sobre a Maçonaria” do meu estimado “hermano” Nuno Cruz e cuja edição é da "Tecto das Nuvens";  para mais facilmente ser identificado digo-Vos que tem o ISBN: 9789895412815.

Tive a grata oportunidade de estar na sessão de lançamento deste livro no Palácio Maçónico; sendo o Nuno obreiro no Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, fez todo o sentido ter apresentado a sua Obra no Grémio Lusitano, tendo também tido a felicidade do prefácio deste livro ter saído da  mão do seu Sereníssimo Grão-Mestre, Fernando Lima, e co-apresentado pelo director do Museu Maçónico, Fernando Sacramento, e por um dos maiores e mais eloquentes historiadores da História da Maçonaria em Portugal, o Professor António Ventura.

Foi uma sessão agradável, no final da tarde do dia 11 do corrente mês, e onde compareceram Irmãos e Irmãs representando as várias Obediências existentes em Portugal, demonstrando o elevado sentido fraternal existente bem como tal me leva a reflectir que a Maçonaria em Portugal tem “pernas para andar” se houver "caminho" para percorrer…

Das palavras proferidas pelos palestrantes, apenas posso afirmar que: “Fazem falta mais eventos como este!!! “.

Quanto ao livro, deixo-Vos a imagem da sua Capa e atiço a Vossa curiosidade em relação a ele. E num registo mais ligeiro posso-Vos dizer que é um livro bastante interessante, escrito de uma forma simples e de fácil interpretação mesmo para quem não tenha sido iniciado nos mistérios da Arte Real e com reflexões, quiçá (!), relevantes para os dias que correm, tudo com base num diálogo elaborado entre um Mestre mais batido nestas andanças com um recém Aprendiz na Ordem e que resultou de alguns encontros entre ambos e onde, em jeito de conversa, foram desconstruindo este tema tão caro a todos nós, a Maçonaria.

De facto, a não perder!


E Nuno, Muito Obrigado por este livro com que nos brindaste a todos! Aguardo pelo próximo!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

"Geometrias..."


Serão os dias do fim?
ou o início de algo melhor?!
Foi dito "Fiat Lux", e ela se fez...

Sub-rosa de uma acácia,
eles foram lançados...
Para onde, poucos o sabem...

Pois só aquele que tudo geometriza, em bom rigor, o decidirá...

Será sempre preferível ter um pássaro na grelha
que três a voar...
Porque sete se sentarão à mesa,
e destes, cinco o irão esquadrinhar,
para que no fim, um os possa representar...

Na bahutte ou fora dela,
estreita é a via em que seguimos;
Com a régua, o compasso e o esquadro como utensílios,
a prancha será traçada!

Dentre muitos que a poderão ver,
somente os eleitos irão a entender...

sexta-feira, 18 de maio de 2018

"Maçons, Livres-pensadores..."

Aqui há uns tempos em conversa com um amigo sobre determinado tema, disse-lhe eu isto: “eu apenas te mostro o mapa, caberá a ti escolheres o caminho”. E de facto esta é a realidade em que temos de viver. Ou seja, nós somos as nossas “escolhas”, nós somos as “decisões” que tomamos e as ações que decidimos praticar.

Por mais que uns nos digam para irmos para a “esquerda” , outros para a “direita” e alguns inclusive nos digam para seguir pelo “meio”, a decisão final sairá de nós próprios, da nossa vontade, independentemente das indicações e dos conselhos que recebamos e que possam nos auxiliar na decisão a tomar.

Se decidirmos agir de certa maneira, coincidindo ou não com o que a generalidade ou somente com o que alguns considerem sobre tal , foi a nossa mente que o decidiu.
Assim, todos nós na nossa Vida somos  - e seremos sempre - responsáveis por aquilo que decidirmos, sejam acções ou palavras e até mesmo pelos mais simples pensamentos.
- Fomos nós que os criamos/produzimos, logo somos nós responsáveis por eles, por inerência-.
Por mais influências que recebamos externamente, é o nosso íntimo, o nosso “Soi”, que irá efectuar a escolha do que concretamente iremos fazer.

Será a mais correta?!
Será a mais eficaz?!
Será a mais proveitosa?!

O que sabemos é que é a nossa decisão e apenas isso. Foi o que optámos por decidir. E que tal decisão seja sempre tomada em consciência com os princípios que advoguemos e com os quais nos sintamos devidamente identificados.
-Sejamos honestos, íntegros e coerentes nas nossas decisões!-

Os maçons, “livres-pensadores” como orgulhosamente se assumem, devem ter bem a noção de tal. Não bastará assumir algo ou determinada coisa para depois não se praticar isso na realidade.
É sempre esperado que um maçom use o seu bom senso e os seus bons costumes para decidir, se possível sempre, da melhor forma possível face às situações que a vida lhe apresenta.
-Tem o dever de agir dessa forma!-

O que poderá acontecer, e muitas vezes é inevitável tal, é que nem sempre as decisões tomadas possam ser as melhores ou mais corretas, uma vez que o maçom, tal como outro ser humano qualquer, também erra, mas como maçom tem a obrigação de aprender com esse erro e evitá-lo no seu futuro.
E aqui assumo que os maçons também erram, infelizmente algumas vezes e talvez, digo eu, vezes demais. Mas como o maçom é alguém que busca evoluir espiritualmente, ele também estará susceptível de efectuar mudanças no seu comportamento; logo também as suas decisões serão influenciadas pelas mudanças/”transformações” que sofrer e as suas atitudes se revelarão melhor no seu comportamento e carácter. Tudo isto em prol do seu auto-aperfeiçoamento enquanto ser humano.
Isso será o tal “polimento”, o tal “burilamento da pedra bruta” que na Maçonaria tanto se fala.

Os vícios ou erros comportamentais que possam ter existido na sua conduta no passado, deverão ficar aí mesmo, no passado. E “como de passado apenas vivem os museus” (como é usual se afirmar), no momento da Iniciação, no momento em que o recém neófito encontra a sua primeira centelha da Luz, nasce como uma nova pessoa, um “novo Homem”, e como tal terá acesso a “ferramentas sociais e espirituais” que poderá utilizar para melhor atingir o seu “nirvana”, por assim dizer.

O que interessa por vezes não é o mapa mas o caminho que se seguiu, mesmo para o nosso auto-aperfeiçoamento, o que importa é que decidimos livremente as decisões que tomámos e que escolhemos sempre, mediante o que a vida nos vai apresentando e mediante as condições que temos, mas que foram  as melhores decisões que considerámos que podíamos e/ou devíamos tomar ou ter tomado. Isso sim, é o mais importante nisto tudo.

Este caminho que seguimos é feito sozinho (somos nós que o temos que fazer) mas não é solitário (pois outros o fazem também) e temos ter a consciência e a noção disto.
Se olharmos para o lado veremos alguém a viver as mesmas situações ou outras, com decisões tomadas semelhantes ou completamente diferentes daquelas que, se fosse connosco, tomaríamos. A vida é isto mesmo, cheia de imponderáveis e é essa uma das mais valias de viver, a cada passo dado, a cada momento, nunca sabemos o que se seguirá, apenas o podemos tentar prever e nada mais.

O que concluindo posso afirmar é que independentemente das decisões e escolhas que tomemos, somos nós que o deveremos fazer e não outrem. E por elas nos responsabilizarmos. São estas decisões que nos definem como pessoas!
A  grande diferença que temos em relação aos restantes seres vivos é a nossa “massa cinzenta” e que é devido a ela que pudemos livremente pensar.
É altura de a começarmos a valorizar mais e principalmente em a começar a usar de uma forma correta e eficiente.
E posto isto, porque não… pensar?!

PS: Texto escrito por mim e originalmente publicado aqui.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Para Escutar (26)...


Hoje a música que Vos trago é da autoria do Irmão Howie Damron, numa sonoridade tipicamente norte-americana, o Country Music. 
A canção " The Masonic Ring" é uma composição com uma letra bastante interessante e encontra-se muito bem orquestrada; sendo esta uma canção muito fácil de se escutar e que deixará a qualquer maçom a vontade  de a repetir ...
Para mais informações sobre o autor, clicar aqui e aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Os “Baixos Graus Maçónicos”

A Maçonaria é uma Ordem Iniciática, progressiva, fraternal e de cariz filosófico e devido a isso o modo de adquirir “conhecimento”, de “Luz”, é feito de uma forma gradual e  ao longo dos tempos.

Na Maçonaria existem as chamadas Lojas Simbólicas ou “Azuis” que trabalham exclusivamente os três primeiros graus da Maçonaria (Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom) e as Lojas dos Graus Filosóficos ou Capitulares ou comummente designadas por Lojas dos Altos Graus da Maçonaria, sendo que um dos motivos que levaram à criação destes graus superiores é o processo gradativo-iniciático da obtenção de “Luz” na Maçonaria.

E por “Alto Grau” ou “grau superior” entende-se qualquer grau que algum maçom detenha, e no qual tenha sido iniciado ou comunicado, acima do terceiro grau da Maçonaria, o Grau de Mestre Maçom.

O total ou quantidade destes designados “altos graus” depende do Rito que seja trabalhado ou ao qual pertençam os maçons, sendo que geralmente o público ouve habitualmente falar nos trinta e três graus da Maçonaria, mas estes apenas são graus numéricos exclusivos de alguns Ritos maçónicos e não de todos os que existem pelo mundo fora…

Nem todos os maçons detêm graus acima do terceiro grau, pois este é aceite como o grau supremo da Maçonaria, o último grau maçónico, o resto são complementos à formação do maçom considerando que este é um indivíduo espiritual e com características especulativas e filosóficas.

Por isso, para qualquer maçom que se preze, isto é, que seja reconhecido como tal pelos seus pares, e para qualquer maçom que foi elevado ao grau de Mestre, este já completou a sua caminhada simbólica mas nunca terá terminado a sua caminhada espiritual. 

E aqueles que sentem a necessidade ou a vontade de percorrer ou continuar em percorrer este caminho geralmente seguem para os Altos Graus do seu Rito ou de outros que existem; é possível ser-se membro simultaneamente de vários Ritos nas Lojas dos “Altos Graus”, algo que está vedado aos maçons na Maçonaria Simbólica, a maçonaria das “Lojas Azuis”, em que cada maçom apenas pode pertencer em exclusivo a uma Loja, mas podendo sempre visitar ou auxiliar os trabalhos de qualquer outra Loja da sua Obediência ou com a qual esta tenha relações maçónicas.

Novamente saliento que nem todos os maçons sentem essa necessidade, uns porque tal se torna dispendioso para os seus bolsos ou por manifesta falta de tempo, outros porque retiram da Maçonaria, nas Lojas Azuis, aquilo que necessitam para a sua vida espiritual, outros inclusive porque consideram que tal não lhes interessa mesmo de facto!

E é por aí que eu abordo este tema…

Porque é que alguns maçons consideram que não lhes interessa sequer pertencer aos designados corpos dos “Altos Graus, “corpos” estes que gerem e supervisionam todos graus acima do Grau de Mestre Maçom; sendo que estes “Corpos Rituais” são independentes e têm uma administração autónoma das Grandes Lojas ou Grandes Orientes que apenas supervisionam as Lojas dos três primeiros graus da Maçonaria.

Na Maçonaria qualquer maçom que detenha o 3ºGrau tem tanta importância ou valor como um maçom que detenha um 18ºGrau, o 30ºGrau ou 33ºGrau,  e quem pensar o contrário ou não sabe o que é a Maçonaria e ao que esta se propõe ou então não interiorizou bem os princípios filosóficos e iniciáticos desta Instituição.

Naturalmente que poderão existir algumas diferenças, mas nada de demasiada relevância, pois quem apenas detém o 3ºGrau não adquiriu ainda um complemento importante na sua formação maçónica, pois nos chamados “Altos Graus” são abordados temas mais abrangentes do que nas Lojas Simbólicas, as Lojas dos três primeiros graus maçónicos. Mas também não vem mal ao mundo por existirem maçons que não tenham essa vontade em persistir na obtenção de tais ensinamentos.

- São importantes mas não tão importantes assim… -

O que de facto é importante entre maçons são o reconhecimento maçónico, o labor empregue na vivência da praxis maçónica e o sentimento fraternal que envolve os membros desta Ordem fraternal e filosófica.
Mas para quem sente a vontade de ir mais além, existe sempre a possibilidade de ingressar nestes “Graus”. Contudo, todos sabemos que nada se faz, e em qualquer sítio, sem empenho e sem estudo e na Maçonaria isso é muito importante, pois os Altos Graus devem ser também estes - e principalmente estes (!) - graus de estudo e de reflexão.

Mas, e se nestes “Corpos Rituais” existem maçons que não querem estudar, nada fazer, e que apenas lhes interessa ostentar uma determinada graduação como se isso fosse importante para a profanidade ou para a maioria dos membros da Ordem, que tipo de reflexão pode ser feita realmente nestas Lojas Filosóficas/Capitulares?!

Se nesses “Corpos Rituais” existirem membros que nas suas Lojas Simbólicas nada fazem ou com nada se comprometem, cumprindo inclusive mal as funções que lhes foram atribuídas pela Loja e que até o seu Ritual, o ritual que praticam, o executam mal ou de forma deficiente, que trabalho poderá ser expectável deste tipo de obreiros?

Será afinal mais importante para alguém passear um avental diferente ou afirmar que tem o grau X ou Y?

Terão os “Corpos Rituais” interesse em ter gente assim nas suas fileiras?!

Serão esses membros assim tão importantes para as Obediências e “Corpos Rituais” para os manterem como seus obreiros?!

E serão efectivamente estes membros das Obediências e “Corpos Rituais”  reconhecidos maçonicamente pelos seus iguais?

Mesmo quando estes elementos nem sequer conseguem auxiliar ou retirar qualquer dúvida aos seus Irmãos Aprendizes e  Irmãos Companheiros das suas Lojas simbólicas quando estes lhes as apresentam?!

Felizmente para a Maçonaria (!)  estes casos são poucos e com pouca expressão, mas não deixam de existir e geralmente são esses casos que depois originam situações que nada abonam para  a Maçonaria.

Para mim pessoalmente tais personalidades não detêm nenhum grau elevado, mas apenas ostentam um “baixo grau maçónico”, sendo isso o que seja!

E sendo assim tão poucos, porque não são reformatados para terem o comportamento adequado e que é esperado de um maçom, principalmente com uma graduação tão elevada?!

Não seria em última instância e dada a sua falta de vontade, repetitiva, em mudar a sua forma de estar, lhe ser  indicada a porta correcta, para eles seguirem o seu caminho?!

No entanto, é quando, por vezes, estes detentores dos “baixos graus maçónicos” se gabam por ostentarem tais graus como se fossem supremas sapiências no que aos temas maçónicos toca, que até se me "arrepia" o estômago.

Sofrem de algumas maladies como a Pavonite e a Medalhite, patologias estas que nada abonam aos membros de uma Fraternidade Iniciática como o é a Ordem Maçónica e que urge extirpar urgentemente antes que causem mais estragos à vida interna das Obediências e à imagem da Ordem no mundo profano, que já de si teve melhores dias…

É aliás um pouco por causa disto, que muitos dos Mestres Maçons que fazem parte das Obediências maçónicas não se revêem nas estruturas dos “Altos Graus”, porque não estão para aturar comportamentos (“desviantes”) deste tipo – já lhes basta o que sucede no mundo profano - e se afastam desta caminhada, não prosseguindo os seus “altos estudos maçónicos” e  mantendo-se apenas no terceiro grau para o resto da sua vida maçónica e apenas formando parte da sua ” loja azul”.

São decisões que tomam fruto daquilo a que assistem nas suas lojas e fora delas e que com as quais não concordam nem desejam em pactuar.

Já se esqueceram estas personalidades que detêm tais “baixos graus” porque razão vão à sua Loja?! Ou porque lá devem ir?

Ou será que os motivos que os levaram a participar na Maçonaria foram outros que não apenas exaltar as suas virtudes e combater os seus vícios? 
Submetendo a sua vontade aos seus deveres?! 
E tentar desse modo adquirir novos conhecimentos na Arte Real?
E que é para realizar tais progressos nesta Arte que ingressam nos “Altos Graus”?!

Não estará na hora da Maçonaria no seu todo começar a olhar para esta gente da forma como efectivamente o merecem?

Pode a Maçonaria continuar a albergar gente com este comportamento, dito profano, no seu seio?
Gente esta que empurra para fora quem realmente faz falta e que trabalha?!
Impedindo que bons elementos prossigam o seu caminho, porque deste modo consideram que não será para si frutuoso persistir e andar a perder tempo e dinheiro!?

Não deverão os “Corpos Rituais” reflectirem no que desejam e necessitam para a sua sobrevivência?! Bem como as Grandes Lojas e Grandes Orientes?

Será que apenas desejam gente que pague quotas, aumentando unicamente o número de membros nas suas fileiras ou se efectivamente o que precisam é de gente qualificada para fazer tal caminhada prosseguindo na senda de uma válida aprendizagem e de um efectivo labor maçónico, complementado por um aprimoramento moral e social dos obreiros filiados nas Lojas maçónicas?

Não serão estes os sentimentos tão caros à nossa Augusta Ordem?

Custa-me realmente assistir a um definhar da Maçonaria na sua generalidade, pois vejo que gente que ainda terá muito a aprender nas Lojas Simbólicas, pouco o fez, mas considera-se detentor de uma sabedoria tal por apenas ostentar um determinado grau ou por envergar um determinado avental “bonitinho”, denotando-se claramente que foram contagiados com as tais maleitas que citei anteriormente.

Gente esta, felizmente poucos (!) mas mesmo assim demasiados (!), que olha e encara os seus Irmãos de uma forma pouco fraternal e pensam que por deterem ou ostentarem tais “baixos graus” se podem sentir superiores a estes.

Nada disso meus Irmãos!

De facto não é por aí o caminho que necessita ser efectuado pelos maçons nem tal sequer beneficia a Maçonaria.

Temos de começar a seguir e viver os princípios que dizemos “da boca para fora”, tanto para dentro da Ordem como para o mundo em redor. 

Cada vez mais estamos expostos ao mundo, seja pela mediatização da sociedade como pelos sinais do tempo e meus queridos Irmãos está na hora de começarmos a traçar outro rumo, novos caminhos, como fizeram os nossos antepassados quando transformaram a operatividade maçónica naquilo que é a “especulação” de hoje em dia.

Apenas transformando a Maçonaria, apoiando esta nas suas bases, as Lojas Azuis,  produzindo obreiros de qualidade, cooptando gente válida da sociedade, podemos hoje e no futuro, elevar a Ordem àquilo que ela realmente deve ser e àquilo que se espera dela!

Aproveito para renovar novamente uma afirmação que fiz anteriormente, felizmente que nem todos os maçons que são membros dos “Corpos Rituais” e das Lojas Simbólicas têm esse comportamento ou se revêem no mesmo, alguns inclusive quando se apercebem que têm de conviver com gente com uma atitude menos maçónica são os primeiros a abandonarem esses  “Corpos Rituais”, e em última instância, as  próprias Obediências, pois nada querem ter a haver nem desejam se relacionar sequer com essa gente e a sua conduta. 
E é o facto de não quererem conviver com essa gente, que leva ao abandono da Ordem por parte de obreiros muito válidos para a Maçonaria, “verdadeiros maçons”, que não estão para aturarem ou pactuarem com tais comportamentos, sentindo que apenas andam, ou andaram, a perder o seu tempo pessoal e a gastar dinheiro que poderia ter outro fim que não este.

Este texto nada mais é que apenas uma chamada de atenção para o que existe e que não deveria existir sequer na Maçonaria. 
E existe porque a Ordem é um espelho da sociedade em que se encontra, absorvendo aquilo que existe à sua volta; e mesmo tentando filtrar as impurezas que a circundam, por vezes se vê infestada por gente que poderia utilizar o seu tempo noutras actividades mas preferiram e decidiram entrar para a Maçonaria, como se tal lhes trouxesse algum proveito pessoal, social ou financeiro. E agora que entraram, mais difícil será os fazer sair!

Por isso é que urge apontar a porta da rua das Obediências a tais elementos ou então formá-los correctamente nas suas Lojas Simbólicas.

Formação! Formação! Formação!

Esse é o primeiro caminho a ser feito pelas Obediências e posteriormente pelos “Corpos Rituais”.

Somente assim a Maçonaria persistirá!

E devemos começar hoje, amanhã já será tarde demais…

E depois reflectir-se se os custos associados serão mesmo necessários, pois a realidade existente é de que quase se pode constatar que existem “maçons de primeira” e “maçons de segunda”; porque uns conseguem cumprir com as suas obrigações pecuniárias mais facilmente que outros, os quais fazem algum esforço para o puder cumprir e que por esse motivo ficam vedados de perseguir o ensejo de prosseguir a sua caminhada pelos graus superiores da Maçonaria.

 Apenas quebrando essa divisão e distinção entre maçons poderá a Maçonaria realmente nivelar os seus obreiros, cimentando as relações fraternais que devem existir entre todos.

Quando tal acontecer, somente apartir desse momento, poderei então eu considerar que afinal os “baixos graus maçónicos” serão mesmo os “graus azuis”, que se encontram na base do esquema gradativo da Maçonaria e não os graus que algumas personalidades envergam e que as fazem sentir como – hipoteticamente ! - superiores aos comuns dos mortais…

Até lá, ainda há muito caminho para fazer…

Mas assim o espero e desejo!