sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

“A Luz (2)…”

Na Maçonaria o conceito de Luz encontra-se presente em permanência.

Já neste espaço fiz uma pequena alusão a ela e agora passado algum tempo volto a este tema ...

De momento não irei proceder a qualquer análise metafisica ou filosófica referente à Luz, mas apenas abordar alguns aspectos desta (Luz) no contexto de uma  Loja Maçónica.

Numa Loja Maçónica existem cerca de 5 tipos ou classificações  referentes à Luz...

Ou seja, a Luz que provém do Grande Arquitecto do Universo, as Luzes Maiores, as Luzes Menores, as Luzes Litúrgicas e as Luzes Fixas, para além da luz que é emanada pelas várias "estrelas" que se encontram espalhadas pelo Templo Maçónico:

·        A Luz provinda da presença no Grande Arquitecto do Universo e representada a Oriente pelo Delta situado acima do Venerável Mestre.

·         As Luzes Maiores da Maçonaria, assim consideradas por todos, são o Esquadro, o Compasso e o Volume da Sagrada Lei.

·        As Luzes Menores, são cargos/ofícios que se praticam em Loja nomeadamente, o Venerável Mestre, o Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante.

·        Já as Luzes Litúrgicas, essas são as luzes, emanadas, das "estrelas", que se acendem (e apagam) durante o decorrer de um determinado momento da celebração de uma sessão maçónica, para além de que elas mesmas são, também, consideradas como os "pilares da Loja", sendo estas a Sabedoria, a Força e a Beleza...
Estas "luzes"encontram-se também representadas nas secretárias dos seus respectivos representantes em Loja.

·       E as Luzes Fixas, estas "luzes" são assim designadas por serem as janelas que se encontram presentes e que figuram no Painel de um determinado Grau maçónico, encontrando-se estas localizadas no Oriente, Sul e Ocidente do respectivo Painel de Loja.

Assim, com alguma simplicidade, abordei sinteticamente o que à Luz, de uma forma mais técnica, num Templo Maçónico lhe concerne. 
Outras reflexões sobre a mesma( Luz) remeto para mais tarde…

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

" Para escutar" (27)... “Do Ocidente a Oriente” por Fausto Bordalo Dias…


Fausto Bordalo Dias, nome pelo qual é conhecido Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias, canta-autor português; e que apesar de ter sido registado em Vila Franca das Naves, Trancoso, tem a particularidade de nascer a 26 de Novembro de 1948 a bordo do navio “Pátria” que se encontrava em trânsito de Portugal para Angola.

Autor e cantor português, dá primazia à língua nacional nas suas composições líricas, tendo várias delas sido trauteadas de “boca em boca” não só cá pelo nosso “rectângulo” bem como fora das nossas fronteiras.

Em 1987 lança o álbum “Para lá das cordilheiras”, onde desponta o tema que abordo nesta minha publicação de hoje, a canção “Do Ocidente a Oriente”.

Da leitura atenta da letra desta canção, certamente encontraremos pontos de contacto com a vasta simbologia que encerra a Augusta Ordem Maçónica.

Deste modo, deixo aqui abaixo transcrita a letra desta canção, para que cada um faça a sua análise pessoal; pois os símbolos, todos eles terão várias perspectivas e abordagens, dependendo de quem faz a sua análise e do seu ponto-de-vista, as quais, certamente, algumas se encontrarão mais correctas ou próximas da realidade e outras nem tanto, mas cada análise ou estudo serão sempre realizados com o empirismo adequado para tal…

“Do Ocidente a Oriente”

suavemente levados
sob uma abóbada azul
caminhámos lentamente
p’lo norte ocidente e sul
para ver o sol nascer
e a lua no seu Outono
toda a harmonia é perfeita
nos quatro cantos oblongos
levados p’las mãos de alguém
p’lo sul ocidente e norte
meu bem
-
Vénus enfeita o universo
enfeita-o com toda a beleza
Hércules guarda-o sempre
com toda a força e firmeza
e junto a Minerva repousa
a luz da sabedoria
que letra a letra cinzela
a doce palavra utopia
que de este a oeste provém
como se fosse amanhã
meu bem
-
para lá das cordilheiras
nasce o sol de outra nascente
p’lo norte ocidente e sul
chegámos junto ao oriente
e como um segredo profundo
que o saber guarda e segreda
o dia ergueu-se sublime
luz das entranhas da pedra
e vieram todos os sonhos
todas as raças e credos
chegaram todos iguais
mas sendo isto mistério
chegou-se a noite também
chegou tão calma e serena
que o mundo já dorme em paz
meu bem

WebGrafia:
·        Central de Artistas.Pt
·        Discogs.com
·        Casa da Música.com
·        Wikipédia-Pt

PS: Como curiosidade, convido a auscultação desta versão deste tema realizado em 1997 pela Né Ladeiras…

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Festas Felizes 2018...

Hoje, na data em que a noite se sobrepõe ao dia, e na qual se cumpre o Solstício de Inverno no hemisfério norte, e numa época do ano em que algumas religiões celebram as suas maiores festividades, nomeadamente o Hanukkah judaico e o Natal cristão, ambas "festas de Luz", aproveito para fazer os tão habituais votos festivos da época...
Deste modo, que a Paz e o Amor reinem e que a Luz se cumpra... o ano todo!

A Todos Vós, Festas Felizes...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

" Pelo Caminho..."

Da perpendicular ao nível,
e da circunferência à quadratura
vai um longo Caminho...
Cheio de retas que são curvas e
de curvas que já foram retas...

Nele encontramos tantos desníveis que se podem ascender - quais escadas de Jacob essas que diante de nós se apresentam - que apenas estugando o passo se poderá ter Tempo para O poder cumprir.

Através de uma acompanhada solitude, ele espera ser feito,
e não por outrem a não ser nós próprios,
pois fácil seria essa demanda se assim o fosse, para O ser.

Toda a Glória é transitória...
pois do nada, nada provirá!
E somente no Tudo que já foi uno,
se encontrará a Pax que no Caminho é (por nós) tão desejada...

Estranho Caminho este...
Onde o perfeito no imperfeito reina.
Um mundo... em pleno!

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

"Initiatum..."

Nem nu nem vestido,
Com a pele como túnica,
Uma mão no escuro me guia.
Passo a passo avanço…
Perscruto o caminho.

Um turbilhão de sensações me percorre a alma.
Vacilo, sinto algum receio em mim.
O que virá?
O que se seguirá?
O medo do desconhecido está presente.

Barulho…
Muito Barulho…
Um ruído imenso, tenebroso, me atropela a consciência.
Sou trespassado por algo!
O que é isto?!

Apesar do medo, mão amiga me conduz…
Vento, chuva, fogo…
Que tempestade esta?!
A natureza está na sua essência…
Espadas viradas contra mim!

Luz…
Finalmente a Luz 
e aquele abraço forte que me consola a Alma
e me preenche o coração.
Agora sim, fui reconhecido como tal…

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

"Mensagem aos Aprendizes..."

No início das Instruções dadas ao Aprendiz Maçom são lhe colocadas algumas questões genéricas que para além de servirem para telhar um Maçom, servem fundamentalmente para lhe suscitar algumas reflexões.
Questiona-se:

“De onde vimos?”

“O que fazemos por lá?”

“O que vimos então aqui fazer?”

“O que trazemos nós, então?!”

A essas perguntas, eu ainda acrescento estas que me parecem ser ainda mais importantes:

“Quem somos? 

Ou o que somos? 

E porquê!?”

Estas questões para alguém reconhecido como maçom, e que se considere como sendo um Aprendiz para o resto da sua vida, são a chamada "linha de partida" para o Caminho que pretenderá fazer.

São estas dúvidas que servirão de sustentáculo àquilo que procura. Pois serão essas dúvidas que o motivarão a atingir a meta daquilo a que se propõe a cumprir.

Ritualmente todas elas terão resposta; respostas essas que qualquer Aprendiz Maçom conhece desde a sua Iniciação. Mas, na realidade, estas questões que cito nada mais são do que as premissas para a nossa Caminhada na Vida e no mundo em que vivemos.

Apenas nos questionando e questionando o mundo à nossa volta é que poderemos ir mais longe!

Qual a nossa Origem?

Quais os nossos Deveres?

O que poderemos fazer para evoluir, melhorar?

O que poderemos fazer para sermos úteis aos outros?

Na prática, qual a nossa própria Identidade?

Talvez, as "primeiras" questões que abordei sejam apenas, vistas sob um outro "prisma", as mesmas que agora efectuei.

E mesmo dessas "primeiras" questões e/ou até mesmo das "segundas", poderemos encontrar outras que por sua vez nos permitam fazer as reflexões que importam ser feitas.

A este questionamento que aqui faço, por meio destas, aparentemente, simples perguntas, não me atrevo eu a responder. Pois as suas respostas tal como o meio para as obter são parte integrante do Caminho.
Aliás o método maçónico é ele mesmo um processo de questionamentos vários, onde inclusive nos auto-questionamos e salientamos o nosso conhecimento ou a sua ausência, isto é, aquilo que desconhecemos.

- A dúvida foi sempre a base de partida para o Homem poder evoluir! -

Eu já encontrei as minhas respostas. Os outros que tentem obter as deles...

Sei quem sou e porque o sou!

Sei de onde vim e o que por lá faço!

Conheço os meus deveres e obrigações!

E ofereço aquilo que posso oferecer sem nada esperar em troca!

Para mim, estas, já não são dúvidas... Apenas certezas!

E, Meus Queridos Irmãos Aprendizes, vocês que ainda há bem pouco tempo chegaram aqui, não podem ainda assumir saber tudo, pois também nunca o ninguém saberá…; mas estas perguntas que citei, estas dúvidas que alguém vos poderá colocar, testando-vos ou apenas formalizando e cumprindo determinadas ritualidades, estas sim, Meus Queridos Irmãos, estas já tanto vocês as conhecem como desde há algum tempo para cá que as suas respostas as devem praticar, mas principalmente as deverão sentir…

Assim, Meus Queridos Irmãos Aprendizes, espero que quando chegar o momento em que completem o vosso tempo na Coluna do Norte, onde realizam o vosso labor na Oficina de Aprendizes, com o auxílio do malho da vontade e do cinzel da vossa acção, burilando assim as asperezas da vossa pedra bruta, espero eu que as vinte e quatro horas disponíveis na régua do tempo, Vos tenham sido pródigas e auspiciosas, pois o que se esperará no futuro de Vós não será uma demanda fácil, mas também não será uma tarefa hercúlea, pois Vós sois capazes de demonstrar as vossas potencialidades e por isso mesmo conhecemos de antemão o que de Vós esperar.

Neste momento apenas quero felicitar-vos pela vossa jornada até aqui e incentivá-los e motivá-los a irem um pouco mais além.

Serão testados, terão de seguir outros e novos caminhos, ascendendo a patamares que não conhecem por ora, mas que Vos serão muito úteis no vosso futuro e nas vossas demandas…

Para já, não me alongarei mais sobre as vossas tarefas, sobre a vossa busca, sobre o vosso estudo… Deixo isso para mais tarde, para quando nos encontrármo-nos juntos  outra vez, novamente na ” linha de partida”, mas seguindo noutra direcção, rumo ao Sul…

E para tal, Meus Queridos Irmãos Aprendizes, apenas Vos solicito novamente o vosso empenho e o vosso silêncio, pois sem um e o outro nada poderão alcançar. Um dar-vos-á a coragem e embalo em prosseguir; o outro, a serenidade para que possam observar e escutar, mas principalmente sentir o que vos rodeia.

Por isso, Meus Queridos Irmãos, digo-Vos: “Até Já!”

E que rumemos a Midi...

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

"Maçonaria tóxica"...

Naturalmente que quem ler o título da publicação de hoje por certo ficará reticente com o que poderá encontrar nela pelo facto da afirmação escrita por mim ser um tanto forte. Mas desengane-se o leitor, uma vez que, aquilo que o título poderá encerrar não será na verdade o mais correto, apesar de ser uma assumpção que para alguns detractores da Ordem Maçónica seria o quanto bastaria um maçom fazer para que todas as opiniões e ideias que têm da Maçonaria serem as "verdadeiras". O que não é o que pretendo com a afirmação que fiz nem é a constatação da realidade em que vivemos.

Quando eu falo em Maçonaria “tóxica” naturalmente que não posso afirmar tal sobre uma tão proba e augusta Ordem como o é na realidade a Maçonaria. Abordo sim, os seus elementos, os maçons. Pois uma coisa é a Instituição Maçónica em si, outra coisa totalmente diferente são os membros que a compõem; Homens com as suas virtudes - e que na sua larga maioria é gente que as tenta enaltecer e potenciar-,  mas também com os seus defeitos próprios e naturais. O que importa realmente é o que fazer com estes últimos que citei…

Todavia, não querendo eu efectuar uma análise extensiva sobre o assunto em si mas apenas abordando a toxicidade existente na Maçonaria num sentido lato, quero eu dizer e reafirmando o que atrás disse, a Maçonaria nunca poderá ser tóxica na sua vivência nem na sua praxis, mas antes sim, os seus membros. E esta sua  toxicidade - dos seus obreiros - apenas poderá porvir do seu carácter, da sua conduta, da sua forma de viver e estar…

Parece que fiz uma afirmação austera demais e inglória?!

Não!

Disse apenas o que se pode constatar na realidade.

Se a Maçonaria é formada por pessoas com vários caracteres e feitios, existem os “bons maçons” mas infelizmente também, existem aqueles maçons cuja forma de estar intoxica a Ordem que os acolheu e que em última instância acabarão por (tentar) intoxicar os demais. 

Quando falo em maçons “tóxicos”, estes são aqueles maçons que não trabalham em prol da Ordem, não aprendem nem desejam aprender, nem estão sequer motivados para tal; não se comprometendo com nada e se o fazem, fazem-no por "obrigação" e os resultados dessas acções serão por demais evidentes; não praticam os ensinamentos ou os ideais da Maçonaria tanto na sua vida pública como no seu foro privado, que se abstêm de comparecer nas sessões ordinárias da sua Respeitável Loja; que a sua conduta é diferente daquilo que dela tanto propalam, mas que também para além disso, nas suas condutas profanas geralmente são pessoas que envenenam as suas relações profissionais, familiares e fraternais - isto, se as tiverem (!) - E se os há…

Uns sentem-se tão cheios de si, empertigados pelos seus “pedestais” e “medalhas”, outros falando por boca alheia sem meditar no que estão a dizer, cedendo o seu melhor bem que é o seu “pensamento” a outrem, preferindo ser instrumentalizados como “marionetas”  a bel-prazer de quem melhor possa atribuir encómios à sua pessoa ou até mesmo se submeterem a aqueles a quem possam retirar qualquer tipo de benefício ou dividendo para si próprios, manipulando a longa lista de contactos a que podem ter acesso pelo simples facto de terem entrado numa Ordem universal e com elevado número de membros.
Estes serão aqueles que geralmente se diz que "entraram na Maçonaria, mas que ela nunca entrou neles..." Os tais afamados "erros de casting"!

Mas apesar destas situações que confirmo a sua existência – nada que não seja natural nas várias instituições ou grupos sociais que o Homem integre; a Maçonaria é o “espelho” da sociedade em que se insere (!) – “não podemos tomar o todo por alguns” e a maioria suplanta amplamente esses poucos que o tempo sempre se encarrega de extirpar – quais cancros sociais – e são esses - a maioria - que no fundo fazem e refazem as instituições por onde passam, limpando e renovando a imagem que por vezes se torna imunda, pelas atitudes que de lés-a-lés são tornadas públicas, por gente que, talvez, nunca deveria ter sido cooptada pela Ordem.

O que se pode concluir é que a toxicidade existente na Maçonaria não é uma toxicidade "química" mas antes um certo tipo de toxicidade social e comportamental de uma parte ínfima dos seus obreiros.
E que estas pessoas que intoxicam a Instituição Maçónica acabam por dar algum eco e razão aos detractores da Ordem, pois não poderemos nós nunca olvidar que os maiores inimigos da Maçonaria são e serão sempre os Maçons, disso tenho eu a certeza .
E o que fazer com estes “seres tóxicos” que deambulam por uma tão Augusta Ordem?

Dar-lhes “corda” suficiente para se “enforcarem”?

Entregar-lhes o “combustível” e o “detonador” necessário para se “queimarem”?

Deixá-los "caminhar até à ponta do precipício e incitá-los a saltar"?

Ou tentar  lhes demonstrar que o caminho que por ora seguem é um caminho para o “abismo”, possivelmente sem retorno, e que se tomado de forma inadvertida ainda poderá ter regresso ao trilho correto?

Algumas vezes pensei que a última sugestão/possibilidade seria a mais certa. Mas hoje em dia começo a ficar titubeante com a decisão a tomar. Se devo tomar a decisão que se suporia como sendo a mais correta ou se aquela que melhor me servirá…

De facto todos na nossa vida pessoal e em situações extremas, temos sempre uma atitude de “sobrevivência” e por isso mesmo temos a tendência de olharmos para o nosso “umbigo” e esquecer por breves instantes o bem comum. - O que não deveria acontecer, mas como humanos que somos, tal é sempre mais forte. Não podemos negar a nossa natureza e existência animal ! -.

Queira eu por isso e principalmente com o auxílio do Grande Arquitecto, com a sua Luz e Sabedoria, tomar sempre as melhores decisões que possa tomar em qualquer momento e agir de forma a que os meus pares, principalmente os que me reconhecem e que eu reconheço como tal - eles saberão por certo quem serão - nunca se sintam envergonhados pela minha conduta, seja esta demonstrada através de ações, omissões e/ou palavras... Porque se por vezes é necessário se falar e muito dizer (nem que seja para criar certo "ruído de fundo"), noutras situações será preferível não o fazer sequer.
Aliás sempre retive para mim que o "poder" do silêncio reside não quando nada se diz, por nada se ter para falar; mas antes sim, quanto muito temos para dizer e preferimos conscientemente nos manter calados...

Quanto aos seres tóxicos que por aí deambulam, esses, terão de fazer por eles…
Até porque se afirmam que também nem sabem ler nem escrever, alguns até mesmo dificilmente conseguiriam soletrar... até mesmo a sua língua materna!

PS: Escrito e publicado por mim originalmente aqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

"Veneráveis e Veneralatos"...

Estando a época das Instalações de Veneráveis Mestres nas suas Respeitáveis Lojas terminada na maioria das Obediências Maçónicas, venho hoje partilhar um texto que elaborei há algum tempo atrás, mas com a devida edição do texto, face ao momento actual. Texto esse que pode ser consultado no seu original aqui.

"É de fulcral relevância salientar o contributo que os Veneráveis Mestres (VM) ("presidentes da Loja")  têm em relação à vida interna destas Lojas.

A própria dinâmica da Loja depende grande parte da dinâmica imprimida pelo seu Venerável Mestre bem como pela sua forma de gerir os "destinos" da Loja.
Uma larga maioria não consegue separar -  e isto não é crítica sequer - o mundo profano do mundo iniciático, ou seja, por defeito profissional, muitos nas suas vidas laborais gerem e dirigem pessoas, logo tenderão a agir na Maçonaria da mesma forma que o fazem no mundo profano. Sendo também, por isso mesmo, mais fácil para estes tomar a seu cargo os destinos de uma Loja e a gerir o que lá se passa no seu interior. Mas não releguemos também que a sua forma de agir e estar perante a Sociedade, a sua Educação e Formação Académica também auxiliam e muito o seu (bom!) desempenho, nomeadamente na forma de lidar com a Loja e os seus membros.

Não existem manuais de sobrevivência para um "VM", existirão sim pequenos guias ou opúsculos que algumas Lojas ou Obediências tenham escrito para facilitarem um pouco a vida de quem durante um ano (em média) terá a responsabilidade de gerir a Loja, mas o essencial para a gestão da Loja será a sua vivência e praxis maçónica. Sendo que uns serão mais "ritualistas" e outros mais "administrativos" no cumprimento das suas funções. 

- Cada um como cada qual... - 

Mas não obstante, esta diferenciação da forma de gerir e de estar, pois a cada identidade corresponderá uma forma de gerir, permite a vantagem mesmo que uma Loja tenha uma prática de trabalho homogénea, esta será sempre um pouco diferente de ano para ano, possibilitando aos seus membros não ficarem reféns de um certo marasmo que não lhes possibilite evoluir, seja maçónicamente quer pessoalmente.

Outra das vantagens que diferentes abordagens ou estilos de gestão permite, é que pelo facto de a presidência da Loja ser quase sempre anual e dependente de sufrágio pelos Mestres que compõem a assembleia da Loja,  impedirá, por certo(!), determinadas formas gestionárias de cariz ditatorial prolongadas no tempo; resultando que se um dado "VM" desempenhar mal ou de forma nefasta o seu cargo, a Loja somente terá de o "aturar"  um ano - ou menos! -, mas possibilitando a alguém que desempenhou um bom ofício, que soube conviver bem com as responsabilidades que lhe estavam inerentes, e que num bom português eu possa dizer que tenha levado a Loja a "bom porto", deixando saudades e inclusive "fazendo escola", criando assim alguns seguidores que queiram prosseguir nessa forma de (bem) gerir.

- E cada Loja é uma Loja, tal como cada maçom é diferente do seu semelhante -.

Cada Loja tem a sua identidade própria, podendo ser parecida ou não com as outras de uma mesma Obediência, até porque cada Loja é formada por gente que também pode ser diferente entre si. A heterogenia dos seus membros é uma das grandes qualidades que a Ordem Maçónica se pode orgulhar e enaltecer.

Mas por outro lado, e porque nem tudo "são rosas...", nem sempre corre tudo bem ou como deveria ocorrer, dado existirem, por vezes, Lojas que não deveriam estar sequer em funcionamento dado que o que se passa no seu seio ser tudo menos maçónico, e quase sempre com a conivência do seu "VM". - mesmo que ele não seja o responsável por tais actos, a Loja depende dele e ele será sempre a pessoa que dará a cara pela Loja! - E por causa disto é que um "VM" tem de ter características naturais de um Homem bom, Livre e com bons costumes,  - soa a "beato" mas é assim que tem de ser - para que tais situações menos nobres não ofusquem a Luz que deve resultar da Maçonaria e emanar na sociedade à sua volta.

Ser "VM" nao é tarefa fácil, não é "bater malhete" como se queira... Existem determinadas regras a cumprir e a fazer por cumprir!

Logo, ser investido nas funções de Venerável Mestre não poder ser encarado de forma singela, mas antes como uma demanda tanto pessoal como colectiva. Pessoal porque tal é desempenhado através de um labor próprio e que depende intrinsecamente de si mesmo, e colectivo porque é feito a bem da Loja e da Obediência em geral.

Não é fácil esta tarefa, tal como salientei. E uma parte importante deste trabalho também e que não pode ser esquecida é o apoio que os obreiros da Loja dão ao seu "VM", auxiliando-o na condução dos "trabalhos", promovendo iniciativas em prol da Loja, produzindo Trabalhos/Pranchas  e debatendo respeitosamente a vida interna da Loja. 

Apenas uma Loja com obreiros activos e cujo "VM" seja alguém que possibilite a troca de ideias efectivas, terá um bom prenúncio na sua existência, pois as boas decisões nunca estão sozinhas e muitas das vezes para serem correctamente aplicadas dependerão daqueles que, por sinal, as terão de cumprir...

E por isto que anteriormente afirmei é que considero que uma Loja não é do seu Venerável Mestre, mas sim, que o Venerável Mestre é que é da Loja!
E quem não interiorizar isto, ou não sabe ao que se propõe ou não estará bem na Maçonaria...

Mas nem sempre quem já foi "VM" quis despir o seu cargo, isto é, são mestres que embora já não detenham essas funções, mas que mesmo assim desejam e insistem em o a continuar a o ser... Obstaculizando de forma premente o trabalho que o "VM" em exercício possa fazer. Condicionando este com atitudes ou ideias suas e acicatando os demais obreiros contra o desempenho do seu "VM"; considerando eu isto como uma forma de rebelião que não deveria ter lugar num espaço onde a fraternidade deveria ser um dos seus pilares fundamentais.
Mas pior que isto, serão aqueles que nunca cumpriram tal ofício mas que acham que o desempenharam ou que detêm o direito de o vir a ocupar de forma unilateral, condicionando activamente o desempenho que o "VM" deverá levar a seu cargo...

-Enfim, há de tudo um pouco... infelizmente! -

Até existem aqueles, sendo mestres ou não, que se acham a "voz da razão" e assim se acharem os "donos da Loja", bloqueando tudo (ou quase...) aquilo a que se propusera a fazer o seu "VM". E esta forma de inquinar uma Loja não deveria ser aceite pelos seus membros e muito menos ser feita com a complacência de um "VM", pois foi ele o eleito para a direcção da Loja e mais ninguém. Uma coisa é um "VM"  aconselhar-se, outra diferente, é deixar outros executarem o seu trabalho.

E é por isto que amíude existem cisões e/ou "abatimentos de colunas" de Lojas com "adormecimentos" ou transferências de membros para outras Lojas, porque já não é possível a convivência entre si. Deixando eu à reflexão para os demais esta situação que é deveras importante para a sobrevivência de uma Loja.

Um "VM" que saiba desempenhar bem o seu cargo nunca permitirá que aconteça o que eu referi e saberá, ou pelo menos tentará, gerir os egos e diferenças de opinião que existem no seio da sua Loja. Essa sim, será talvez a maior dificuldade que poderá encontrar durante o seu veneralato, pois as questões rituais ou administrativas, quando não são graves, são facilmente tratadas ou ultrapassadas. E regra geral são as Admissões de profanos com as suas Iniciações,os "aumentos de salários/graus", gestão corrente da tesouraria da Loja e pouco mais. Aqui sim, um "VM" pode pelas suas qualidades pessoais fazer diferente dos restantes que passam por essa função; a tal "dinâmica" que abordei.

Por isso devem as Lojas contarem nas suas Colunas com gente com conhecimentos suficientes para fazer prosperar a Loja. Apoiando-se  (as Lojas) nos seus membros mais antigos que com a sua experiência e sabedoria corrigem qualquer "desvio administrativo" ou erro ritual que possa surgir, bem como nos seus membros mais recentes, gente pronta a "arregaçar as mangas" e por-se a trabalhar, assim os deixem. 

-É somente devido a esta conflexão de "ideias e vontades", convergindo numa acção perseverante e regular, é que uma Loja tem um bom futuro assegurado.-

Não basta viver à sombra de feitos do passado, ou à espera dos ventos de mudança do futuro, as Lojas são "organismos vivos", logo sujeitos à mudança, evolução, cisão... E desse modo deve ter nas suas fileiras gente que pela sua forma de estar, pela sua sensibilidade pessoal  e apoiada nos vastos conhecimentos de alguns dos seus Irmãos, podem ser "herdeiros naturais" da linha de sucessão criada à vários anos na sua Loja respectiva e que ainda hoje em dia é prática comum na maioria das Lojas maçónicas.

E concluindo um texto que já vai longo, um Venerável Mestre como sendo alguém com a responsabilidade da gestão anual da Loja, nunca poderá pensar a curto prazo, apenas na gestão corrente, mas sempre com um pensamento a médio/longo prazo, para que a Loja não divirja nos seus destinos, não se preocupando em deixar um "legado pessoal" mas sim, algo sustentado pelo tempo. E por isso mesmo, deve ser alguém com vontade de trabalhar e com "espírito diligente" e rigoroso, sendo meticuloso e disciplinado no que faz, devendo ser o melhor "relações públicas" da sua Loja, pois ele é que dará a cara por ela; não devendo ter um perfil autocrático, mas antes um elevado sentido fraterno. 
Em suma, ser alguém que goste de trabalhar e que o faça pelos outros, não esperando qualquer tipo de encómios à sua pessoa.  

- Somente tendo uma postura humilde perante os seus pares, pode um "VM" ser exaltado pelos demais, e isto se assim o tiver de ser... - 

Para além disso, terá de ser alguém capaz de estabelecer pontes entre os Irmãos que tenham divergências ou contendas entre si, sendo um bom ouvinte e confidente, para além de ter a capacidade em aconselhar os obreiros naquilo que necessitem do seu "VM", e que saiba agir com a "parcimónia" necessária ao seu cargo, sem impulsos ou afins... pois terá de ter a ponderação necessária a cada decisão que tenha de tomar ou que venha a ter de aplicar em relação às funções a si designadas como representante da Loja na Obediência onde esta se encontra filiada. E chegando ao final do seu veneralato, ter a capacidade de fazer um auto-exame de consciência e reflectir no que se propôs a fazer, no que fez e no que poderia ter feito e extrair de aí as suas próprias conclusões, por forma a que quando se sentar no Oriente ao lado do próximo "VM", poder ser ele, também, uma "voz" de e em auxilio a este, porque a função de Past-Venerável ou Mestre Instalado não é mais que isso, uma voz em auxilio do novo Venerável Mestre. 

E como "VM" reconhecer que recebeu a Loja com um determinado funcionamento, em determinado momento, e que entregou ao seu substituto na "cadeira de Salomão" uma Loja que deverá ser mais coesa e mais forte do que aquela que terá recebido do seu antecessor, - esta é a sua obrigação! - o que nem sempre é simples de ser feito. 
Não deixando nunca de ter sempre presente a noção de que por qual forma pretenderá  ser (re)conhecido no final do seu ano de trabalho, se por ter sido "Venerável" ou pelo seu "Veneralato"...

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

"Salários na Maçonaria..."

Normalmente quem está fora da Maçonaria, no mundo profano, ouve habitualmente referências a salários, pagamentos de salários, aumentos de salários e afins…

Hoje venho abordar um pouco sobre o que este tema concerne, e porque dado ainda me encontrar investido nas funções de Primeiro Vigilante da Respeitável Loja da qual ainda sou obreiro do seu quadro de membros, fará todo o sentido o abordar.

Numa Loja Maçónica quem tem o dever de, ritualmente, pagar os salários aos obreiros da Loja é o Primeiro Vigilante que se encontre em funções na Respeitável Loja.

A palavra salário deriva da palavra latina “salarium” e era a forma como eram pagos os vencimentos dos soldados na Roma Antiga, a qual era feita através de sal, perpetuando-se o uso dessa expressão até aos presentes dias.

Há referências ao pagamento de salários aos operários de construção civil da Idade Média e de épocas posteriores a esta, nas “Old Charges” ou “Cartas de Deveres”, tendo esses pagamentos sido regulados e regulamentados através da elaboração deste tipo de documentos.

Já na Maçonaria actual, este dito “pagamento” é feito através da obtenção de conhecimento, da progressão gradativa na Ordem,  pois  nada ou ninguém pode esperar ser ressarcido do seu labor de outra forma que não esta.

- Não esquecer que os metais são deixados fora do Templo - .

Apenas o auto-aperfeiçoamento moral de cada um, executado com o aproveitamento da utilização da vasta simbologia maçónica ao seu alcance e da boa compreensão das alegorias que revestem a Maçonaria, da prática da fraternidade entre todos e aplicando a filosofia maçónica na sua vida, serão a melhor retribuição que o maçom pode esperar para si; aliás no Salmo 128:2: “Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem” reside o “core” do salário do Maçom.

 E é nas Sagradas Escrituras Cristãs que encontramos também menção ao direito ao salário de quem trabalha e à hora a que o mesmo deve ser realizado, nomeadamente em Mateus 20:6-9: “E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou- lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.
”.

Saliento ainda que o local onde este salário deve ser realizado é sugerido em Rute 2:19 : ”Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste? Bendito seja aquele que te reconheceu. E relatou à sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.”.

Também o trabalho executado pelo Maçom o foi realizado através da sua própria força! Por isso nada melhor que também esta (força) seja relevada e que ele aufira o seu pagamento, nada menos que, na Coluna que a Força representa.

E qualquer maçom pode ver aumentado este seu salário, pois com estudo, empenho, frequentando os trabalhos das sessões da sua Respeitável Loja e apresentando Trabalhos que demonstrem os seus conhecimentos, assim poderá tal acontecer; sendo isso traduzido pelo aumento da sua graduação na Loja, subindo de Grau na Maçonaria.

Deste modo, retiro qualquer dúvida que possa haver face ao pagamento de salários na Maçonaria, porque ninguém pode esperar qualquer proveito ou retorno económico com a sua adesão a esta tão Augusta Ordem. Aliás, por norma passa-se o seu reverso, despende-se é algum tempo e dinheiro com a pertença a esta Instituição, nomeadamente são gastos temporais com a presença e frequência das sessões da Loja a que se pertença ou outras que se visite bem como com gastos financeiros referentes ao pagamento de quotas mensais e de subidas de graus, para além das tão habituais contribuições para os fundos de maneio das Lojas e seus “Troncos da Viúva” que são normalmente utilizados para apoiar algum Irmão ou família necessitada, ou outros quaisquer projectos de âmbito social que a Loja apoie.

Outras formas de pagamento  de salário  poderão decorrer na Maçonaria ou no seio das Obediências Maçónicas, mas decorrem apenas das suas obrigações administrativas, nomeadamente o pagamento dos vencimentos aos funcionários administrativos que trabalham nelas bem como algum tipo de “auxílio de custo” a quem, por qualquer motivo necessário e relevante, represente a própria Obediência.

Assim, quanto a salários em Maçonaria, seus “ganhos” ou “gastos”, é mais “o que sai do bolso do que o que entra”, aliás, esse é zero!

Apenas podemos contar com Conhecimento e Fraternidade!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

"O Nível..."

No texto que hoje publico vou abordar uma das Jóias – o Nível - que para mim tem mais relevância em Maçonaria, dado também ser de momento a Jóia que envergo devido às funções que presentemente exerço na Respeitável Loja da qual sou membro do seu quadro de obreiros, tendo eu sido investido no ofício de Primeiro Vigilante durante este  veneralato que agora termina.

O Nível é a Jóia do Primeiro Vigilante. Esta jóia permite que ele seja reconhecido pelos outros maçons presentes no Templo Maçónico durante o decorrer dos “Trabalhos” de uma Respeitável Loja.  Sendo o Primeiro Vigilante o primeiro oficial da Loja precedido pelo Venerável Mestre e seguido pelo Segundo Vigilante; representando os três as designadas “Luzes da Loja”.

O Nível  é um instrumento cuja simbólica representa o princípio da Igualdade, a base do direito natural entre os Homens, mas principalmente entre todos os maçons, que apesar das suas diferenças, aos olhos do Grande Arquitecto do Universo, são todos iguais e sem qualquer tipo de distinção entre eles.

O Nível faz parte do grupo de instrumentos que em conjunto com o Esquadro e o Prumo,  são designados como sendo as “Jóias Móveis " da Loja.

O Nível, como instrumento de construção, é destinado, principalmente, a determinar a horizontalidade de um plano e averiguar a diferença ou a igualdade entre dois pontos no plano.

O Nível é habitualmente formado por um esquadro e um prumo que se encontra pendente no seu centro, permitindo desse modo medir a verticalidade e a horizontalidade em simultâneo, de modo que também seja passível de serem estabelecidas linhas paralelas no traçado de uma obra. Outra forma de representação do Nível é a de um triângulo, saindo uma perpendicular do seu ápice, ficando esta solta no espaço, com um pequeno peso na ponta, dividindo desse modo o triângulo em dois pequenos esquadros.

O Nível por ser formado por um esquadro (a jóia do Venerável Mestre), mas menos acurado que este, contudo mais completo que o Prumo (a jóia do Segundo Vigilante), tanto que esse é também um dos motivos pelos quais que também se considera o Primeiro Vigilante como sendo o natural substituto do Venerável Mestre nas ausências deste.

O Nível também em conjunto com o esquadro possibilita que a construção horizontal e vertical seja empregue de forma correcta, pelo que se associarmos os tijolos utilizados numa construção como sendo maçons na sua Loja, a matéria-prima, facilmente podemos concluir que a aplicação do nível pelo Primeiro Vigilante leva os maçons à igualdade e à sustentação do Templo maçónico. Por isso considera-se o Nível como sendo uma ferramenta passiva pelo facto de este ser um instrumento que a todos nivela e submete às Leis maçónicas, sem qualquer tipo de distinção.

- Não deixa de passar despercebido o facto de que a jóia do Primeiro Vigilante ser formada pelo conjunto das jóias do Venerável Mestre e do Segundo Vigilante, sendo estes considerados as “Luzes da Loja”. Interessante! –

O Nível também se encontra ligado à forma de como o Aprendiz chegará a Companheiro, pois ele advirá do Prumo para chegar ao Nível, transitando do Setentrião para o Sul da Loja, ficando às ordens e sob a formação e responsabilidade do Primeiro Vigilante.
 - Aliás costumo afirmar em tom, quicá, jocoso que o maçom é aprumado primeiro pelo Segundo Vigilante e nivelado depois pelo Primeiro Vigilante.-

Aproveito para referir que na maçonaria operativa, uma das funções do capataz ou superintendente-da-obra, o actual Primeiro Vigilante, era a de verificar frequentemente o nivelamento da construção a seu cargo com esta ferramenta de tão grande importância, de modo a que a edificação decorre-se de forma estável e firme, sem qualquer desnível ou irregularidade.

A própria solidez de um edifício somente pode ser atingida através da utilização do Nível (ressalvando mais uma vez a relação força/sólido/fortaleza/firmeza que aparecem em referência ao Primeiro Vigilante), pois sem ele, relegaríamos a importância da consonância e do equilíbrio entre o crescimento em altura e a respectiva expansão no solo durante a construção de um edifício. Simbolicamente isto pode ser facilmente descortinado de que a progressão vertical deve estar acompanhada por uma correspondente expansão horizontal, pois o Nível do Primeiro Vigilante em conjunto com o Prumo do Segundo Vigilante, demonstram/ensinam a lição de que o equilíbrio é a todo momento necessário, facto este indispensável a cada etapa de crescimento ou à sã progressão natural, seja ela maçónica ou profana, indicando assim que o crescimento e a elevação se expandem ao chegar a maturidade, transmitindo a estabilidade e a frutificação das nossas aspirações.

É através do auxílio e da utilização do Nível que compete ao Primeiro Vigilante aplicar de forma correcta e transversal os conhecimentos que detém, agindo de forma imparcial, tolerante e harmoniosa, mantendo a rectitude e igualdade entre todos obreiros  perante as leis e morais maçónicas (apesar das funções ou “qualidade” que estes detenham, pois tudo é efémero!), vivenciando estas com cordialidade no trato, carinho, educação e respeito entre todos, seja entre aquele que de momento ocupa o mais elevado grau na Ordem, seja sobre aquele que ainda agora foi iniciado nos nossos mistérios… Desta forma o Nível relembra que ninguém deve dominar outrem.

- Até porque todos nós teremos o mesmo fim. Tempus fugit… -.

E é a esse fim, que o Nível nos, contudo, remete; para o grande final, o memento mori,  a Morte!  Essa grande niveladora de todos os Tempos e que a todos acorre e que conduz ao Grande Oriente Eterno, para junto do Grande Arquitecto do Universo, na Grande Loja Celestial…

É também graças à Morte, que é feita a reflexão sobre o que devemos fazer, como devemos agir, qual o nosso papel no mundo, e qual a forma de melhor passarmos o tempo que o Altíssimo nos consignou. Carpe Diem!

E somente com o cimento do amor fraterno tal pode ser alcançável, pois já Salomão dizia nos seus Cânticos 8:6 :”… porque o amor é forte como a morte,….”, e como tal compete-nos perseverar nessa luta diária com a Morte até ao dia em que ela, finalmente, nos derrotará. E mesmo quando tal suceder, que este mesmo amor fraternal que nos une seja ele também a semente da lembrança, porque quem é relembrado nunca perecerá…

Aproveito ainda para recordar que o Nível encontra presença também ele, de certa forma e à sua maneira, em alguns Sinais Penais da Maçonaria. Também estes de uma certa maneira associados à Morte ou à forma como poderá decorrer a morte a quem quebrar os juramentos prestados perante todos e a bem da Ordem em geral. Juramentos estes feitos de plena vontade e em total consciência dos mesmos.
A não esquecer… tal miosótis este!

Bibliografia:
·         George Oliver, “A dictionary of Symbolical Masonry”, 1853
·         Henrik Bogdan & Jan Snoek , Brill Handbooks on
Contemporary Religion Vol.8, “Handbook of Freemasonry”, 2014
·         Humberto Antonio Camejo Arias, “Simbolismo e Diccionario Masónico”, 2014
·         Iván Michel Herrera, “ Las Herramientas Masónicas”, 2013
·         Jaime Ayala Ponce, “Diccionario Masonico y Esoterico”
·         Juan Carlos Daza, “Diccionario Akal de Francmasoneria”, 1997
·         Jules Boucher, “A Simbólica Maçónica”, 2006
·         Júlio Resende (GOB), “Cargos em Loja”, 2014
·         Plutarco (NS), Gran Logia Equinoccial del Equador B.·. R.·. L.·. S.·. “Luis Vargas Torres No. 17”, “Simbolismo Masonico de las Dignidades y Oficiales, Las Joyas Fijas y Moviles”
·         Rizzardo da Camino, “Simbolismo do Primeiro Grau”, 1998